na porta do inferno
estava escrito:
é proibido
fumar macondo
.
Jan 22nd, 2012 by Christiana Nóvoa
na porta do inferno
estava escrito:
é proibido
fumar macondo
.
Jan 21st, 2012 by Christiana Nóvoa
sou imagenta
e não tem luz fria
nem tinta preta
que me amarele
…
na paleta
da minha poesia
o ciano esquenta
a flor da pele
.
Jan 19th, 2012 by Christiana Nóvoa
60…
70…
e 90?
(e nem chove?)
20 dizer:
não 10-espere,
não p-re,
inspire…
e i-9
.
Jan 18th, 2012 by Christiana Nóvoa
Jan 17th, 2012 by Christiana Nóvoa
pisco pisco
e não capisco
não entendo
quem não assume
o lusco-risco
eu sou meio vagalume
mas ascendo
.
.
.
Jan 15th, 2012 by Christiana Nóvoa
Jan 13th, 2012 by Christiana Nóvoa
da teimosia de que eu peco … eco
do pensamento que me aturde … urde
como que por encanto surge … urge
a sua imagem que disseco … seco
se essa voz débil que re-clama … lama
fosse punhal que a vida amola … mola
veria no amor que descola … escola
portal da luz que a minha chama … ama
e se ouso erguer um edifício … difícil
sem ter pilar que me confirme … firme
que diga então meu frontispício … hospício
deixo ao espelho a contraparte … aparte
que agora preciso partir-me … ir-me
e espalharei por toda parte … arte
Jan 11th, 2012 by Christiana Nóvoa
viver é um vício,
socorro
!
um dia ainda morro
disso
.
Jan 10th, 2012 by Christiana Nóvoa
urubus
nascem de novo
em um estalar de ovo
nascer macaco
inda que fêmea
há que ser macho
pra ver a luz
o buraco
é mais embaixo
Jan 8th, 2012 by Christiana Nóvoa
Jan 7th, 2012 by Christiana Nóvoa
sem os beijos
de costume
,
minha pele
em vão se dobra
,
pergaminho
no descarte
do curtume
,
obra de arte
no despejo
do porão
,
sem ciúme
sem desejo
morta à míngua
.
.
.
até
que vibre
o céu da boca
e, rediviva
,
minha
língua
partida
de cobra
,
fina
mole
pérfida
e lasciva
,
tão viva
que finda
,
tão louca
que verve
,
tão livre
que arde
,
esfole
,
despele
e descubra
:
a verdade
é rubra
.
Jan 2nd, 2012 by Christiana Nóvoa
jorram parábolas,
lágrimas pródigas
;
meu olho é pálpebra
pra toda ópera
Dec 31st, 2011 by Christiana Nóvoa
Dec 29th, 2011 by Christiana Nóvoa
saudades de amar
na areia
de mares que ainda nem sei
~
de ondas lambendo
a orelha
da sereia que serei
Dec 28th, 2011 by Christiana Nóvoa
a morte não trema
não deságüe
a alma lusa
quando a luz é forte
não há dia triste
que apague
não existe problema
que a musa não corte
um poema
Dec 23rd, 2011 by Christiana Nóvoa
olha, a linguagem
ensina a mentira
:
o que se mira
chama de imagem
e o que se imagina
…
miragem
.
Dec 14th, 2011 by Christiana Nóvoa
haiquase que cai?
bota fé no samurai
e sai de bashô
…
[mais um "poema incidental", resgatado dos comentários ao poema 'quiromance' /2009 >>
http://www.novoaemfolha.com/2009/10/quiromance.html ]
Dec 11th, 2011 by Christiana Nóvoa
venta um ar vário
varrendo as fendas
e há folhas tantas
atrás do armário
…
nas fundas sendas
do itinerário
vai pras calendas
meu calendário
.
Dec 10th, 2011 by Christiana Nóvoa
finda a tarde cinza
e só eu ouvi
que é linda
…
o sol não faz alarde
ao cair em si
bemol
.
Dec 4th, 2011 by Christiana Nóvoa
ah se eu soubera
que era só foda
não fôra toda
…
amor espera
que a vida roda
e que se fôda
!
Dec 3rd, 2011 by Christiana Nóvoa
despertador
toca lá fora
,
um sopro aflora
de cada ninho
:
cantiga de acordar
passarinho
Dec 2nd, 2011 by Christiana Nóvoa
o peixe pisca
;
pra isca
que o pesca
.
[repescado da caixa de comentários do poema 'água na boca' (2009) >> http://www.novoaemfolha.com/2009/10/agua_na_boca.html ]
Nov 30th, 2011 by Christiana Nóvoa
por mais que eu minta
minha folha
fina e branca
não estanca
tanta tinta
,
por mais que eu tente
[e tento opaca!]
minha casca
quando molha
é transparente
Nov 29th, 2011 by Christiana Nóvoa
eu sou a ferrugem
lenta e salgada
que lambe e te come
pela beirada
;
a dulcíssima fome
que rói teus espelhos
na vertigem dos meus
lábios vermelhos
Nov 28th, 2011 by Christiana Nóvoa
é claro que é válida
essa chuva cálida
mas a luz é pálida
;
e eu que, branquela
sei que o sol ardido
mata esfola e péla
,
não sei viver crua
…
e espero o bandido
que me restitua
o dia colorido
.
Nov 26th, 2011 by Christiana Nóvoa
me enerva
esse inveredicto
,
ipso facto
…
eu desempato
no grito
:
minerva
!
Nov 21st, 2011 by Christiana Nóvoa
Nov 18th, 2011 by Christiana Nóvoa
escrevo
como quem fia
,
do emaranhado
puxo um punhado
até dar linha
,
e afino à unha
a ver se me atrevo
a chamar poesia
;
escrevo
como quem tece
sem gabarito
um pano curto
de trama torta
,
a ver se amortece
o impacto surdo
do meu enlevo
no céu finito
;
escrevo
como quem corta
.
Nov 16th, 2011 by Christiana Nóvoa
estar morto ou vivo
tem motor
não tem motivo
.
Nov 14th, 2011 by Christiana Nóvoa
mormaço
,
mar baço
,
nuvens esparsas
esgarçam uma sereia
…
das ameias a garça
} ave cheia de graça {
espreita carcaças
pra ceia
.
Nov 14th, 2011 by Christiana Nóvoa
a maré molha
:
vai-se o mar ido
,
olha o mar vindo
~
amar é lindo
.
Nov 12th, 2011 by Christiana Nóvoa
deus fica brabo
como o diabo
com o fato triste
de que só ele de fato
existe
.
Nov 12th, 2011 by Christiana Nóvoa
a lua, um compasso
traça halos tênues
no céu noturno
como anéis de saturno
enlaçando os braços
de vênus