May 2003 Archives

Sobre o suicídio

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Um chefe de família, aparentemente arruinado, mata a mulher e as duas filhas e se suicida. Um óbvio gesto de loucura e loucura não se comenta, se lamenta. Mas as pessoas se metem a opinar até sobre o inopinável, então quero comentar não o fato - por respeito à loucura e suas vítimas - mas os comentários sobre o fato.
Um psiquiatra diz que foi um "crime piedoso", um psicanalista chama de "crime altruísta". Piedade e altruísmo são atributos desejáveis para todas as religiões. Afirmam estes especialistas em almas que não foi um crime movido por ódio, evidentemente, e que talvez o intuito fosse poupar-se e poupar a família da nova condição de pobres. Da humilhação, do ônibus, do subúrbio, da escola pública, da sardinha em lata, do dente cariado... é longo o séquito de indesejados que acompanha a pobreza e a função de psiquiatras e psicanalistas é compreender o homem.
Saint-Exupéry - esse mesmo, o do Pequeno Príncipe - escreveu um livro chamado Terra dos Homens.
Da geração das "misses", todo mundo leu o Pequeno Príncipe; parece que até elas. Como as gerações seguintes leram O Apanhador no Campo de Centeio, Fernão Capelo Gaivota e Porcos com Asas. Vai ver que cada época tem um livro emblemático para os jovens e este livro acaba formando alguns valores comuns à geração. As misses envelheceram porém lembram até hoje que a gente "se torna eternamente responsável por aquilo que cativa".
Mas Saint-Exupéry também escreveu Terra dos Homens, que nem todo mundo leu. Neste livro ele fala sobre os correios aéreos que faziam com aviões pioneiros a rota Europa-África-América do Sul em longos vôos solitários sobre o deserto, o Atlântico e os Andes. Saint-Ex, como os amigos o chamavam, foi piloto nesta rota perigosa e morreu quando seu avião se espatifou contra uma montanha.
Ele nos conta que conheceu um suicida moço. E não sabe a que tentação literária este jovem cedeu, quando calçou luvas brancas antes de puxar o gatilho e se matar de amor por outra jovenzinha talvez tão tola quanto ele. Lembra então de Guillaumet, seu companheiro no Correio Sul.
O avião de Guillaumet sofreu uma pane e caiu nos Andes. Machucado, cheio de dores e atordoado, percebendo a imensidão deserta à sua volta, ele compreendeu que estava perdido. Seu primeiro impulso foi deitar e se deixar adormecer, a "morte branca" é indolor. Mas lembrou dos companheiros. Os companheiros iam procurar por ele, voando baixo nas montanhas traiçoeiras até encontra-lo. Lembrou da mulher, dos filhos e de detalhes banais, seu seguro só seria pago se o corpo fosse localizado e a neve esconde para sempre, em poucas horas, o corpo de um homem.
Então, Guillaumet andou. Andou sem rumo dois dias e duas noites, parando apenas para rasgar uma bota, quando a perna inchada já não cabia nela, ou esfregar neve nos olhos para mantê-los abertos. A cada parada ficava mais pobre, esquecia uma luva ou um canivete, mas os amigos acreditavam que, se estivesse vivo, ele estaria caminhando e ele caminhou, dando tempo para que os companheiros o achassem. Estava de pé, quando o encontraram.
- O que eu fiz - disse com brio ingênuo, em meio aos abraços e à felicidade dos amigos - nenhum animal faria.
E Saint-Ex conclui, tentando definir o atributo que distingue a "humanidade" em cada um de nós: "Ser homem é, precisamente, ser responsável. É experimentar vergonha diante de uma miséria que não parece depender de si. É ter orgulho da vitória de um companheiro. É sentir, colocando a sua pedra, que contribui para construir o mundo".
Este livro foi lido naquela idade em que se grava tudo, não só as palavras como a localização das palavras na página. Naquela idade em que não se tem nem idade para ser candidata à miss e Saint-Exupéry não é considerado um clássico. Foi um livro perdido ou emprestado, que nunca mais voltou para a estante e é citado de memória. Lembrei dele hoje, a propósito dos que acham que têm que achar alguma coisa, têm espaço para dizer o que acham e certamente influenciam jovens que os lêem.

Prozac

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Os remédios de tarja preta vendem cada vez mais, informam os jornais. As pílulas da felicidade são indispensáveis na farmácia do homem moderno porque poucos conseguem conviver com a própria angústia.
Talvez a angústia “moderna” seja mesmo derrubada pelo murro poderoso dos remédios faixa-preta. Mas há uma outra angústia, velha como o homem, que nos acompanha desde os tempos da caverna – é esta que interessa aos Colégios Iniciáticos.
O homem domina o mundo visível mas não o invisível. Diante de um grande animal, o primitivo sabia exatamente se suas armas eram suficientes ou era hora de correr. Havia medo, certamente, talvez pânico – mas nada que pudesse ser comparado ao enfrentamento do desconhecido. A literatura, desde o tempo dos babilônios, passando por egípcios e gregos até os dias de hoje, é recheada desta angústia. Tremendo de medo diante do raio, do trovão, e de forças incontroláveis que desabavam sobre ele, Gilgamesh gritava para alguém que não sabia exatamente onde estava: - Qual foi o meu pecado?
Aparecia a angústia do homem diante da mais temida das faces de Deus: o Deus absconditus, aquele que podia estar presente no fundo do mais fundo dos esconderijos. O que não é passível de conhecimento. O Invisível.
Esta é a nossa angústia arcaica: a perplexidade diante de uma existência que nos obriga a responsabilidades humanas que não lembramos de ter assumido, que nos constrange a tomar sobre os ombros o fardo do mundo futuro bem como a suportar em nós todos os erros do mundo passado, a carregar o tormento de nossa criação inexplicável e o convite à crença numa ordem cósmica perfeita quando tudo que nos rodeia é do domínio do absurdo – seres finitos sonhando com o infinito.
Para escapar do impasse uns atribuem a Deus o poder que lhes falta, outros se refugiam num ateísmo feroz. Mas toda a filosofia profana desemboca, com Kierkegaard e Heidegger, no existencialismo sartreano: somos seres que trazem em si o nada.
Os Colégios Iniciáticos e a gnose pregam, ao contrário, a libertação do passado e o enfrentamento do desconhecido. No plano social o passado justifica todos os racismos, todos os nacionalismos convencidos de sua superioridade sobre o resto do mundo. No plano individual é a submissão a todas as sociedades, laicas ou religiosas, e a aceitação do dogma. Quem se refugia em seus hábitos adquiridos recusa a evolução – mas temos que concordar que a vida é mesmo muito mais fácil quando criamos para ela um programa de adaptação às “griffes” sociais.
O que as Iniciações oferecem é apenas a possibilidade da vida total. E esta totalidade só pode acontecer quando o homem rejeita o transitório e enfrenta o desconhecido. A Boa Nova é um convite do desconhecido ao bem-estar paralisante, Cristo chamava seus discípulos dizendo: “Deixa teu pai e tua mãe e segue-me!”. Quando o homem se despoja dos cuidados cotidianos que fazem de sua vida um automatismo e o impedem de se voltar para si mesmo, quando se interroga sobre esta epopéia que é toda a vida humana, uma multidão de perguntas sem resposta vem assalta-lo, destruindo um bem-estar que não era senão a ausência de si mesmo.
É só quando deixa “seu pai e sua mãe”, quando se despe das roupas protetoras, que o homem está pronto para entrar no Templo e enfrentar o Deus desconhecido.
Esta angústia é a marca do humano.
Enquanto não for enfrentada, o homem vive; não vai morrer por isso. “- Como nos tempos de Noé” – diz o texto do Apocalipse – “os homens comiam e bebiam”. Vai ver que até tomavam Prozac.

No Princípio, Agora e Sempre

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Existe um livro que é um milagre no campo da comunicação universal: um manuscrito misterioso já traduzido em 1435 línguas e dialetos, lido por centenas de milhões de pessoas há milênios, que inspirou a criação de três grandes religiões, provocou guerras, uniu nações e, ainda hoje, no mercado editorial do mundo, vende mais do que Paulo Coelho.
Mito fundador da maior cultura do planeta, a judaico-cristã, a autoria das cinco primeiras partes deste best-seller, o Pentateuco – a Torah – é atribuída a Moisés.
A palavra que inaugura o Antigo Testamento é Bereshit e ela só aparece neste texto. É um “hapax”, palavra sagrada usada “apenas uma vez”. Bereshit significa “no princípio”.
As palavras “princípio”, “principal” e até “príncipe”, têm uma raiz comum e remetem ao primeiro momento ou à causa primeira. Embutido em Bereshit, a primeira palavra, já aparece o mistério do número 1.
A tentativa de entender o Um endoidou muitas cabeças confiáveis: o Um é uma abstração, impossibilitada de se manifestar, a manifestação exige pelo menos a bi-dimensionalidade, por isso o Um é sempre atribuído ao divino, não ao humano. E, como o Um é único, o dois não é a sua soma, é a sua metade, o três a sua terça parte e todos os números são frações originadas do Um imaginário – partes do Todo.
Qualquer ordem iniciática tem como finalidade levar o homem fracionado de volta à sua origem divina: emanado do Um, ele deverá um dia voltar ao Um. Este processo de individuação, de reconstrução do indiviso – o ser único, não dividido – aproxima o homem cada vez mais da sua essência, a verdadeira natureza do seu ser. Para isto ele nasce.
Qualquer tentativa de deduzir o ser através de ações inerentes ao próprio existir pode até gerar boas “sacadas” literárias mas não diz nada. Penso, logo existo é afirmação tão inócua quanto como cenouras, logo existo. Já a revelação de Deus a Moisés no alto da montanha até hoje provoca assombro porque não veio acompanhada de nenhum atributo: Eu Sou quem Sou. Ponto final. E a palavra terrível da única revelação que Deus fez de Si mesmo não é o “eu”, é o “sou”. O Um não tem “ego” nem “persona” – nós, coitadinhos, é que temos – o Um só tem a Si mesmo. O Um é.
Estamos todos muito longe de ser Um. Somos frações ambulantes que se agrupam em torno de algumas características que imaginamos importantes e acreditamos que nos descrevem. Assim, formamos nosso grupo religioso, político ou afetivo, nos organizamos em condomínios, corporações de ofício ou nações e até nos propomos a fazer um ou outro sacrifício pessoal para a sobrevivência do nosso grupo ou da nossa ideologia. E cada vez mais alimentamos este grande monstro chamado “coletivo”. O coletivo nos convida a fazer parte dele com aquilo que só podemos reunir e coerir quando o chamamos de “eu” – o resto está disperso. E sabemos que o “eu” não é o Um.
Ninguém é negro, gay, muçulmano ou diabético. Enquanto acreditarmos numa fraternidade de partes e não de totalidades, seremos “estrangeiros” sobre a terra e dentro de nós mesmos, porque o nosso igual não existe.
O processo iniciático, ao contrário, sugere a libertação do coletivo anônimo e amorfo: viver no mundo sem ser por ele submetido, estar ao mesmo tempo nele e fora dele, dissolvendo os “egos” e as “máscaras” em que o Um se dividiu. Quanto mais o homem se divide, mais se torna inimigo dos outros homens – o que todos compartilhamos é a Unidade inaugural. E quando se chega ao Si mesmo, o resto não é o resto porque não há mais resto.
Cumprimos a jornada circular e voltamos a onde sempre estivemos. Bereshit.

Salvação

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Os jornais noticiaram que um dos últimos presentes do galã Ben Afflek para sua amada Jennifer López foi uma tábua de privada - cravejada de pérolas, safiras, rubis e diamantes - no valor de 105 mil dólares. Parece que não havia esmeraldas nesta tábua.
A Tábua de Esmeralda foi um manuscrito muito difundido na Europa, no final da Idade Média, que logo se tornou programa e método dos alquimistas. Encerrava "o Segredo da Criação dos Seres e a Ciência das Causas de todas as Coisas".
Texto danado de obscuro, condensava uma sabedoria sagrada somente revelada aos grandes iniciados e seu trecho mais conhecido afirmava o que veio a ser o princípio fundamental da Alquimia: "o que está em cima é como o que está embaixo". Baseados nesta revelação, os alquimistas faziam em seu laboratório experiências de transmutação de metais ordinários em ouro para tentar desvendar o processo que poderia levar o homem comum, o "vil metal", a se transformar no mais puro deles. O resultado desta opera magna seria a Pedra Filosofal, a matéria pura primordial, o "ouro filosófico" e princípio analógico da essência divina, pois se "o que está em cima é como o que está em baixo", o que o céu guarda a terra também possui.
Os homens já se preocuparam com essas coisas.
A Tábua de Esmeralda era atribuída ao egípcio Hermes Trismegisto - o três vezes grande, o três vezes sábio, o três vezes mago - e a palavra "hermético" começou a ser usada para se referir a ele. O texto teria sido gravado pelo próprio deus numa grande esmeralda e só muito mais tarde transcrito num papiro e traduzido para o latim, para a divulgação na Europa.
A esmeralda era uma pedra sagrada. Utilizada para a regeneração e a preservação, conferia poderes mágicos e diz a tradição que o próprio Graal foi esculpido numa esmeralda. Como era atribuída a Hermes, o mensageiro dos deuses, participava dos dois mundos, o humano e o divino, e sempre foi considerada um poderoso talismã. Pedra da cura e da clarividência, seu portador adquiria domínio sobre o Bem e o Mal e não é de admirar que fosse uma das pedras reservada aos Papas, simbolizando a Esperança.
As três virtudes teologais são Fé, Esperança e Caridade, pilares do Cristianismo. Mas há um dito gnóstico afirmando que a Fé está morta, a Caridade em extinção e só nos resta a Esperança.
Que a Caridade não está bem das pernas, basta olhar em torno para concordar. A Fé resistiu um pouco mais. Fé é uma certeza que tem por base a autoridade de uma revelação recebida por alguém. É um postulado metafísico. Se esta proposição ou este alguém comportam uma falha, a Fé desmorona. Em tempos que se especializam em derrubar metafísicas e profetas, não é de admirar que a Fé tenha morrido.
Já a Esperança está além de toda certeza racional, porque persiste mesmo depois de esgotados os argumentos. É mais do que uma espera teimosa, como seu nome sugere, é confiança no milagre. É a mais ingênua das virtudes porque nenhuma filosofia a sustenta: é apenas ato de amor. A única que nos resta porque é "a última que morre".
Entre a Tábua de Esmeralda e a tábua do Ben Affleck, a humanidade percorreu longo caminho mas talvez continue a mesma: ainda não descobriu sua "pedra filosofal".
No entanto, as pessoas amam e só o amor as salvará. Apesar de algumas dádivas equivocadas, já que as oferendas ao amor podem variar do Taj Mahal a uma tábua de privada, sinal dos tempos. Mas para qualquer amante a amada é uma rainha e, desde Inês de Castro, sabemos que o desejo recôndito de quem ama é ver a amada no trono.

O Chamado

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Uma coluna semanal para falar de espiritualidade. A espiritualidade não se interessa especificamente pelo nosso corpo, não se ocupa dos nossos sentimentos e não valoriza a nossa inteligência.
Então vamos falar de felicidade, tentei resumir para garantir o ibope, é mais ou menos a mesma coisa, essa palavrinha banal que usamos muito no dia-a-dia mas poucos conseguem conceituar. Pode ser um começo.
Quando nosso corpo ou nossas finanças vão mal nós ficamos infelizes, não tem jeito. O mundo físico é o que abriga o animal que somos e nossa primeira preocupação é garantir a sobrevivência: alimento e toca. Sem cama e mesa garantidos não conseguimos pensar em mais nada.
Mas o homem não quer só comida: junto com diversão e arte quer também amor, precisa nutrir o seu mundo emocional.
Como somos sofisticados, desejamos ainda algo mais do que comida e emoções - afinal, somos seres que pensam. Então, somos também políticos, precisamos de justiça, pessoal e social, e queremos viver debaixo de regras aceitáveis.
Teorias consistentes, todas elas verdadeiras, tentam explicar os desejos que nos movem mas nenhuma delas é capaz de, sozinha, desenhar o mapa da nossa felicidade. Somos o homo sapiens, o homem capaz de sabedoria, descendente direto do casal primordial e com a missão bíblica de "dominar sobre todos os seres da terra".
Para Marx, é preciso comer para depois poder desejar, pensar e agir. Na base da história estão as relações econômicas de cada grupo. Para Freud, o desejo sexual, a libido, é o motor de toda a atividade humana, a força geradora da manifestação artística, científica e social. Adler, discípulo de Freud, identifica como papel preponderante no desenvolvimento humano a vontade-de-poder, já que o poder implanta a lei. Como correr atrás da nossa felicidade: privilegiando o corpo, a emoção ou a inteligência?
A experiência clínica de Jung levou-o à descoberta de um plano mais sutil ainda do que o plano da mente: o homo religiosus junguiano tem origem numa camada mais arcaica do que o homo sexualis de Freud ou o homo oeconomicus de Marx. Este arquétipo, central e totalizador, foi chamado de "self".
Os quatro elementos alquímicos estão simbolizados em teorias consistentes que procuram explicar o impulso gerador da ação humana. Não são teorias excludentes, são complementares. Todos os seres experimentam, em maior ou menor grau, estas pulsões primordiais e outras já descobertas ou por descobrir.

O desejo de se religar à fonte original, fundamento do homem religioso, gera um “descontentamento divino" que nem o corpo, nem a emoção, nem o poder podem aplacar. É a experiência de "estados de ser cada vez mais perigosos", como diria Artaud. É uma inquietude à espera de um chamado.
Chamado é vocação.
Uns afirmam que o chamado tem origem divina. Outros dizem que somos apenas nós - afastados de nós mesmos -, chamando para o "religare". O que quer que este chamado seja, seguir a nossa "vocação" é sempre um ato espiritual e religioso. Ainda que praticado por ateus.
* * *
Agradecendo o espaço no Epinion, a Esquizotérica estará aqui todas as semanas - meio esquisita, às vezes esquizóide - abordando assuntos que interessam a poucos. Uma coluna que não dará receitas de beleza, não dissertará sobre as 537 maneiras de seduzir um parceiro nem aumentará o seu coeficiente intelectual. Pretende ser, apenas, um espaço de debate e troca para quem está interessado em entender e atender às suas vocações.

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