A caixa de comentários do post abaixo está um sarau de bambas. Eu recomendo.
April 2005 Archives
Não se engane
Com meus versos
Não estou aí
Pra ser lida
Ninguém se escreve
Não sou quem digo
Não digo ao que venho
Onde vou
Invento tudo
Minto à vera
Penso que merda e grito
Quimera
Pra ver se acredito
Não penso tão bonito
Quanto falo
(em falos penso, confesso)
Escrita é jogo
Distração
Eu não
Eu de verdade
Estou aqui
Em mim
Agora
Metáfora até que é bom
Mas meu buraco
É mais por dentro
E se você
Ainda tá aí
Levando a sério
A minha estória
Meu amor
Leva a mal não
'cê tá por fora!
Meu irmão mandou-me este e-mail, a respeito do comentário da Clarice no post abaixo, elogiando sua escrita. Eu, irmã-coruja que sou (e com razão, como vocês hão de notar), não poderia deixar de publicar a missiva. Com vocês o literato, musical, advocatício e aeróbico Dr. Claudio:
(Por Claudio Nóvoa cgnsc@hotmail.com )
Querida Irmã :
Acabo de ler o comentário da leitora, ela foi muito legal, acredito que você já a conheça. Pode ser que eu tenha passado uma falsa impressão de modéstia, como quem escamoteia seus talentos na intenção de conquistar elogios, mas isso não é verdade. Eu não me acho realmente um escritor, embora seja às vezes assaltado por essa vontade. O que aconteceu comigo foi apenas treino, e estar inserido num ambiente que estimulou essa capacidade. É como alguém que nasce numa família de músicos, ou pintores, ou trapezistas, ou bailarinos. Certamente esse alguém, ainda que não siga o caminho dos outros artistas da família, irá revelar uma intimidade, uma familiaridade com aquela forma de expressão. Mas você, no seu íntimo, sabe que você não é tão bom naquilo quanto os outros, embora possa ter ocasionalmente seus momentos de brilho. Ter nascido numa família de leitores vorazes e compulsivos, capazes de devorar avidamente todo tipo de tema facilitou muito as coisas, afinal os livros estavam ali mesmo, era só estender a mão. E quando, eventualmente, você resolve se expressar, todo aquele conteúdo acumulado se evidencia, fazendo parecer às pessoas que você é talentoso, sem que, de fato, o seja. Por outro lado, quando um determinado talento emerge num ambiente que não lhe seja propício e, ainda assim, teima em se manifestar, é sinal de que estamos diante de uma inclinação verdadeira, e aí, para explicar, bem..., você acredita em vidas passadas ? Mas também aí, nesse caso, o talento que emergiu vai estar submetido ao ambiente que o circunda. Você pode nascer com um puta talento musical, mas se você não encontra ninguém para cantar com você, tocar com você, ouvir o que você compôs, enfim, se ninguém reconhece esse talento e nem te valoriza por causa dele, você também encontrará dificuldades em expressá-lo. E pode até acontecer que, ao longo da vida, aquele talento permaneça em você em estado de latência, sem ter a ocasião de se desenvolver e se manifestar. Por isso, o ideal é que os dois componentes da fórmula talento+oportunidade estejam mais ou menos equilibrados a fim de permitir a livre expressão do artista. Eu acho que essa página abriu para você esse canal, que vai mostrar ao mundo a artista que você sempre foi, e permitir que você se desenvolva ainda mais. Quanto a mim, ficarei feliz em contribuir com meus comentários e, ao contrário do que possa ter parecido, não desejo me fazer de modesto para ganhar elogios, mas apenas me divertir um pouco e instigar algumas polêmicas divertidas, mas sempre me deliciando com seus textos e suas idéias malucas.
P.S. Sabe se tem alguém por aí interessado em formar uma banda ?
Pai, afasta de mim este cálice, ainda que Bento. Desta vinha, até prova em contrário, não beberei. Se a fé está em dizer não: Não, Senhor, agradeço mas estou servida.
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Tá, vamos falar de amor. Eu nunca quis falar de outra coisa, mesmo. A vida é que mudou de assunto, fez parágrafo.
Tudo bem, pode ser que eu tenha tido a intenção de mudar de linha, evitar a onipresente temática mas, como eu ia dizendo, não tem jeito: a roda gira e eu volto sempre ao mesmo ponto. O eterno retorno sobre mim mesma, e é sempre o tal do amor que eu busco: *** O *** encontro, aquele alguém que me faça acreditar que o outro existe. Que vive, respira, pensa e sente tanto quanto eu e, portanto, eu não estou aprisionada irremediavelmente em mim.
Mas vou confessar aqui uma coisinha, entre essas 4 paredes do monitor: eu tenho um pouco de medo dessa perdição também, desse ópio de ser feliz no amor. Já pensou? Feliz, felicíssima, o encaixe perfeito e absoluto!
E aí??? Vai ser o idílio para sempre? Ainda que fosse possível, o que seria realmente lindo, eu temo que ficasse muda, que não quisesse mais escrever uma linha, logo agora que eu estreei meu sitiozinho
Falar o que, amando? Hum hã ahhh e outros murmúrios menos publicáveis? A doce e tacanha linguagem dos amantes tem pouquíssimo valor literário. Chega no máximo a umas imagens românticas de gosto duvidoso, uns diminutivozinhos, uns rasgos de pornografia e outras bobagens iletradas. A felicidade emburrece, e com toda razão. Pra que pensar quando se está feliz? Melhor viver, aproveitar.
Só que eu gosto de escrever também, então fico dividida. Acho que é por isso que eu arrumo uns amores difíceis, quando não totalmente impossíveis. Talvez por isso, até hoje eu não fui capaz de ser totalmente feliz com os amores possíveis.
Acho que, pra aceitar ficar tão burrinha, eu cobro um valor muito alto do amor. Não em demonstrações formais de afeto, neuras de fidelidade e outras pequenezas que empobrecem qualquer romance mas em ..."acontecência": tem que estar acontecendo algo grande, de uma intensidade transformadora. Senão a barganha não me interessa, prefiro ficar comigo mesma, distraída
admirando como pode ser rica a minha solidão.
Não sou infeliz assim, eu juro, nem mesmo amarga ou desiludida. Sou feliz, ou quase, quase o tempo todo, o que não é pouco, ao menos para mim.
Lembrei de um poema da Florbela Espanca que termina assim: Um homem?
quando eu sonho o amor de um Deus!
Exigente, a moça, né? Por certo, devia preferir fazer poemas a encarar um amorzinho medíocre com qualquer zé-mané. Longe de mim querer comparar meus poemitchos aos da portuguesa mas devo ser tão presunçosa quanto ela.
Só tem um problema nessa auto-suficiência narcísica. É que a vida costuma ser surpreendente e ninguém está totalmente garantido contra as flechadas de Cupido.
E se uma hora dessas, sem aviso prévio, o amor pagar pra ver e se apresentar, divino e maravilhoso, à minha frente?
Bom, gente boa, aí eu fico burra na hora, fecho este sítio e vou ser feliz da minha vida.
Pelo menos até o despertador tocar e eu cair da cama.
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Mme. Nóvoa está com preguiça de postar, de modo que estou tendo que cumprir "dupla jornada" pra isso aqui não cair no marasmo. Mas não sou boa em comentar os fatos do momento e nem encontro ânimo pra dissecar criticamente o noticiário da semana . Tampouco sei discutir religião, política ou futebol. Na falta de coisa melhor pra dizer sobre tais temas, contribuo humildemente com 3 anagramas rápidos e, quiçá, oportunos.
católico il caótco
Romero Jucá core, marujo
argentino ignorante*
* (reconheço que é horrível, além de totalmente paradoxal, incorrer no preconceito que queremos denunciar. Não pude perder a piada mas devo esclarecer que acho os argentinos até muito cultos. Pero, a veces, hablan mierda!)
Infâmia inspirada por minha irmã Patrícia, a mais tímida das Nóvoas (mas não menos "helênica", como diria o Pinto).
Chegada a hermetismos cabalísticos, ela acaba de terminar sua monografia: Anagramas - A "Ars Magna", tese interessantíssima que, somada à minha natural tendência ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo, lançou-me sem novelo num labirinto vocabular de intermináveis jogos. Após entregar-me por semanas a anagramas de toda espécie, dediquei-me furiosamente, por muitos dias, aos doublets de Lewis Carroll, passei pelos acrósticos e caí por fim nos palíndromos, que me consumiram toda uma noite.
O bizarro resultado desta última experiência segue abaixo para vossa distração, se for o caso. Está capenga e esquisitinho mas foi o melhor que consegui fazer.
Consta que o Chico Buarque também andou flertando com passatempos lingüísticos em noites insones e o palíndromo dele , aliás, também ficou meio esquisito. Além disso, ele fez uma versão anagramática da belíssima letra de Vitrines. Distrações de quem faz samba e amor até mais tarde ultimamente, mais samba que amor, tanto eu quanto o Chico, ao que parece e sente muuuuuuito sono de manhã
OROBORO (*)
Arara rara
Ave vã
Amarga na grama
Roda dor
Aérea
Sobre bossas soberbos
Ai é dor amor aroma rodeia
Ave leva
Assim à missa
A reza zera
A vida dádiva
Mostra luz azul art som
Eu! ué
O solo só
Eco você
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Assistimos, nos últimos dias, a um curioso fenômeno de massas - milhões de pessoas acorrendo ao Vaticano para ver o corpo do Papa. Nem todas são católicas fervorosas, poucas se importavam com a saúde do Papa há um mês e pouquíssimas saberiam dizer por que admiram o Papa. Mas estão lá, de sacos de dormir e mochila, enfrentando filas quilométricas e espremidas em multidão que dá medo. O desconforto é grande e o risco é real: ninguém controlaria um estouro desta boiada.
O que leva estas pessoas a saírem de suas casas para participar de um velório de quem não conheciam e que também não as conhecia é uma necessidade pouco estudada e pouco compreendida em tempos de globalização: a necessidade de "pertencer".
O "pertencimento" é dos poucos estados emocionais que rompe a barreira do individualismo: quem pertence - a uma causa, um time, um partido, uma família ou a uma grande multidão - sai da solidão do próprio "eu" e experimenta o compartilhamento do "nós", do coletivo. Experimenta uma forma de amor.
As pessoas que foram ao funeral do Papa (e choraram, sinceramente), como quem foi ao funeral do Getúlio, da Carmen Miranda, do Tancredo e de tantos outros que mobilizaram grandes massas, corriam atrás de um estado emocional que raramente pode ser descrito. É o que dizem os entrevistados, depois de desfilar por sua Escola, na Sapucaí: - É emoção demais; indescritível.
Os gregos chamavam de "ágape" a este grau indescritível da "participação mística". Poucas causas e poucos eventos nos proporcionam o encontro com "ágape"; quando os farejamos, corremos para eles, enlouquecidos. O ágape nos pede sacrifícios materiais, aferíveis, e só nos remunera com um vago e raro sentimento: por alguns momentos, rompemos a barreira do "eu" individual e participamos de "algo" maior do que nós. É a experiência mística - a experiência de Deus -, a iluminação possível aos humanos, imersos nas trevas.
Quando voltar para suas casas e suas vidas, aquela multidão já não pensará muito nas orientações de João Paulo II e, certamente, não as seguirá ao pé da letra: a adesão ao velho Papa não é tão grande. Mas, os momentos de êxtase vividos em Roma serão inesquecíveis.
É um fenômeno dos nossos tempos, em que os costumes (ou a mídia) desqualificaram esta forma de amor, limitando-o a um bom encontro sexual, mas ela permanece lá, adormecida, esperando o próximo evento que reúna grandes massas, ou um grande jogo, ou um grande "show", ou outro grande funeral para proporcionar a experiência transcendente do encontro da parte com o todo. Um estado de felicidade inalienável - não sujeita às vicissitudes da existência - que sempre foi a meta da jornada mística em busca de Deus.
* * *
As Sandálias do Pescador é um romance, escrito por Morris West na década de 1960. Conta as ardilosas maquinações que se sucedem à morte de um Papa e a improvável eleição de um Cardeal não italiano e oriundo de país comunista para o Trono de Pedro. No livro, o novo Papa não se chama Karol mas Kiril - Morris West chegou perto, com 15 anos de antecedência. Parece que escritores e poetas acabam vaticinando, mesmo sem querer.
E lembrei deste romance quando vi o corpo de João Paulo em mocassins calçado.
Não sou da época do bom e velho velório em casa, meus mortos já morreram em hospitais, a Santa Casa se encarrega de todos os procedimentos e a família mal cuida do corpo defunto.
Mas não esqueço a minha mãe lembrando que não se enterra ninguém de sapatos e parece que a Santa Casa segue o costume: veste, coloca no caixão, cobre de flores mas não calça.
Não sei de onde vem esta tradição, é possível que seja muito arcaica. Quando Moisés se apresenta diante de Deus ouve uma voz que diz: "Tira as sandálias, o solo em que pisas é sagrado". Talvez não se deva chegar com os pés cobertos à presença do Senhor.
O mocassim do Papa me causou certa estranheza.
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Eu não tenho varizes, benza Deus. Tenho variz, uma só. Na batata da perna esquerda. Não é das gordas não, aquelas estufadas, é só escurinha, a pobre. Desde que me entendo por gente estava lá e, na minha fantasiosa infância, era a prova inconteste de que meu sangue era azul. Hoje, comprova que eu continuo nobilíssima.
Minha mãe diz que eu tenho mania de falar mal da minha aparência nos textos, que ela me fez tão bonitinha e eu fico detonando sua obra publicamente. Então vou dar uma salvada e dizer que também me acho bonitinha e não tenho do que me queixar quanto às pernas que ostento. Tirando a variz, evidentemente. Mas ainda encaro a minissaia sem crise estética. Meias kendall, só usei na gravidez. Não gosto de meia-calça, que o cós sempre marca a cintura da roupa. E esquenta demais, né? Em lugares frios ou no auge do inverno carioca (cerca de uma hora por ano) ainda vá lá mas, convenhamos, a glória de ser mulher no Rio de Janeiro é poder usar uma sainha no verão. Liberdade para o pernil. Desse prazer, a variz ainda não me privou .
Mérito de minha mãe, que me passou seu gene de perna de bailarina, ela que nunca se curvou aos exercícios de espécie alguma, sequer a um demi-pliê. Nasceu feita. Com uma variz na perna esquerda, que perfeito ninguém é nesse mundo (aliás, isso me lembra um conto que publiquei pela primeira vez no Epinion).
Talvez eu tenha algum mérito também, que suei o collant em anos de aulinhas exaustivas de ballet, na infância. Até hoje, como boa cabrita, ainda gosto de desafiar a gravidade e exijo um bocado do esqueleto: só me desloco aos pulos, prefiro escadas a elevadores e ando a pé pra cima e pra baixo pelas ladeiras do Horto. Não tenho mais minhas sapatilhas nem meu tutu mas a panturrilha continua firme e forte. Assim como a variz.
De tudo o que muda na vida, algo sempre permanece. Um patrimônio intrínseco, inalienável, somatório de conquistas pessoais e relíquias de família. Um tanto de boa forma, de saúde adquirida a duras penas mas, no fundo, dom ancestral. Também alguma inescapável mazela hereditária.
Por fim, o que resta mesmo é a força que faz subir. E uma veia azul exposta, variz solitária na batata da perna esquerda.
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Vocês lembram do gato que subiu no telhado?
Pois é. Mais de 4 meses após o triste incidente, o bichano foi encontrado, vivíssimo, numa rua das imediações. Para felicidade do meu amigo querido, que jamais perdeu as esperanças. E para meu eterno alívio.
Obs 1 : O nome do gato é Osíris, Deus egípcio associado à morte e ao renascimento. Mais apropriado, impossível.
Obs 2 : O meu amigo não é um gato?
Tenho em boa conta meu hemisfério cerebral esquerdo; construo direitinho uns silogismos quando quero argumentar; sempre me dei bem em testes de QI mas nunca assisti palestra ou conferência de filósofos: acho-as chatas, de antemão.
Penso na platéia silenciosa e reverente e me imagino espirrando, penso que o ar refrigerado pode pifar, penso - principalmente - em passar duas horas sem fumar e acho que é mais negócio comprar o livro do filósofo (o filósofo sempre documenta o que pensa, para a posteridade; só Sócrates sabia que nada sabia). Ou lê-lo, aos sábados, no jornal. Grandes jornais não nos dão só notícias, diversão e arte - também nos dão filosofia, quase sempre aos sábados.
Mas não chego a reler os livros que andei comprando nos últimos tempos e não recorto - há muitos anos - qualquer artigo que um filósofo de pulso tenha escrito. Ando descrente da Filosofia e dos filósofos, aliás, comecei a achá-los um pouco pálidos e muito repetitivos.
Não sou, pois, uma buscadora convicta da sabedoria. Volto para os gregos - aqueles livrinhos ensebados das estantes - e estou me distanciando das especulações filosóficas do meu tempo, alheia aos cursos, palestras e conferências que poderiam me atualizar; e os convites bem que chegam, tem sempre uma alma amiga que tenta botar pilha: - A Mente Magna vai falar hoje no Espaço Total sobre O Poder Transformador do Olhar Lúcido. Vamos? - Não vou. Penso nas duas horas sem fumar e fico em casa. Penso também nas caras pálidas.
Mas confesso que me amarro num vidente.
Quando ouvi falar de Dona Petúnia - "ela fala pouco, só 15 minutos, mas diz tudo!" - já fui anotando o endereço, pensando em compactar a agenda para tirar uma tarde livre e nem aventei a hipótese de possível palidez.
Assim, na última tarde útil da semana, driblei horários e compromissos e segui para Nilópolis com amiga tão pouco filosófica quanto eu.
A amiga tem mente lógica e estudiosa, é respeitada cirurgiã e corta e costura com a maior competência qualquer problema grave que lhe apareça. Mas também anda meio cansada da inteligência e não busca mais a sabedoria, corre atrás do fenômeno - ou da Dona Petúnia - que talvez possa explicar melhor os mistérios que paralisam a Ciência e que a gente, bolas, quer entender antes de morrer.
Nilópolis é longe para quem mora onde moramos, é reduto da Beija-Flor e não somos chegadas nem em Filosofia nem em Escolas de Samba. Arranjamos um mapa (que nenhuma das duas sabia decifar muito bem) e lá fomos nós. - De carro, em 40 minutos vocês chegam - asseverou a minha faxineira. Levamos mais de 2 horas. As indicações fornecidas pelos pedestres abordados, como costuma acontecer, só nos faziam andar em círculos: "Nilópolis é fácil. Vai reto até encontrar o Bar do Mateus. Aí, vira às direita (gestos enfáticos com a esquerda). Primeiro vai subir, depois descer, não desce até o fim, vira como quem vai pra Anchieta mas não entra em Anchieta, segue em frente que vocês vão dar direto em São João de Meriti". Sim; e Nilópolis?
As idiotas levaram três vezes o tempo que levariam se tivessem um pouco mais de orientação espacial, um dos requisitos para aferir a inteligência. E, na volta, não lograram diminuir o tempo do percurso: quem disse que um caminho iniciático é mais fácil quando o percorremos pela segunda vez?
A duras penas, chegamos à Dona Petúnia. Que é coradinha, como as pessoas normais devem ser, e nunca ouviu falar em Filosofia.
Mas, gente, Dona Petúnia diz TUDO!!!
