August 2005 Archives

Rescaldo do Sarau

| | Commentários (30)

vanitas.jpgE não é que o bailarico
Saiu de fato a contento?
Não houve constrangimento
Por parte dos convidados

O nosso amigo Ricardo
Falou sobre CPI
Carecas e deputados
(e a bufunfa cabeluda
que levavam nas cuecas)
Mas não ficou só aí
O argumento dessa festa

Falou-se de borzeguins
Que eu nem sei bem o que seja
Mas que palavra mais linda!

Falou quem nunca verseja
E de repente nos brinda
Com uma quadra de improviso

Teve verso de encomenda
Chegou gente sem aviso
Veio povo da Itália
Da Espanha e dos Isteites

Do Paraná, de Goiânia
Catarina, das Gerais
E de todo canto mais
(notícia boa se espalha!)

E se nos falta juízo
Ou até alguma renda
Não nos faltaram enfeites
Pra abrilhantar o sarau

“Talentos a dar com pau”
Disse o Herbert Farias
Criativa criatura

Gente de alta cultura
Nos chama o Hugo Leal
A quem a musa não falta
Mas mente que escreve mal

Bem como a Dal fingidora
Escritora muito boa
Que chega a fingir que rouba
A poesia do Pessoa

Enquanto o modesto Juca
Martela sua rima rica
De métrica encantadora
E galopante beleza

Verinha da Biblioteca
Esbanjando simpatia
Traz o vinho, põe a mesa
E faz um brinde: tim-tim

A mui talentosa Ligia
(azeitona em nossa empada)
Desfia seu “dom esquivo”
No meio do botequim

Nisso o gourmet Flavio Prada
Fatia um bifinho vivo
Dispara e abala a galáxia

A Daniela Caride
Jura que não é perfeita
Mas aqui, há quem duvide

E a gente se deleita
Com a mâmi Maria Helena
De quem herdei a mania
(dizem que tal mãe, tal filha)
Dos versos em redondilha
Sempre em compasso de sete

Teve também o Almirante
Com seu lírico elogio
E o Pecus fez um versinho
Pra mandar o seu recado

Elenara não é poeta
Mas trouxe verso emprestado
Pra não ficar fora dessa
Jatahy dançou na rima
Mas tem bom humor à beça

Clarice mordeu a fruta
Esquecida na gaveta
(quem tem boca vai à luta!)

João Noronha, engenheiro
Deu uma de repentista
E se arriscou no cordel
Pra se anunciar na pista

O famoso jornalista
E gente-fina Sergio Leo
Fez poema lisonjeiro
De níveas névoas tecido

O impagável Biajoni
Romancista que promete
Também é bom na poética
E fez verso divertido

Todos vencendo a vergonha
E celebrando a vitória
Do humor sobre a auto-crítica
Do save sobre o delete

Por tudo isso agradeço
A vocês que apareceram
E aos que ainda vão chegar

Quanta alegria me deram!
Certas coisas não têm preço
Pro resto, tem Mastercard

.

Convite ao Sarau

| | Commentários (15)

flowerchr.jpgSarau na casa das Nóvoa
É melhor que nas Novaes
Não cansa, não faz calor
E nem tem gente demais

Então faça-me o favor
De pôr seus versos à prova
Que o ingresso pra essa festa
É um mote pra seresta
Uma rima pra esta trova

A hora de nosso evento
Vossa Senhoria escolhe
Quando lhe trouxer o vento
Quando lhe soprar o fole

Só não vale o avarento
Que escuta mas nunca fala
Critica e não manda bala
Se fecha e tranca a gaveta

A este peço licença
Não leia os gracejos nossos
Que eu faço o melhor que posso
Mas também não sou perfeita

Pra falar de algum poeta
Antes ponha o seu na reta
E não me faça a desfeita

Faça sim a gentileza
De pôr de lado o embaraço
E tentar uma proeza
Ou um poema vulgar
Como este que vos fiz

Eu desde já agradeço
Vossa importante presença
Em nosso humilde solar

E pra selar meu apreço
Um beijo e um grande abraço
Atenciosamente,
Chris


(R.S.V.P.)

Tesouros da casa

| | Commentários (56)

goldenta.jpg(Este post ficará no ar durante todo o sarau e será atualizado à medida que forem chegando as contribuições. Deposite seu poema na caixa de comentários e sirva-se à vontade)

P.S. - Inverti a ordem dos poemas. Agora os recém-chegados estão por cima. O sarau está um espetáculo! Agradecidíssima pelas presenças e pelos poemas, repentes, micro-contos e demais inspirações. Beijos a todos.

.

Por Tânia Lima:

Querida amiga Christiana,
Perdoa-me o tardar da hora.
Dizem os com mais sabedoria:
Antes tardar do que ficar fora.

Vim participar dessa festa e,
na verdade, honrou-me o convite.
Trouxe vinho branco geladinho
e uns petiscos pra quem tiver apetite.

Eu?
Contento-me com poesia...
Letras, doçuras, ritmo...
palavras soltas e sensíveis
até de quem acha que não deveria.

Talvez uma letra de música
de poetas consagrados...
em versos e melodias...
hummm....
seriam do meu agrado.

E como é um sarau de respeito,
trouxe também alguns quadros...
telas com pinceladas de amor,
que ao gosto de todos sujeito.

No mais
vou aproveitar a presença
de gente com sensibilidade...
Vou sentar-me aqui e alí
deleitando-me com seus amigos,
que sei, são de qualidade.

Um beijo grande...
abraços apertados...
às donas da casa
e a todos os convidados.

.

Por Ligia Saboya:

PSICANÁLISE & PURPURINA.
A meus Psi Co-Analistas;

Não pretendo a caricatura,
nem o fiel da loucura
e timão;

O hematoma é condão do sonho,
requinte enfadonho,
fel padrão.

Lá quer seja a maré vigente
singro tenazmente por qualquer
milagre;
Pois coragem é cais intermitente,
já que da dor à frente
sequer

Deus sabe.

.

Por Ligia Saboya:

Vi Marte a olho nu!
Para Christiana Poeta Nóvoa

Para todo humano ato palmo a palmo cometido
urge que a ele se ate exato ou sensato sentido;
pois soa a palavra por tímpanos, às vezes, submetidos
a sotaque orquestrado por surtos de adjetivo.

Se a Deus ou ao Diabo se deve lato e stricto quesito,
a penas e adrede duela versus verbo o substantivo;
mas irrequietos provérbios de condão intelectivo
hão de açoitar as sentenças de caráter defectivo.

Sequer não existe pragmática para léxico irreflexivo,
quer seja a prosopopéia a expensas do eruditismo.
Nem cabe à metáfora indulto a verbetes desabridos,
pois não aventa a gramática tratados subversivos.

Por essas e outras me escalpo ante saraus redivivos
e rudemente enfronho meus poemetos em arquivos.
Não há antídoto nem prótese para prolapsos do siso,
profético e egrégio espião que pontualmente cativo.

Quis da rima casta e heráldica, quis de seu líquen detrito.
Quis a linguagem ambidestra para sublime delito.
Quis privar da gala fóbica como mártir concluído.
Quis ser morosa placenta desse mundo, e de outros idos...

Mas desta miragem e soberba fretei o milagre escandido,
e à unha não enfrento o touro, nem fruo o fruto maldito.
Somente me adejo frondosa no silêncio mais altivo
em meio ao remanso ímpar de meus ímpares amigos.

Sob as vésperas do tempo como se lume entretido
aguardo o inato momento em que enfim desguarnecido
rabisque meu corpo poesia de alcance intransitivo
e fragmente-se vasto contra o prisma argüido.

E então vou flanar ao relento de motes sem imperativo,
quiçá como cata-vento de sonhos não concebidos;
E por lampejos de brisa vou cochichar sem pruridos
por teus caracóis o segredo do gesto que acende o infinito...


.

Por Tita Aragón:

Neurônios desencontrados

Tenha cuidado
Onde pisa
Você pode estar andando
No lado errado da vida
Se não puder fazer
Não prometa
Não minta
Não faça
Não alimente
Falsas alegrias
O que tiver de ser
Vai acontecer
Mesmo que de um jeito
Completamente
Diferente
Porque as pessoas
E as coisas
Nunca são
O que parecem
Deixe de lado
O medo
Os bloqueios
Seja honesto
Com você mesmo
Não desdenhe
Não julgue
Não finja
Não se deixe levar
Por águas desconhecidas
O tempo sempre vai dizer
Seja inteiro
Seja leve
Seja sempre
Não dói.

.

Por Cynthia Feitosa:

Pra réponder, s‚il me plaît
É o que ordena a educação
Mas meu verso, e seu pobre pé
Quebrado gritam que não

Como sair da esparrela ?
Pensei, e só achei um meio
De pular fora da panela
Sem fazer um papel muito feio

Serei, como os deputados,
"relativamente" honesta :
Confesso não ter predicados
Pra participar da festa

Mas direi isso rimado
Pois sou ruim, mas não sou besta.

.

Por Dal:

RISO FALSO

Deixei a solidão me levar pelo mar,
Pela mão,
E encontrei tanta gente na rota,
Gente triste,
Gente nua,
Gente rota,
Que, aos poucos, o sorriso esgarçado
Que eu usava no início do jogo
(era um jogo)
Se mostrou estar longe do porto,
Se mostrou estar preso a amarras,
Se mostrou ser bem mais um estrago
Ser tão só um grande rombo na face,
Um escárnio.

.

Por Roman:

Réplica

Dizer “o todo é maior que as partes”
é apenas parte do todo, por assim dizer.
O todo oprime, reduz, produz descartes,
do modo que melhor lhe apetecer.
Onde está o gás dos elementos,
do H e do O depois de água feitos?
Sucumbiu pelo rijo adestramento,
simples rejeito no elemento liquefeito.
O todo ser maior que as partes é um meio engodo:
as partes podem ser e são também,
maior que o continente, que é o todo,
pelo século dos séculos, amém.

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Por Dal:

O POEMA DO FANHO
(O 'OEMA 'O 'ANHO)

'inha 'miga 'hristiana
'u 'dorei 'eu 'arau
'en 'anta 'ente 'acana
E 'ada 'erso 'egal!

'ou 'alar 'rá 'odo 'undo
O 'ue eu acho de 'rasília:
É uma 'orja de 'afados,
De 'achorro, uma 'atilha!

Eu 'enso 'ue 'oda 'essoa
'eja 'olítico ou 'ão
'eve ter a 'alma 'oa
'em CPI, 'assação.

Eu 'inha 'anta 'oesia
'rá 'olocar 'o 'eu 'log
Mas 'ensalão, e 'PI
'ssa 'ente só me 'ode!!!

"ó não 'osto do 'ue 'ejo
No 'osso 'uerido 'rasil
'uita 'aca e 'ouco 'ueijo
'a prá 'uta 'ue 'ariu!

'á 'om, eu 'ão 'alo 'ais
'alavrão, 'ê me 'esculpa
'omo as 'essoas 'ormais
'deio esses 'ilhos da 'uta...

.

Por Ligia Saboya:

Patrícia, Dal, e à dona do Sarau;
feras na inspiração da rima
e na rima da inspiração!
Seus poemas têm sabor e "gosto de quero mais";
voltem à cena, perdurem neste varal:
pois não há noite que decline
nem sol que se subestime
pra versos de convicção!

Parabéns ao trilegal trio legal!

.

Por Flavio Prada:

Hoje comi um bife
Fiquei pensando em você
Não um bife pequeno
Você estava linda
Um bifão

Com bastante fritas
E aquele olhar matreiro
Não estavam encharcadas
Desejo, puro desejo

Sequinhas
Molhada

Arroz também
Você dançava, nua
Tudo bem soltinho
Querendo me amar
Delícia

.

Por Ligia Saboya:

SE ME DEIXAS,

vou embrenhar-me por matos/ e matar cachorro a grito/
pichar muro em desacato/ aos títeres do teu partido/
e alardear inclemente/ que tens aftas/ joanete/
dois pivôs fosforescentes/ e um ronco ímpio e cacete.
E invento que foste parido/ por mal afamada senhora/
e sempre teúdo e mantido/ por bens meus sob tua penhora/
porque são teus sonhos carnudos/ teus beijos irreversíveis/
e que teu corpo desfruto/ como a mais audaz das virgens.
Pois me ata teu dom esquivo/ de me arregaçar alma e ancas/
às vezes num tique dorido/ às vezes em trejeito pilantra/
depois cheiras a manso ranço/ e a combalido capim/
e além, em meu ventre destranço/ teu longilíneo estopim.
Se me deixas, te enveneno/ e embarco pra orgias na Estônia/
ou em gamelas te dreno/ e assim te acocho as vergonhas/
e pela janela atiro/ teu tênis de marca/ e gibis/
e jogo na lata de lixo/ a coleção de vinil.
E deduro pros amigos/ a origem do nosso uísque/
demito a tenaz passadeira/ e armo um disse-não-disse/
mando um fax sem eira nem beira/ e um e-mail ao teu patrão/
e sem dúvidas que o conquisto/ pra meu amante e peão.
Porém se ficas comigo/ te poupo sono e fricção/
e te serei toda ouvidos/ quer seja o fardo credor/
e esqueço de ver novela/ e aprendo crochê e tricô/
e te preparo a vitela/ da amásia do teu trisavô.
Mas se te escafedes me excedo/ mijo fora do penico/
e ao rastro de teus voejos/ gorjeio orgasmos proscritos/
e, enfim, se me deixas, encapelo/ e ao leito vou de borzeguins/
e emplastro em ti como farelo de empada de botequim...


.

Por Daniela Caride:

Não sou perfeita
Não sou maravilhosa
Não sou carinhosa o tempo todo
Nem inteligente o tempo todo

Sou carente sim
E daí?

Sou relutante
Sou de rompantes
Sou de tempestades
Também sou de maldades

Sou de tolices
E babaquices
Sou de chatices também
E de mesmices

E eu sei que você me disse
Mas eu sou de teimosia
Às vezes de apatia
Às vezes sou sombria
Até mesmo fria

Mas também não sou muito chata
Nem muito careta
Não sou de muita birita
Nem de muita manha

Sou estranha sim
Sou estranha

Mas já disse
Não sou perfeita

Sou isso aí que se apresenta
Daniela Caride

Quase sempre sujeita
Quase nunca predicada
Quase nunca satisfeita

.

Por Sergio Leo:

Não são névoas
esgarçadas
por pessoas apressadas
Será neve,
tropical?
Só no shopping,no Natal.
Talvez nuvens
alto astral,
espumas de Carnaval?
São as Nóvoas,
níveas Nóvoas,
com essa nova.
Genial.

.

Por Elenara Iabel:

"aqui tens meu coração
e a chave para abrir;
Não tenho mais o que te dar
nem tu o que me pedir".
Simões Lopes Netto

.

Por Christiane Jatahy:

Esse sarau faz graça
mas tá um pouco confuso
não sei quando é a hora
e muito menos o dia.

Vai ver que a idéia é essa.
Cada um faz um verso
mas só convidam o cara
que acertar a rima.

Ih, dancei!

.

Por Dal:

Dizem que o versejador
Finge tão completamente,
Que finge saber que é dor
A dor que o malandro sente.

Legal! Para ganhar a aposta
Poderei fingir também,
Então, se você não gosta,
Finge que sim, diz amém!

Agora, roubar do Pessoa
Só prá botar no sarau,
É malandragem da boa!
Por favor, não leve a mal...

Eu prometo que me curo,
E tento a regeneração,
Busco a musa no escuro
Dentro do meu coração.

Se eu não achar, paciência!
É bem melhor ficar mudo,
Porque poesia é excelência,
É dor, é paixão, é tudo!

.

Por Herbert Farias:

Eu queria estar por lá
no alcance desse sarau
talentos a dar com pau
garanto ali não faltar

mas por aqui vou ficando
- além do trampo, a distância -
relendo essa venturança
que a Chris postou por encanto

.

Por Vera Araújo:

Um Sarau é benvindo
quando se quer versejar
nesse encontro estou indo
jogando as palavras no ar.

A data pode ser agora
ou a qualquer hora
com todo o respeito
o convite já foi aceito.

Christiana é gente boa
não gosta de ficar à-toa
sacode a poeira do tempo
e recolhe os amigos no vento.

Agradeço a acolhida
nesse caloroso Sarau.
Volto pra roda da vida
minha estimada amiga.

Num afeto vai um beijo
com outro vai um queijo
com uma taça de vinho
vai brinde com carinho.

.

Por Flavio Prada:

Quem ainda, anda
vai à frente,
Deixa de parar,
Despara.
Porém ao correr,
Dispara
E quando diz: paro, pára.
Por isso disparo, bala.

Então quem a bala abala
É alvejado
Pois abalar o disparo
É parar o desabalo,
É incorporar chumbo,
Ser alvo,
Branco,
Límpido e morto,
Inabalável.

.

Por Luiz Biajoni:

"tens aí algum trocado, amigo?"
perguntou o menino sapeca
de rua. "não, tou a perigo!",
respondeu o outro com tudo na cueca!

.

Por Clarice De Marco:

Fruto proibido

Essa gente da cidade
não sabe comer maçã,
perde tempo com a casca
semente e lavação.

Bom mesmo e lá na roça
tira-se a fruta do pé
e sem frescura se come
com casca e poeira até.

.

Por Nelson Moraes:

O meu da reta eu não tiro
Ainda mais pr'esse convite
Mas conheço meu limite
Sei até onde me viro

Meus versos não vão adiante
Nem chegam a vossos pés
Pois não passa aqui do convés
O talento deste almirante

Mas vou além da Taprobana
Para sentar e admirar
O talento da Christiana!

.

Por Hugo Leal:

Christiana, minha querida,
também chamada de Cris,
garota cheia de vida,
sem medo de ser feliz,
fiquei deveras honrado
com tanta consideração
ao me saber convidado
apesar de escrever mal
para dar o meu recado
no que chama de sarau.
Como posso estar à altura
De gente com a cultura
Daquela que vi no blog?
A não ser que monologue
Versejando sem sentido
Não vejo como botar-me
Com o mesmo prumo e rumo.
Poeta fraco, eu assumo
como virtude a fraqueza,
e faço dela, em resumo,
minha força na loucura
do princípio da incerteza,
a mostrar que minha feiúra
Também tem sua beleza...

.

Por Dal:

Depois de ter lido o Juca.
E degustado a Maria Helena,
Só mesmo se for maluca
Prá querer meter a pena!

Eu vou dizer um ditado
E prestem muita atenção
Mais vale um cuecão recheado
Do que qualquer mensalão!

Agora que eu já entrei
Na CPI que desnuda
Toda cabeça de rês,
Seja careca ou peluda,

Só tem um jeito prá mim
Se eu quiser que caiam fora:
É só cortar o capim
Laça, arreia, e manda embora!

Porque, lá em Minas Gerais
(terra de gente batuta)
Ninguém já não agüenta mais
Essa corja de fia' da fruta!

.

Por Ricardo Canan:

Maria Helena faz campanha
um tanto quanto esquisita.
Se Candido for,
Marcelo D2 não ganha.
Mas com certeza pita,
cigarrinho de forte odor.

Já o problema do cabelo,
não é bem do candidato;
é, sim, do tesoureiro.
Com cabeça nua, mas sem pêlo,
vai auxiliar no mandato,
a cuidar do dinheiro.

Na campanha de Marcelo D2,
posso imaginar Dudu Nobre,
como responsável pela panfletagem.
Se nele votar, não reclame depois,
quando sentir-se mais pobre,
de novo enganado pela malandragem.

.

Por Maria Helena Nóvoa:

O nosso amigo Ricardo,
bastante preocupado
com a crise nacional,
detectou o que liga
o jovem Marcos Valério
ao velho PC Farias,
ao menos no visual:
Sugeriu (tremo ao dizê-lo)
uma relação causal
entre a falta de vergonha
e a falta de cabelo.

Isso é maldade de macho,
carecas têm seu ibope
e mulher não pensa assim.
Mas tenho que confessar:
sou mais Jandira Feghali
que Esperidião Amin
embora não advogue
probidade capilar.

Porém, se a tese do amigo
tiver qualquer fundamento,
quero aproveitar o ensejo
e não deixar pra depois:
Nem Serra, nem Garotinho,
nem Lula em 2006.
Pra renovar o Planalto,
voto no Carlinhos Brown
ou no Marcelo D2.

.

Por Juca Filho:

Já mandei para o espaço o embaraço
vou tentar , sendo assim, grande proeza
e buscar igualar esta beleza
que me chega das Nóvoa magistrais,
e, acessando meus dotes tão banais,
por vaidades escusas inspirado,
procurar responder ao seu chamado,
evitando ceder ao monossílabos,
iludindo com toscos decassílabos
no estilo martelo agalopado.

O meu dom é chinfrim, ponha de lado,
o meu tom é ruim, deixe de banda,
compreenda que cumpro uma demanda,
pra não ser, pelas Nóvoa, esconjurado,
devo alguma resposta ao meu passado
onde, em golpe de sorte, criei fama,
pra depois ficar só quieto na cama
produzindo a continha pra viver,
porque o sono é melhor que o escrever,
quem duvida, pergunte ao Dalai-Lama.

Considero-me um simples papa-grama
de bridão, ferradura, orelha em pé,
nunca fui, por Jesus de Nazaré,
estilista de prosa, verso ou drama,
tal menino que faz xixi na cama
ou um beque chutando pra escanteio,
solto o verbo na doida e, lá no meio,
por milagre de Deus, Vige Maria,
sai um troço que dizem que é poesia
e eu, de esperto que sou, finjo que creio.

Pois então vou cessar com o “aperreio”
pondo fim de uma vez a este suplício
e obrigando a postar este estrupício
estas moças, que nunca fazem feio,
a quem peço, considerar no e-mail
já cumprido o dever e minha meta
e não venham me nomear poeta
que eu garanto fingir que nem ouvi,
e, que nem deputado em CPI,
negar tudo e tirar o meu da reta.

.


Por Flavio Prada:

O lâmbda e o ômega
Onça galática
De estranha combinação
Pirâmide cúbica
Megawática
Estática constelação

O alfa e o romeo
Gaiola prismática
De mera ostentação
Acorrentado Prometeu
Leva prostática
Errática satisfação

.

Por Pecus:

Declino o amável convite
Jogado longe da meta
Posso te dar um palpite
Aonde encontrar um poeta?
Procure o Jayme Serva
No dito assim.blogger
Que paira sobre a caterva
Com suas precisas estrofes
Esse sim vale a pena
Esse sim faz poema

.

Por João Noronha:

Se voce acha que eu não vou não
Você tá sendo pessimista
Esse aqui é o João
Que tá de volta na pista!

.

Por Ricardo Canan:

De verso e reverso em Brasília,
Não resulta coisa boa,
Vou fugir p'ruma ilha,
Ou vou'membora pra Lisboa.

.

Por Flavio Prada:

A inversão é tal que o universo que é grande à beça
Está todo dentro de minha cabeça,
ainda que não me obedeça.

.

Por Herbert:

E os tetos faziam sangrar os pés de todos, até quem nunca teve telhado de vidro.

.


Por Christiana Nóvoa:

Riquezas são diferentes

Ser artista é a vitória última
Do ouro íntimo sobre a pobreza
Do gozo crônico sobre a penúria
Do luxo terminal sobre o fim

Em meio à praça de guerra, um jardim
Terra desolada da beleza solitária

Aos ricos, sou solidária:
A paixão, a fome e a morte
Nos irmanam na miséria


.

Os 30 Val?os

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Vejam que interessante a primeira foto-montagem feita no Brasil, citada pelo Ancelmo Góis no Globo de hoje. A imagem, a um só tempo convincente e inverossímil, me inspirou profundas analogias. Não bastasse seu sugestivíssimo título.
30_valerios.jpg
Fui pesquisar e encontrei o seguinte verbete, na Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural:

1890 - Valério Vieira, sediado em São Paulo, realiza a fotomontagem "Os 30 Valérios", na qual todos os integrantes de um sarau musical tiveram suas cabeças substituídas pela imagem do próprio fotógrafo, perfeitamente ajustada às diversas posições correspondentes. Obra ímpar, é sem dúvida alguma o mais expressivo exemplo de fotografia criativa produzido no Brasil durante o século passado.

Ou seja, há 115 anos já se demonstrava que, manipulando fatos e imagens reais, é possível criar o cenário que se quer. Haja Valério!...
Simbólico, não?

(...e por falar em sarau, o nosso vem aí! Mas sem Valérios entre os presentes, de preferência. Amanhã publico o convite, que está recebendo os últimos retoques, flores e laços de fita. Aguardem.)

BRUTUS IS AN HONOURABLE MAN

| | Commentários (13)

jcaesar_coin.jpgQuando César foi assassinado no Senado (porque em Roma não havia Câmara), seus algozes alegaram que ele se havia tornado um ambicioso e a ambição dos governantes leva quase sempre à tirania.

Há dois mil anos, esperava-se do homem público que fosse virtuoso; algumas expectativas são eternas. Mas César foi dominado pela ambição - portanto, deixara de ser virtuoso - e os cidadãos de bem do Senado Romano tramaram a sua morte. Entre as adagas que o derrubaram estava a de Brutus, seu aliado, sua cria, quase um filho: Tu quoque Brute, fili mihi? César também andava em más companhias.

No século XVI Shakespeare escreve uma peça, "Julio César", em que fala sobre ambições, traições e, principalmente, sobre a volubilidade do povo. A época era elizabetana, poder absoluto nas mãos de um só monarca: poderia existir governo que visasse realmente o bem do povo ou a ambição - companheira inseparável do poder - esqueceria o povo na sua trajetória? Na peça de Shakespeare, a resposta estaria com os cidadãos de Roma.

Brutus, ao lado do cadáver ensangüentado, fala à multidão sobre a transformação do herói em tirano. Apesar da vitória nas guerras, dos tributos pagos pelos territórios conquistados e de uma inegável prosperidade, o povo começa a imprecar contra César, percebendo no herói uma falha, um componente humano que lhe retirava o caráter divino. Reconhecendo nele a ambição, anteviram uma possível tirania e aprovaram o gesto assassino de Brutus e seus comparsas, estes sim, homens virtuosos.
Brutus reforça com eloqüência o seu lugar de substituto natural de César: "E, se eu for vítima da ambição, que esta mesma adaga que destruiu César se volte contra mim". A turba aplaude, enlouquecida. Rei morto, rei posto; o circo romano já estava armado para a sucessão.

Errata

| | Commentários (11)

brasilinverso.jpg

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Não adianta rever o verso


O universo é que está do avesso


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My heart belongs to Daddy

| | Commentários (17)

hmono.jpgOutro dia eu fiz aqui uma ode à minha mãe e meu pai morreu de ciúmes porque eu dizia que ela era linda e inteligentérrima e tal. Então vou começar dizendo que o Pápi também era o mais bonito e o mais inteligente dos pais da minha escola. Não é exagero não, sempre foi, fazer o quê? Tudo bem que eu não estudava na mesma escola das filhas do Chico Buarque, o único que poderia (talvez) fazer-lhe sombra. Tirando esse, nunca teve pra ninguém. Até olhos verdes o Pápi tem, cor de esmeralda. Moreníssimo de olhos verdes, olha que espetáculo. Mas vocês acham que a Mâmi ia comprar um livro pela capa? O que o meu pai sempre teve de realmente extraordinário foi a inteligência. Que lábia tem o sujeito, até hoje! Eu sei que ele tem a mesma mania que eu de ler 2 ou 3 capítulos de cada livro e passar pro próximo, ao mesmo tempo em que relê obsessivamente os mesmos livros preferidos, então não sei se ele chegou a ler realmente TODA a biblioteca lá de casa mas que parece, parece. O cara é uma enciclopédia viva! Cita de memória uma quantidade absurda de informações sobre história, geografia, literatura, ciências... Se você for pesquisar bem, talvez encontre uma certa inexatidão, quiçá alguma fabulação (ah, Pápi, confessa que você inventa um pouquinho) mas quem se importa? Um papo com o meu pai será sempre uma experiência das mais interessantes! Dê-lhe a palavra pra ver só. Ele mesmeriza o interlocutor; é engraçado, original, um verdadeiro encanto.
Desde que esteja de bom humor, é claro...

Porque olha, eu vou confessar a vocês que meu pai não é fácil. Que gênio! No bom, e no mau sentido. Não vou falar mais nada sobre este ponto porque ele vai ler isso aqui e dizer: "Mas você também não é fácil!" Não, não sou. Não se pode escapar de algum determinismo genético. Mas eu e o Pápi já arredondamos bem nossas arestas ao longo da vida, à custa de algum atrito e muito amor. Eu acredito que o amor sempre vence e hoje por exemplo, em nosso almoço de dia dos pais, nós (quase) não brigamos. Rimos muito, como sempre e, no final das contas, a harmonia triunfou.
Fico pensando em como tenho sorte de ainda tê-lo por perto, tão brilhante, tão saudável, ainda tão bem no papel heróico que eu lhe atribuo.
Então vou deixar a Electra que vive em mim falar mais alto:
O PÁPI É TUDO! ESSE É O CARA! EU AMO O PÁPI!

(conhecendo um pouquinho de psicologia, estou cá pensando: pobres homens da minha vida, olha só com quem os comparo... sentiram o drama?... ai, ai, Freud é pouco)

Desen-conto

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afterthemasquerade.jpg
(Farsa em Ato Único)


Disse: "Você é um achado!"

*

*
Não deu 3 tempos...
*

...deu-lhe um perdido.


.

Absinto muito

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absinthe.jpgMamãe é uma viciada!

Este é um pedido de ajuda. Minha outrora tão brilhante progenitora foi acometida de CPÍte compulsiva aguda. Não quer mais escrever para este sítio e agora passa noites, madrugadas diante da TV ouvindo intermináveis depoimentos.
Sabe tudo sobre a novela do mensalão: é capaz de citar de cor o número da conta bancária de todos os personagens, o tom da tintura de cabelo de todas as ex-mulheres e ex-secretárias-sex-symbol e conhece toda a coleção de gravatas do Rouberto Chefferson.
Ela jura que entende a trama e já sabe quem matou Salomão Ayala.

A dependência física e psicológica se mostra cada vez mais clara, com todos os sintomas clássicos. De manhã, corre para os jornais com voracidade patológica. Não se contenta com as manchetes, precisa de doses cada vez mais pesadas e lê as menores notas, as letras mais miúdas. Já apresenta manchas negras nas pontas dos dedos, por manuseio abusivo do papel impresso, e seus exames revelam niveis tóxicos de tinta. Quando o jornal matinal se exaure completamente, dedica-se a contragosto a seus afazeres, ansiando pelos momentos de folga, nos quais corre para a TV ou ainda para o computador, onde explora blogues políticos e sites informativos, em busca de novos lances, nuances, detalhes, numa luxúria desenfreada.

Passeando por aí, descobri que a recém-repaginada colega Cam anda sofrendo do mesmo mal.
Será que você, amiga-irmã-dona-de-casa, também sofre em silêncio?

Vamos dividir nossos dramas e criar a CPIA (cepeiômanos anônimos) para cuidar dos adictos queridos. E a CPIANON para cuidar de nós outros, parentes e amigos dos adictos, também chamados co-dependentes. Nós também estamos doentes e precisamos nos tratar com urgência!

As palavras de ordem de nossa fraternidade anônima:
CP-IA moralizar o país! Ah, fala sério, CP-IA-NON...

***

Saio da vida para entrar na história

Teve um encontro fundamental de blogueiros sexta-feira aqui no Rio e TODO MUNDO foi, menos EU, é claro! Mais um evento imperdível perdido, para abrilhantar meu currículo. Temo que meus futuros biógrafos não terão muita coisa pra contar... Paciência, nunca gostei mesmo de biografias.
Em compensação, nesse mesmo dia, dois de meus personagens preferidos tiveram filhos, gerando 3 novas estrofes de uma história que eu considerava completa. Foi emociante! Nasceu um casalzinho de artistas circenses, não é um amor?

***

Boa semana, pessoas!

E botem minha mãe pra trabalhar aqui no pedaço, por gentileza! No mínimo ela podia compartilhar suas conclusões políticas conosco, pobres co-adictos que já perdemos o bonde desse folhetim há séculos.

Exponha essa história vergonhosa, lave essa roupa suja em público! Abra seu coração, irmã Maria Helena, coragem!! É compartilhando que o dependente se cura!...

E sai dessa lama, enquanto é tempo. Fecha esse jornal, desliga essa TV, esquece esse Brasil, Manhê... Só por mais 24 horas.

A travessa ?squerda

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Renoir-WomanRose.jpgA coisa toda pode começar assim, já pelo meio de um dia difícil. Porque não vale a pena lembrar os dias difíceis na íntegra, podemos começar do momento em que eles se revelam surpreendentes. E não são as pequenas decisões que mudam tudo, alteram para sempre o rumo dos acontecimentos?

Por que virar à esquerda na pequena travessa para tomar um café na livraria antes de ir para casa? Poderia escolher outro refúgio, ou podia simplesmente ir embora, como recomendaria o bom-senso num dia como aquele. Mas se ela tivesse bom-senso teria vindo até aqui? Teria feito o que já fizera de seu dia, de sua vida? A verdade é que ninguém é tão previsível.
RENOIR.JPG

E se não tivesse alguém, movido por sabe-se lá que espécie de motivação súbita, deixado ali em cima do balcão da livraria aquele livro, aberto displicentemente naquela página em que ela leu aquele poema de que agora já não se recorda mas que naquele instante a fez chorar? Talvez não fosse preciso um poema para fazê-la chorar naquele dia, mas que o tenha sido foi o que chamou a atenção dele, que estava pagando sua compra e iria imediatamente embora, não tivesse visto aquela moça discretamente bonita em segundos tornar-se rubra e expelir lágrimas em todas as direções, ao deitar os olhos sobre um poema. Não que tivesse um lenço para oferecer mas decidiu, num ímpeto, comprar-lhe o livro, o que teria sido indiscutivelmente um ótimo início de conversa, não fosse ele tão pouco firme em suas decisões, pois que achou a atitude descabida e potencialmente perigosa e logo desistiu, uma vez que ela poderia rechaçá-lo e sua auto-estima não suportaria tanto, após o péssimo dia que tivera até ali.

E se ele não tivesse resolvido, após perder sua felicidade, dar às circunstâncias mais uma chance? Só por isso pegou um livro de arte para olhar, sentou-se e pediu mais um café. Que tenha sido Renoir foi o que chamou a atenção dela, embora para ele tenha sido um mero acaso, foi o primeiro que viu.

E se ela não acreditasse no poder do acaso? E se tivesse juízo? Se não tivesse a ousadia de puxar aquele papo sobre impressionismo, que teria sido realmente um péssimo início de conversa, não fosse o celular dele tocar, deixando os dois constrangidos, no que ela se afastou embora fosse engano, passando a examinar as estantes com fingida atenção?

Que o tenha feito permitiu que ele lesse rapidamente o texto introdutório do livro que tinha em mãos, a partir do quê pôde entender, finalmente, a pergunta dela, que agora estava folheando, muito entretida, um livro de culinária, o que, sem dúvida alguma, facilitava as coisas.

Mas ele teria dito alguma coisa se ela não tivesse parado exatamente naquela foto, sob aquela luz, contra aquele fundo, o quadro todo enfim que se formou? Se não ostentasse aquele exato meio-sorriso, a expressão absôrta, o olhar na página do livro, a mordida quase atrevidamente convidativa nos lábios como que saboreando a imaginária iguaria?
– Eu sei fazer uns Crepes Suzette mais bonitos que esses aí da foto, acredita?
– Ah, não acredito mesmo.– ela riu – De jeito nenhum.
– Vamos lá em casa que eu te mostro. – ele arriscou, embora fosse mentira.

E não é que ela foi, embora fosse loucura? A vida não pode ser surpreendente?

Este foi o dia em que ela teria sido feliz, não fosse o bom-senso tê-la dissuadido de virar à esquerda naquela travessa para tomar um café na livraria, em meio a um dia como aquele.

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