Sincronicidade

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Eu acredito em Sincronicidade. É uma teoria do Jung (Carl G. Jung, psiquiatra suíço, 1875 – 1961) que sugere que todos os eventos que acontecem em um mesmo tempo estão interligados, ou seja, existe uma ordem oculta no caos que não pode ser inteiramente apreendida mas que está contida por completo em cada menor parte do todo. Como um código genético do momento, presente em cada diferente célula. Então, quem tem olhos de ver pode enxergar ou, ao menos, ter um vislumbre do todo em cada evento isolado.

A sincronicidade é, na minha opinião, o melhor fundamento para a eficácia dos oráculos: são células do organismo em que a expressão do código genético é mais acessível, porque já foi mapeada e descrita pelo projeto genoma da experiência humana – os sistemas simbólicos.

Mas na verdade me parece que a vida é o grande oráculo, a ordem dos fatos, a escrita do dia-a-dia. Os nunca-por-acasos. Os encontros, ou não. Às vezes os silêncios também podem ser muito eloqüentes.

Eu tenho essa mania de ler a vida, ver em tudo um significado. Em Psicologia isso se chama “pensamento mágico” e é um sintoma patológico presente nos obsessivos, nos paranóicos e nos esquizofrênicos. Ainda não decidi o meu diagnóstico. Enquanto isso, minha camisa-de-força virou estopa e eu ando por aí à solta, dando um sentido íntimo às nuvens do céu, às palavras entreouvidas a esmo, à soma dos números das placas e dos bilhetes, à disposição das marias-sem-vergonha no canteiro do jardim.

Com pensamento mágico, a minha vida fica mais divertida. A vida não é um jogo – um “role-playing game”? Deus não joga dados? Ah, a ciência diz que não.
Mas esse Einstein tem mais cara de maluco do que eu.

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Sobre este post

Esta página contém um único post de Christiana Nóvoa publicado em September 14, 2004 12:24 PM.

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