Da série “novas diretrizes em tempos bicudos”:

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Sou pirata até que a maré mude.


Eu tinha pruridos de comprar cd pirata. Mas com o mau estado atual da minha conta bancária, resolvi proceder uma pequena distribuição de renda, uma reforma agrária no campo da minha própria pessoa. Ou seja: Diante da mendicância musical em que a dureza estava me confinando, resolvi aderir à pirataria sem culpa, salvando apenas aqueles artistas que sejam mais pobres do que eu ( acho que nesse grupo só ficaram o Daminhão Experiença e uns poucos malucos meus amigos, aos quais já encomendei meus originais autografados). Eu tenho certeza que não estou tirando leitinho da boca do bebê da Maria Rita, e também aposto que o Caetano Veloso não vai ter que vender a cobertura da Vieira Souto por causa disso. Ah, e o dono da EMI, tadinho? Será que vai ficar pendurado na prestação do avião?
O pirateiro meu amigo é um carinha bacana, ralador, tá se virando como pode. Faz um trabalho limpinho, som perfeito, põe capinha colorida, transporta, vende, foge do rapa e ainda consegue cobrar míseros R$ 5,00 por um produto muito similar ao original, que não sai por menos de 30. Pô, tem alguém ganhando muito nisso, e não é a cultura.
A indústria fonográfica que se coce pra praticar preços competitivos. Se o original custasse R$ 7,00, eu pagava, mesmo sendo um pouco mais caro, pelo prazer de remunerar o artista, e pelo luxo de um encarte com as letras. Quase ninguém faz xerox de livro hoje em dia, porque sai quase o mesmo preço e fica feio. Então é sinal de que as editoras correm mais atrás de seu prejuízo. Mas convenhamos que, na música, a diferença é gritante. E olha que a indústria compra matéria-prima no atacado, prensa em série e nem paga tão bem assim os músicos e técnicos. Tem pirata grande aí nessa rede, tubarão branco comendo nosso tutu.
Então agora eu sou a Robin Hood dos trópicos, uma desobediente civil na legítima defesa da musicalidade nacional: contra os preços abusivos, pirataria já!
A minha vida e a do meu pirateiro vão cada vez melhor, quem canta seus 7 mares espanta.

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

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