July 2005 Archives

?espera

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rota_.jpgA espera
Pendura
Posterga
Embroma
Engrupe
Engana
Engambela

A espera
Faz hora
Demora
Catimba
Cabula
Lê Caras
Lê bularotainvert.jpg

A espera
Não faz
Procrastina
Não sabe
Imagina
Não fala
Pondera

A espera
É pra agora
É urgente
É frustrada
É ausente
É buraco
É craterarotainvert.jpg

A espera
Me onera
Me cansa
Me enfara
Me entoja
Me arroja
Me gera

A espera
É esperta
É perfeita
Me esconde
Me enfeita
Me escapa
Revelarota_.jpg

A espera
Me alcança
Me firma
Na rota
Me gira
Na dança
Da esfera


..

Torpedo

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missil.jpgNão quero ser agressiva mas tá difícil
Sai da frente que o meu míssil não tem freio
E eu tô bem pra lá do meio da contagem regressiva

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Sua hist?

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3W2SZ-smaller-N07842-26.jpgEsta é a sua história. Por isso o espanto, logo no início: “Como assim, a minha história?”.
Mas foi aí mesmo no espanto que ela começou.

Você não devia duvidar de que eu fosse capaz de contar a sua história. Não são sempre os outros que contam nossa história? Só um estranho pode saber como sua história termina.

Você pode pensar “Como ela vai saber?” mas é assim mesmo, ninguém acredita, num primeiro momento, que sua própria história venha a ser contada de um ponto-de-vista tão bizarro. No entanto, lhe asseguro, foi você quem escolheu isso, ao começar a ler, aqui, este relato. Mas agora você não tem mais escolha, porque eu já comecei. Você pode fechar os olhos e mudar de assunto mas sempre saberá que a sua história está aqui, lhe esperando, e sempre terá uma vontade horrível de saber como ela vai terminar. Portanto, continuemos.

Você também não sabe como ela começa, embora estivesse lá, mas é como se não estivesse, não é mesmo? Então vou lhe refrescar a memória: era bom antes, muito melhor que depois, quando começou a doer. Mas você quis, você desejou expressamente o soco no peito, esse tambor infernal que nunca mais abandonou seu corpo. Não me culpe por lhe recordar este incômodo fato, agora você pulsa e é refém dessa percussão mas foi você mesmo quem começou tudo isso.
E aí você quis mais, você desejou a luz. Só não previu que junto da luz viria o corte e, com ele, o susto. E o horror de perceber que, a partir de então, era preciso se assustar constantemente, enchendo e esvaziando o fole para manter o pulso, esse tirano.

Depois do susto veio a fome. A insuportável dor da falta, e com ela a raiva. Não tente negar a raiva, eu estava lá e atesto, pela expressão desesperada do seu choro, que você odiou a vida então, apenas porque ela não era plena. Você odiou sua mãe, porque não alimentava mais seu umbigo e fez você descobrir que tinha boca, esse grande buraco. E você escancarou o seu buraco sem o menor pudor naquele dia, que eu vi.

Agora que você sabe que eu conheço suas vergonhas mais antigas, talvez já acredite em mim. Ou talvez ainda espere que eu lhe dê mais provas, e eu poderia desfiar aqui cada um dos seus dias mas, no fundo, o que você quer mesmo saber é aquele, nem tão distante, que vai dar sentido a essa história toda.
Você quer saber as circunstâncias mas isso talvez não lhe diga, nem a hora exata, porque você não pode evitar o fato. Mas chegando lá, vai ver que estarei a seu lado, anotando minuciosamente, para a posteridade, com quanto despudor você há de abrir a boca. E aí você vai acreditar, finalmente, em minhas palavras, que atravessaram o tempo e já viram tudo isso. Por isso o espanto quando chegar a hora.

Porque é mesmo no espanto que há de terminar sua história: com a boca aberta num grande buraco, eu a seu lado, vendo tudo, e um simples ponto final.

(depois do quê tudo muda completamente de figura, mas aí já é outra história)

Revisando Anexins

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(minhas versões pessoais para alguns provérbios conhecidos)
safar_klaun_mickem_na_nose.jpg
Mais valem dois pássaros voando
do que um ficar na mão

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Antes sol
do que mal e acompanhada

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Deus acuda
quem cedo madruga!

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Promessa é dúvida.

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Ri por último,
que eu rio melhor.

AS SAGRADAS FAMˇIAS

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family.jpgQuando Pero Vaz de Caminha informou a D. Manoel que “a terra é de tal modo graciosa que, em se plantando, tudo nela dá”, aproveitou o ensejo e pediu ao Venturoso um emprego para o genro.

Plantou-se e deu, dizem as más línguas, o nepotismo no lado de cá. Não é verdade, sempre floresceu em todas as latitudes.

Nosso rigor republicano, gerado pelos enciclopedistas, exige um Robespierre de cada cidadão que se dá bem. Tolice. As capitanias sempre foram hereditárias e as monarquias ainda hoje se mantêm sem nos tirar o sono. Consideramos alguns regimes monárquicos bastante democráticos e até aceitáveis as despesas que Charles e Dianas, Juans e Sophias, Graces e Carolines deram e darão aos seus países. A mídia sempre destacou a elegância de seus gestos, roupas e atitudes; raramente questionou a legitimidade dos seus gastos.

A tradição cabalística ensina que se pode ascender por duas vias: o caminho da graça ou o caminho do esforço. Mas, ironicamente, afirma que os dois caminhos se unem num caminho do meio, mais direto, que conjuga os outros dois. Ou seja, aquele que é ungido pela graça mas também se esforça, caminha mais rapidamente. Ou vice-versa.

Os que são filhos, genros, irmãos ou cônjuges dos esforçados sempre fizeram um caminho mais rápido. Ou, talvez, fizeram um caminho que nem fariam se não fosse o parentesco a lhes facilitar as escolhas. Se não houvesse esta teia indiscernível (Destino? Esforço? Como sabê-lo?) não teríamos Evitas e Isabelitas; Hillarys e Rosinhas; John, Bob e Ted. Nem Amaral Peixoto e Moreira Franco (o genro e o genro do genro), nem Sarney e Roseana, nem Tancredo e Aécio, nem César Maia e Rodrigo, nem ACM e seu neto, que não lembro o nome mas é a cara do pai que por sua vez era filho.

No meio artístico não é diferente. Michael Douglas é filho que Kirk e no-lo (gostaram?) trouxe de volta com a mesma covinha no queixo; Jamie Lee Curtis e Jennifer Jason Leigh são filhas de Tony Curtis e Janet Leigh; o clã dos Barrymore atravessou gerações até chegar ao ET; Liza é filha de Judy, Nana é filha do Caymmi, Leandra é filha da Ângela e Sylvia é filha do Chico.

Nepotismo? Sim e não.

Tchau, 2vore

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gogh108.jpgA primeira pessoa pra quem meu filho deu tchau na vida foi uma árvore: uma mangueira centenária do Jardim Botânico. Claro que ele estava imitando a louca da mãe dele, que todo dia cumprimentava a provecta senhora.
Eu a chamo de Grande Mãe; ela tem um tronco barrigudo e é muito macia de abraçar porque é toda coberta de um musguinho verde aveludado. Parece ser a mais antiga das mangueiras do parque. Assim como o Grande Pai, que fica ao lado dela, cujo tronco é mais retilíneo mas também parece muito velho, cheio de grandes verrugas.
Tem árvores do Jardim que são ilustres, como a Sumaúma do Tom Jobim, a Jaqueira do Frei Leandro, a Palma Mater (em cujo lugar já está uma Palma Filia, quiçá neta)... Mas eu tenho meus afetos mais anônimos: um pau-mulato, o maior de todos (calma gente, é uma árvore!). Aliás, encontrei uma foto do Tom Jobim abraçando-o bem aqui. Fica fora da alameda dos paus-mulatos, meio escondido num mato alto atrás do roseiral. Ok, admito que este lenhoso senhor é altamente sugestivo...
Bom, também temos atrações para crianças, como a mangueira-balanço, que tem um galho que encosta levemente no chão, como se pode ver na foto, e balança (o que só se pode perceber ao vivo), tendo sido usada e abusada por várias gerações desde que eu me entendo por gente, e sempre demonstrando uma paciência ímpar, de que só uma árvore velha é capaz, conjugada a uma flexibilidade de dar inveja a muita moçoila. Tem também a "Cidade dos duendes", uma árvore na beira do Lago, cujas raízes, que emergem da terra como estalagmites, criam uma pequena "aldeia" onde essas criaturinhas se escondem durante o dia, saindo à noite para cantar e dançar à beira d'água (como já expliquei a meu filho, que é muito curioso e quase flagrou uma fadinha distraída). E também tem uma árvore ôca onde mora uma família de gnomos. São muitas as árvores dignas de nota, prometo que um dia faço um inventário completo.
Entre as minhas prediletas, desde pequena, estão os Jambeiros. Primeiro, por razões óbvias: a fartura de seus deliciosos jambos, no verão. Era proibido sair do parque levando as frutas, não que nunca tenhamos levado algumas enfiadas nos bolsos mas, no geral, tínhamos que comê-las ali mesmo. As mais doces eram sempre as bicadas de passarinho, então mordíamos do outro lado.
Mas na floração os jambeiros também ficam lindos e, ao final, deixam no chão um tapete de pétalas de um cor-de-rosa intenso. Além de tudo, no canteiro bem em frente a eles fica a estátua de Xoxipilli, divindade asteca da fertilidade, o Deus das Flores. Alguém sempre enfeita suas mãos com flores, eu mesma já fiz isso várias vezes (mas sempre com flores que encontro pelo chão, em geral dos próprios jambeiros; jamais arrancaria uma flor viva para isso, penso que Xoxipilli ficaria bravo).
Pois bem, há alguns dias, ao passar pela alameda dos jambeiros, tive um choque: os quatro jambeiros que havia ali, mais um que estava um pouco adiante, morreram subitamente. Meu irmão, passando dias depois, viu um deles ser derrubado pelos funcionários, quando soube inclusive, por uma botânica que supervisionava os trabalhos, a idade do indivíduo: 182 anos. No entanto a doença que os vitimou permanece um mistério até para os técnicos. Passando por lá no dia seguinte, vi o velho amigo estendido, inerte, na beira do caminho, já fatiado para remoção. Foi muito triste.

Este ano as crianças não comerão jambos do Jardim Botânico, no verão. Xoxipilli não terá mais flores de um rosa intenso nas mãos. Não posso deixar de pensar que a morte súbita e coletiva dos jambeiros é um sinal preocupante da natureza. As árvores escutam melhor que nós, devíamos prestar-lhes mais atenção: alguma coisa parece fora da ordem.

Tchau, árvores. Que Deus as tenha.


(agradecimentos a meu irmão Claudio que, além de testemunha ocular do óbito, é cúmplice na minha dor e ajudou a achar alguns links para este post)

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lozenge_scr.jpg


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ACONTE-CIMENTO
CONCRETA
A POESIA


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Eu n?fui mas meu Pai foi

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foto: Celso Carneiro
FLIPapi.jpg

Este aí estirado é o Pápi, exausto após percorrer os intermináveis estandes da FLIP, assistir a todas as palestras, tomar todas as pingas e esperar uma eternidade num restaurante por um prato que não veio nunca. Por isso que ele tá assim magrelinho, perdeu até sua sancho-pança. Mas o Pápi é guerreiro, disse que ano que vem tem mais!

O Grito

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terrorlonddetalhe.jpgscreamdetalhe.jpg


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Recorda?s para n?deixar de perder um Mega-Evento

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woodstockticket.jpg

A FLIP é apenas mais uma marca em minha extensa lista de eventos imperdíveis perdidos. Sou muito boa nisso, até porque eu comecei cedo; desde criancinha já praticava o esporte: por exemplo, sendo carioca, nunca fui ao Maracanã em dia de decisão. Aliás, nunca fui lá em dia nenhum, nem na chegada do Papai Noel de helicóptero, nem em Show do Roberto Carlos, nem na missa do Papa. Ao Maracanãzinho fui algumas vezes porque, na adolescência, minha índole vacilou e afrouxei meus propósitos isolacionistas. Eu nem devia contar isso pra vocês, devia fingir que esqueci e mudar de assunto, mas eu fui ao Maracanãzinho ver o Peter Frampton. Adolescência. Foi também aí nessa fase dourada, na aurora da minha vida, que eu abri a maior exceção de todos os tempos: meninos, EU FUI ao Rock in Rio!
O primeiro e original, aquele da musiquinha "se a vida começasse agora...". Afinal eu era uma garota que amava os Beatles e os Rolling Stones e sofria, como boa parte da minha geração, da "Síndrome da Inveja de Woodstock". Por tudo isso eu acampei no lamaçal da Barra da Tijuca e testemunhei este momento histórico. Lembro até hoje, ah, se lembro.

O Terror

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Eu queria dizer alguma coisa sobre os atentados em Londres mas ainda não pensei nada útil. O terror me deixa sem palavras.
Lembrei da música de Mautner e Caetano e do quadro do Munch.

scream_lg.jpgHomem Bomba
(Jorge Mautner / Caetano veloso)

Lá vem o homem bomba
Que não tem medo algum
Porque daqui a pouco
Vai virar egun

Mas até lá, mata um, mata dois
Mata mais de um milhão
Não vai deixar sobrar nenhum

Mas eu sou contra essa ideologia da agonia
Sou a favor do investimento
Pra acabar com a pobreza

Sou pelo estudo e o trabalho em harmonia
O amor e o cristo redentor
Poesia na democracia

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A propósito, alguém reparou na semelhança entre o quadro acima e uma foto que saiu nos jornais de hoje? Uma pessoa com o rosto coberto por uma espécie de máscara, com aberturas para os olhos e boca. A posição das mãos, o rosto distorcido com os olhos redondos, tudo. Não consegui o link desta foto, se alguém tiver eu ponho aqui.

Atualização: Consegui a imagem.

Pinga ni mim

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Paraty? Ah, pensa bem, choveu... Previsão de chuva até domingo. Baiano é que sabe das coisas, não falei?
Maricotinha, diga ao povo que fico muitíssimo bem onde estou. Sair de casa, só se for pra ver a chuva ali no Jardim.

Pond-lg.jpgMaricotinha
(Dorival Caymmi)

Se fizer bom tempo amanhã
Eu vou
Mas se por exemplo chover
Não vou
Diga a Maricotinha que eu
Mandei dizer que eu
Não tô
Não tô... não vou
Se fizer bom tempo amanhã
Eu vou
Mas se por exemplo chover
Não vou
Uma chuvinha, redinha, cotinha
Aí... piorou
Nem tô... nem vou
Se fizer bom tempo...


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Impacto profundo

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DINASA.jpgEsta madrugada uma bola de cobre do tamanho de uma poltrona colidiu com um cometa com a delicada intenção de abrir-lhe uma cratera do tamanho de um estádio. Parece que conseguiu.
A todas essas, os EUA aproveitaram o aniversário de sua Independência para fazer um mega-show pirotécnico com cobertura em tempo real.

Belas fotos e tudo mas confesso que achei a estratégia de aproximação um tanto truculenta. Um jeito assim meio Bush de ser, já chega detonando, não deixa pedra sobre pedra. Espero que não tenha sobrado um estilhaço fora de órbita pro nosso lado. jeannienelson.jpgO pessoal da NASA diz que "é pouco provável". O que, no meu entender, significa que é TOTALMENTE POSSÍVEL. Mas tenhamos fé na mira da galera. Afinal, pra que serve tanta sinuca nos intervalos do trabalho? Vamos confiar no taco do Major Nelson!

Quanto ao pedregulho, parecia simpático, que Deus o tenha. Tomara que não more ninguém lá... Aqui na Terra, teve gente que tomou as dores da pobre rocha agredida. Que fique bem claro que, embora eu seja astróloga nas horas vagas, não tive nada a ver com esse processo. Agora, pensando bem, acho que vou reivindicar meu quinhão nessa bufunfa astronômica. Sinto que meu ser cósmico foi profundamente atingido por este bólido. Houve um desalinhamento do meu corpo energético, o que requer soluções urgentes, porque estou indo pra Angra essa semana e quero estar ok no biquíni. Além disso, tem um enorme rombo na minha pessoa física, enquanto jurídica, e eu preciso de uma reparação dessa ordem (das centenas de milhões de dólares!!) para restaurar o equilíbrio vital dos meu chakras, principalmente daquele localizado no meu bolso. Ohm!

FLIP: Eu (acho que) vou

| | Commentários (10)

Paraty 2.jpgSe fizer bom tempo amanhã
Eu vou
Mas se por exemplo chover
Não vou

(Maricotinha - Dorival Caymmi)

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A partir de quarta-feira, dia 6, Paraty vai ferver com a terceira edição de sua Festa Literária. Talvez eu esteja lá, talvez não. Não quero me comprometer aqui com nada porque sempre posso desistir, por preguiça ou outra razão qualquer. Há três anos que eu digo que vou e, na hora H, acabo amarelando. É que eu não gosto muito de eventos populosos, deve ser por causa daquela vez na minha infância em que quase fui pisoteada numa Feira da Providência, quando o bujão de gás de uma barraquinha estourou bem do meu lado e a boiada humana, em fuga, me derrubou. Foram momentos de terror até que minha mãe conseguisse me catar do chão.
Mas meu desânimo tem ainda um motivo extra: estou culpadérrima, me sentindo responsável por pelo menos três das maiores baixas do evento, personas gratíssimas e insubstituíveis em qualquer programação. Tudo porque meu pai mora a cerca de 1 hora do balaco-baco e eu pretendia albergar a galera em sua casa; acontece que ele frustrou meus planos, esgotando a lotação do solar com seus próprios convivas. Admito que a falha foi minha porque eu, pra variar, não organizei nada com antecedência, pelo que peço MIL PERDÕES aos amigos.
Este fato lamentável esvaziou minha empolgação biblio-festeira, mas não quero jogar a toalha. Por enquanto digo que vou, até prova em contrário.
Só pra ver se eu me animo mais um pouco, será que alguém aí vai à FLIP, à off-FLIP, à off-off-FLIP ou outras siglas menos votadas por aquelas bandas? Ou vou ter que tomar a pinga toda sozinha?
Se eu de fato embarcar nessa, e sobreviver, conto depois como foi. Ou não.

Eu passarinho!

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Hoje uma amiga amadíssima, leitora do blog, me ligou de manhã, preocupada porque os meus últimos textos andavam tão tristes. Tive que explicar a ela que posso não corresponder exatamente ao que digo nesta folha. Embora eu tenha lá minhas melancolias, dores antigas e recentes, no geral estou bem, como sempre. Sobrevivo às agruras do dia-a-dia sem maiores seqüelas e pareço mais feliz que meus escritos (pelo menos assim quero crer!). Continuo falando bobagem, rindo muito e ainda consigo encontrar novos motivos para agradecer a louca existência. No que escrevo sou mais derramada, exagero muito, acreditem. Quando as idéias novas não parecem grande coisa, publico poemas antigos, repaginando sentimentos que nem existem mais. Foi precisamente o que fiz ontem, e acabei assustando a amiga. Às vezes crio personagens, minto deslavadamente ou invento coisas, pessoas, memórias, entre uma ou outra verdade. Se sou confessional, por alguma necessidade psíquica, posso me rasgar inteira aqui, depois fechar o computador e sair cantando e dançando, a alma leve. Eu sou um tanto dramática mas sou inconstante demais pra ser depressiva. Quanto às vicissitudes, não que as desconheça, mas procuro vivê-las com desapêgo; não me agarro ao sofrimento. Se algum mal me encontra ou se me magoam (o que nem é raro), faço minhas as palavras de Mario Quintana:

5353.jpgPOEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

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