festajun.jpg

Quadro de Lucas Penacchi

Amigos do coração,

eu venho por meio desta

convidá-los pr'uma festa:

um sarau de São João.

 

A festança é no arraial

novoaemfolha.com.

O endereço é virtual

mas o ambiente é bom.

 

Não tem ladrão nem quadrilha,

só poetas de família.

Não tem fogueira ou balão,

só a luz da inspiração. 

 

Não tem quentão nem cachaça

mas, para espantar o frio,

tem repente, desafio 

e rimas cheias de graça.

 

Se você tem um minuto,

passe aqui pra ver se gosta.

Diga um verso, que eu escuto

e versejo uma resposta.

 

Se achar que foi divertido,

comovida, eu lhe convido

a retornar para o bis.

Um beijo e até logo, Chris.

 

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2dolls.JPGQuando eu nasci, minha prima tinha 6 meses. Filha caçula da única irmã do meu pai, ela foi minha primeira amiga e também adversária nas primeiras disputas, brigas de unhadas e puxôes de cabelos nas quais eu, via de regra, levava a pior, já que, além de mais nova, nasci prematura e era mirrada, fracota e chorona. Os anos foram passando e continuamos unidas como unha e carne (leia-se a unha dela na minha carne e vice-versa, mas beleza, faz parte).       

Gostávamos de dizer que éramos primas-gêmeas, embora fôssemos quase opostas fisicamente, eu de cabelos castanhos, curtos e cacheados, ela de longa cabeleira loira e lisa - alvo da minha inveja mais primária. Passamos juntas pelas delícias e agruras da infância e da adolescência, sempre gêmeas, sempre diferentes, eu magricela e despeitada, ela curvilínea e desenvolvida, dona de um belíssimo par de peitos - novo objeto da minha inveja, agora secundarista.

Além de compartilharmos família e amigos, nossos interesses iam sempre na mesma direção: eu comecei a aprender piano, ela se empolgou e foi aprender também, prestamos juntas o vestibular pra comunicação na puc, que ambas trancamos pra fazer teatro, e depois ainda teve a história dos maridos... lá pelos 18 anos, começamos a namorar dois colegas do teatro, amigos entre si. Namoramos com eles muitos anos (e terminamos e voltamos a namorar umas tantas vezes) até que casamos, com 15 dias de diferença, uma madrinha da outra.

Então a vida nos afastou um pouco, não sei bem por quê, acho que ela também não, parecia que nossos interesses tinham ficado diferentes. Eu parei com o teatro e abri uma loja, depois me formei em psicologia, ela resolveu ser atriz profissional e fazer novela, eu tive filho, ela não, eu me separei, ela não. Morávamos relativamente perto mas deixamos de nos ver, as ligações ficaram reduzidas a natal e aniversários. Ainda que, depois da gravidez, meus peitos tenham finalmente dado o ar de sua graça e que a brancura incipiente dos meus já longos cachos me tenha feito adotar uma tintura quase-loira, nossa gemelidade, aparentemente, se perdeu na noite dos tempos. 

Semana passada ela fez aniversário, era o dia da ligação anual. Mas eu não tinha mais o telefone dela, então resolvi mandar um email. Daí me deu uma puta saudade e escrevi quilômetros contando a vida, a mudança pra São Paulo, o emprego novo, etc. Soube por parentes que ela tinha se separado no último ano e pedi uma atualização completa. Uma semana se passou e neca de resposta, achei que ela tivesse me riscado definitivamente de seu caderninho. Até que chegou a missiva, com as desculpas pelo atraso porque enderecei a mensagem pra uma caixa postal semi-inativa, juras de saudades correspondidas e a requerida atualização dos últimos tempos. Trocamos MSNs e, no mesmo dia, falamos horas, quase uma tarde inteira. Botamos a vida toda em dia, notícias da família de um lado e de outro, mas a melhor novidade é que ela agora está escrevendo. Eu já sabia que ela levava jeito pra a coisa desde criancinha, então dei a maior força e sugeri que ela fizesse um blog.

Hoje recebi email dela avisando que seguiu meu conselho e apresentando seu recém-inaugurado sítio. Fui lá e morri de rir com as histórias, me emocionei... fiquei super orgulhosa, ela é muito boa nisso! Também fiquei feliz porque, escritoras e blogueiras, estamos gêmeas de novo.

Passem lá pra conhecer a Macaia e digam se ela não é a minha cara. 

sunset_dreams_01.jpg sunset_dreams_02.jpgpara guga

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o amor que a gente faz

surpreende que ainda soe 

perfeito como sói

suspeito até que mais

tanto tempo depois

adoro como sois

poente como sóis

queimando ardendo em nós

dois 

 

 

imagens: Benn Flemming

 

alegriacirq.JPGEstava na padaria ontem à noite, quando um grupo de universitários passou por mim, conversando. Um deles, gorducho como um pachá, proferiu a estranhíssima sentença, enquanto devorava uma baguete: "Não tem nada que eu deteste mais nesse mundo do que o Cirque du Soleil.". Ao que um outro, de físico igualmente empanzinado, completou, roendo uma rosquinha: "É odioso!..."

Eu, hein? Sei não, mas acho que pão e circo andam fazendo mal ao povo.

 

** Grafia corrigida pelo meu querido e cultíssimo amigo Idelber Avelar, consultor deste sítio para assuntos polêmico-lingüísticos.

Thumbnail image for marilyn_warhol.jpgQuisera eu fazer este soneto

Como quem faz desenhos na areia:

Traça uma linha a ponta do graveto,

Sobe a maré, apaga linha e meia.

 

Dos versos presunçosos que cometo,

Quero escrever, bem antes que alguém leia,

As letras em nanquim no fundo preto

Que, assim, a coisa fica menos feia.

 

Mas nem sempre a censura funciona,

Tem um sopro rebelde que me escapa

E, à minha revelia, vem à tona.

 

Debalde meu esforço, um mau poema

Liberta-se do escuro, à socapa,

Mata a família e estréia no cinema. 

 

 

novelo.jpg  Teve essa história da Laurita que, quando criança, era obrigada a fazer tricô. Era a hora em que a sua mãe prestava serviço voluntário na igreja e, não tendo com quem deixá-la, fez este acêrto com a Dona Ditinha, tia da sua comadre Conceição, que dava aulas de tricô para um grupo de senhoras do bairro. Ela tinha que ir, fazer o quê?, mas era uma agonia pra Laurita aquilo. Um monte de velhinha lembrando do passado, falando da vida de gente que já morreu, e ela à beira da morte por tédio fulminante. Meeeeeeeetros de fio, hooooooooooooras de papo de velhinha, e a Laurita mais querendo era namorar e falar no telefone com as amigas. E tome encomenda de gorro pro seu irmão, sapatinho pra filha da vizinha, meias pra toda a família, e pra ela era a sua mocidade se perdendo em ponto meia e ponto tricô. Quando as carreiras estavam desiguais, Dona Ditinha desmanchava e mandava fazer tudo de novo. Ela não ia discutir com a tia da comadre da sua mãe, então fazia, né? Não se preocupava em terminar logo, já que tecia mesmo para esperar. Um dia a mãe da Laurita arrumou outra solução, ou vai ver largou o voluntariado, fato é que ela se livrou do martírio das agulhas.
O tempo passou, aaaaaanos a fio. Laurita namorou muito, casou. Mas um dia deu uma coisa nela, sei lá, uma nostalgia. Passou numa loja, comprou um par de agulhas enormes, um cesto cheio de novelos bem felpudos e começou a tricotar com luxúria. Fez um xale deslumbrante, inveja de todas as amigas, até da Lulu, que vai a Paris como quem vai à esquina. Desde então não parou mais, fez cachecóis, pulôveres e até um sobretudo. Confessou-me que anseia pelo momento de chegar em casa ao fim do dia, pra sentar na poltrona e tricotar seus paninhos. Tem ido pra cama cada vez mais tarde, noite dessas já era dia quando ela adormeceu sentada, ainda segurando uma ponta do fio. Coincidência ou não, sonhou com labirinto.
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flordevitoria.jpgdo lodo à glória

 

desfolha-se efêmera

 

flor de vitória

 

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lagarto.jpg-reptício  outono

 

lagarto se estira ao sol

 

luz que nos réstia

 

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Testávamos hipóteses lúdicas: vocábulos ímpares, proparoxítonos, infâmias excêntricas, pérolas cômicas.
Brincávamos cândidos, ríamos súbito, íntimos.

Ângulo ótimo, árbitro péssimo, átimo, ínfimo, átomo côncavo. Química atônita, física apócrifa.

Dígitos rápidos, bólidos sólidos, símbolos fálicos. Cânticos pândegos, tímida música afônica.

Idílio paradisíaco, triângulo mâgico, refúgio cômodo. Recôndito útero, pórtico rútilo, músculo sôfrego. Êxtase rítmico, legítimo relógio biológico. Cópula tântrica, cúpula altíssima, círculo máximo. Frêmito lúbrico, místico júbilo, píncaro fúlgido.

Púcaro búlgaro, Ícaro, Fígaro, sátiros frívolos, plenário pífio.

Sizígia plenilúnica, órbita telúrica, pétreo pretérito. Pérfida prédica, pálida alvíssara, próximo sábado.  

Préstimo magnânimo, silêncio último.

P.S.: Graças ao Roney, este sítio recuperou a acentuação e demais sinais gráficos, pondo fim ao qüiproquó instituído pela sistemática bloguística há mais de um aniversário. Ósculo básico a todos. :)

Mundo Animal

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Enquanto um elefante faz arte com a tromba...

...um ser (des)humano - ao que tudo indica - matou a filha com as proprias maos.
isabellanardoni.jpg

Que mundo eh esse?

Obs: Mais reflexoes sobre o caso do paquiderme pintor no Blog da Milk.

A falta que faz um redator

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deficiente.JPG
E deficiente mental, podem?

(foto: Regina Grellet)
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Cawrioca

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ando muda, mudando...

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Meu atual mutismo tem uma razao de ser: estou me mudando pra Sao Paulo, o blog estah mudando de sistema, estah tudo em transito na minha vida neste momento.
Se este sitio ficar fora do ar por uns minutos, horas ou dias, a razao eh essa.
Mas eu volto, viu? Repaginada e acentuada, se Deus quiser.
E a Mami disse que, com acento, ela tambem volta a escrever por aqui.
Aguardem as boas novoas!
Beijos a todos.

Fiz el 4! (hai-no-cai)

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Fidel_Che_jordreform_1959.jpgQuis Cuba Libre;

embargado, nao caiu!

- so' chamou Raul


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rap da poeta louca

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pinup-book-frahm.jpg
Po, que pena, eu nao sou pop!
Nao escrevo soap-opera
nem letra de hip-hop...

No meu verso invento moda,
minhas redondilhas fecham
porem, no universo fashion,
confesso: nao to no top.

O ultimo show eu nao vi,
so escutei a zoeira
(nao ganhei uma pulseira
para o curralzinho vip).

Vai bem baixo meu ibope:
nao sou apresentadora,
nem garota de programa,
nem miss, nem BBB,
nem policial do Bope...

Mas tambem posso aprender;
to a fim de dar um up!
Aparecer na TV
e ganhar uma bolada,
antes que a chance me escape.

Resolvi vender a pena
e o meu contrato com a musa,
em negociata espuria,
pra um tabloide classe Z.

Vou ver se compro, com o troco
um armamento pesado,
um pente de chumbo grosso
e um modelito que arrase.

Adentro algum mega-evento
e, ao som de um funk indigente,
disparo verbos em furia
no primeiro que passar!

Saio mandando objeto
direto pra todo lado;
se o sujeito discordar,
vai tomar no predicado...

Briga sempre junta gente:
aproveito os paparazzi,
vou logo tirando a blusa.

Meio minuto de fama
eh mais que suficiente
pra eu deitar, fazer a cama
e editar a obra completa.

Pois finalmente a poesia
vai estar em cada banca
- num ensaio da playboy:

Poetisa aliterada
abusa da lingua e arranca
a roupa que o rato roi

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(fonte da imagem: http://www.thepinupfiles.com/frahm.html )

rediviva

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Este blog esteve fora do ar por 3 dias, depois voltou, depois sumiu de novo, ao que parece por problemas com o Servidor, entidade supra-humana que desconheco mas Louvado seja e nos mantenha em boa conexao!
Foi como uma pequena morte, e tambem nao fui beneficiada por visoes extraordinarias, mas apenas o vazio da inexistencia virtual. Ainda achei que tivesse perdido meus escritos pra sempre - claro que nao tenho backup de nada - e percebi que talvez nao fizessem tanta falta, nem mesmo pra mim.
No milagre da volta aa vida, recobrei minha ilusao de auto-importancia, e cheguei mesmo a ter fe de que voltariam tambem os acentos mas, como podem ver, foi em vao. Tudo bem, quem liga pra uns detalhezinhos graficos diante da avassaladora sensacao de pertencimento, da maravilha de ser um endereco eletronico que funciona, uma gota comunicante em meio ao oceano da web?...
Estou estudando sistemas alternativos pra repaginar o cafofo com acentos modernos, cedilhas arrojadas e tremas de ultima geracao, mas estou cautelosa, nao quero estressar o Servidor e sofrer outra morte subita. A gente vai se apegando a essa vidinha, mesmo com uns defeitos aqui e ali, que vao se arrastando como a perna coxa do dr House. A bengala se incorpora ao figurino como um acessorio excentrico, um charme capenga, de que depois pode ser dificil se livrar. Como a minha teima em escrever evitando angulos agudos e dilemas circunflexos, nem um til de eleicoes nos eua ou no paquistao, nenhuma crase aa bandalha dos cartoes e outros temas aridos...perdoem mas quem nao tem acento, encurta o assunto.
Claro que eu bem queria escrever paragrafos prodigos em proparoxitonas petreas, interjeicoes bombasticas e outras eloquencias de alta tonicidade mas... fica pra proxima.
Por ora, folgo simplesmente por estar em rede, viva!

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nunc et in hora

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amor te
avia
chega
perto
enquanto e'
tempo

a morte
vem
a metro
-
um trem
parte
sem
aviso

leva
a vida
a fundo
arte
e volta
ao mundo
vazia

todavia
lactea
rota

obra rara
joia pura
moira torta
fia
tece
e corta!

fina-se
o fado
afinal

sobra
a estrada
sina
sinal
estrela da
sorte
nossa

conjunctio
ve nus
a mar-te

possa
a morte
inda que
tarde
ser
a
sim
:
amor-te
em
im

.

vita longa, ars brevis

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taxi.jpgOutro dia peguei um taxi pra rodoviaria e, aproveitando o transito, o taxista foi me contando a vida. Contou que quase morreu num acidente de carro uns anos atras. Ficou 42 dias em coma, depois acordou por uma semana, depois dormiu mais 14 dias. Acordou normal e nunca mais teve nada, os medicos nem acreditaram, vinham examinar de novo pra ver se ele tinha esquecido alguma coisa ou ficado com alguma sequela (com minha vida literalmente nas maos desse homem, so pude desejar ativamente que se mantivesse esta sa~ consciencia, enquanto entravamos no Reboucas). Fiz o obvio comentario de que ele nasceu de novo e quis saber, empolgada, se ele tinha visto luz no fim do tunel, ou vidas passadas, ou espiritos dos mortos, ou alienigenas, ou pelo menos o proprio corpo la na cama, mas a tudo ele me frustrou que nao, nao viu nada, nadinha. Dois tuneis escuros, com um intervalo no meio.
Ja no viaduto perguntei o que ele tinha concluido da experiencia, e ele me respondeu: a vida eh longa.
Ha~? disse eu, que esperava ouvir o contrario.
A vida eh linda, ele disse, e da tempo pra tudo.
Quando olhei pro lado, vi o arco-iris mais nitido de todos os tempos, terminando atras do morro da Saude, precisamente em cima da rodoviaria, e ali ficou ate chegarmos ao nosso destino.
Ao se despedir, ele ainda falou: aproveita sua vida!
Agradeci muito e claro que a viagem foi otima.
Devo estar prestes a encontrar um pote de ouro, ou vai ver ja encontrei.

politica de privacidade

| | Commentários (12)

sinais.jpgtroquei a secreta'ria-eletronica
por um criado-mudo

agora so' recebo recados
em maos
~


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dois mil e
outro
ano do senhor
do bonfim

e do bom meio
e do eterno
reini'cio

oito deitado
o'cio infinitivo
polvo oito
tantraculos

outrossim
umnidos
lado alado
para todo o
agora
ate que
enfim
!


.