September 2005 Archives

~cabelos no espelho~

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vikMuniz_Alice.jpgcabelos molhados enrolam~se
um~no~outro

colam~se arabescos pelo espelho escorrem
escorregam superfície linhas
curvas dançam líquidos instantes

formam desenhos~como~nuvens~teias~miríades~de~fios~enlaçados~meias~de~rendas~tênues~chás~de~róseas~cálidas~lendárias~saias~fúcsia~véus~de~maia~de~buda~brahma~vishnu~shiva~lakshmi~chinesas~sedas~puras~cor~de~opala~compridas~tramas~de~hordas~de~crisálidas~anteprojetos~borboletas~mis~imaginárias~vôos~leves~dias~breves~plenos~alegrias~piruetas~várias~entre~as~flores~roxas~amarelas~frutas~tenras~acridoces~de~altas~centenárias~árvores~raras~raízes~aéreas~brisas~marítimas~correntes~ascendentes~vôos~transparentes~asas~azuis~zz~

duplicados refletidos arte um instante antes
de secar ao vento descolar saltar voar sumir no espaço avesso do universo cada um de um lado
da imagem

ou talvez pintados pincel muito fino pelo de camelo nanquim tatuagem
miragem que o calor derrete ou quem sabe o acaso
rachado ao tempo no azulejo antigo em trilha ladrilhado rua de brilhantes pro amor passar dentro do bosque um anjo

Iluminura de conto de fadas com final feliz ou de outro lado um livro
de areia história estranha até quem sabe feia

mosaico vivo ao sol vitrificado pra enfeitar pra sempre um caminho errado

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Pelo direito de evitar o aborto

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(blogagem coletiva. uma ação nós na rede: a blogosfera agindo em rede)

Um poema de Brecht para que as opiniões aqui expressas sejam um libelo contra as circunstâncias quase sempre desesperadoras que levam ao aborto mas jamais um argumento de acusação contra quem o pratica.

Pela erradicação da miséria, da ignorância e do abandono.
Pelo direito de não ser Maria Farrar.

Maria Farrar, nascida em abril, sem sinais particulares,
menor de idade, órfã, raquítica, ao que parece,
matou um menino, da maneira que se segue.
Afirma que, grávida de dois meses,
no porão da casa de uma dona,
tentou abortar com duas injeções
dolorosas, diz ela,  mas sem resultado.
E bebeu pimenta em pó com álcool,
mas o efeito foi apenas de purgante.
Mas vós, por favor, não deveis vos indignar.
Toda criatura precisa da ajuda dos outros.

POR QUE SOU CONTRA O ABORTO

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Hoje, dia 28 de Setembro, é o dia pela descriminalização do aborto na América Latina. Logo...

POR QUE SOU CONTRA O ABORTO

(veja outras opiniões aqui. blogagem coletiva nós na rede)
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E chove

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muito.
van_gogh_rain_auv.jpg
As águas andam grandes por todo lado, no mundo todo. A gente vai na correnteza, que navegar é preciso e viver não.
Examino estrelas e ventos, não pra resistir, quem sou eu, mas apenas pra dar um norte à minha deriva. Tentar adivinhar a ilha desconhecida. Rezar que as correntes me poupem de abismos, ou não também, não sei ainda o meu lugar nessa maré, quem sabe?
As águas são muito maiores do que eu. Quando chove não dá pra ver as estrelas. Eu leio cartas de navegação como se as compreendesse.
Para onde estarão indo as águas?

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Estado de graça

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fruitflo.jpgA vida vale a pena quando você faz um pequeno mimo a um amigo e recebe um arranjo inesperado de flores com pedaços de frutas da estação.
Um trecho:

"(...)
Chamo essas sensações de "estar em casa". Sentir-me em casa. Não é geográfico ou arquitetônico, é neural. É sináptico. É o meu clube. A minha casta. É onde me sinto bem. Onde quero viver. Meu hábitat. É raro, mas faz o resto valer a pena. É o que torna difícil o dia-a-dia cerebralmente estoporante. É o que faz tremer meu ceticismo cósmico-cármico. É o que me faz amar o Acaso e grafá-lo em maiúsculas.

Coisas que se sabe de sentir, antes de pensar.

É o fascínio da arte. Numa infusão junto com o fascínio pelas pessoas.

É mais que isso. Muito mais. Eu tenho uma vida inteira pra descobrir."

~.~

Tiago Casagrande, graça em forma de palavras.


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É primavera!

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fan.gif

...a vida já começa a mudar de cor.

e-néditos

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e-scritores • e-nspirados
e-nteligentes • e-modestos
e-mortais • e-minentes
e-mpossíveis
e-ndigestos
e-ndigentes • e-ndígenas • e-dílicos
e-maginários • e-ridescentes • e-luminados
e-lusionistas • e-lustrados • e-lustres • e-lógicos
e-nstáveis • e-nsólitos • e-ncógnitos
e-ndecifráveis • e-ncrencas • e-mbroglios
e-ndecentes • e-mplicantes • e-rônicos
e-conoclastas • e-morais • e-nocentes • e-núteis
e-ncríveis • e-mperdíveis • e-mpensáveis • e-nfláveis • e-mensos
e-mersos • e-mundos • e-fundos •
e-tudo


e-néditos : edite-nos
(clique para saber quem somos e o que queremos)

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Decifra-me ou o quê mesmo?

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pollock23.jpg

Misteriosa escrita da vida. Que espécie de autor transcreve em fato uma pequena parte de tudo o que seria?
A ficção faz mais sentido: onde há suspense, haverá morte; onde há encontro, há amor. Na vida, as coisas podem não vir a acontecer. Quem esqueceu de escrever a cena? Quem colocou um personagem inesperado? e agora a história pode ser completamente outra.

A vida não cumpre o script, escorre, escapole. Segue caprichosa por caminhos líquidos; sua única certeza é ir desaguar no mar.

~~~

Não agüento mais o inverno, gosto quando esquenta. Saudade de dar um mergulho.
Primavera tá pertinho que eu sei, logo ali. Dias melhores, verão.
Só que o final da espera é o instante mais comprido e eu tô apertada pra ser feliz.

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Pensa?

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qibaishiflower.gif
Eu queria ter um pensamento bem pequeno, que até uma criança pudesse alcançar.
Um pensamento tão largo onde coubesse o infinito inteiro e cada uma das coisas únicas que ele contém, desde as mais ínfimas.
Uma idéia de peso, que tirasse o mundo do eixo.
Uma forma leve e perfeita, como uma bolha de sabão, que explode e vira um cuspe sob o nada.
Que tivesse a elegância de ser breve.
Que fosse música. Um riso às lágrimas. Um amor pra sempre um instante.
Que não precisasse falar nada.
Um pensamento de tão longo alcance que soubesse um belo dia ter fim, sem contudo deixar de estar sempre aqui, agora tudo ao mesmo tempo.

~~ . ~~

(queria mesmo era ouvir o silêncio de ondas do mar quando eu terminasse de pensar tanto)

Isto n??m cachimbo ou A trai? da imagem

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pipemagritte.jpgTem pessoas que são exemplos para mim, como Budas vivos: seres iluminados que devem nos servir de guia.
Uma dessas pessoas é minha amiga Dani-Loira, que veio ao mundo para provar que, como Foucault já dizia de uma forma muito complicada, e um anúncio de refrigente, de modo bem mais simples: "imagem é nada, sede é tudo!".

E o que tem o cachimbo do Magritte a ver com a Dani-Loira? Bom, pra começar, ela não é loira. É até um pouco japonesa, na verdade, mas quem se importa? Lá pelos 16 anos ela achou que precisava de um realce no visual. À base de alguma água oxigenada e muita atitude, ela convenceu a si e ao mundo que é loira e pronto, a coisa pegou. Hoje em dia a loirice é alcunha e parte da personalidade, ninguém discute.
A Dani também não é assim propriamente bonita. Altona demais e não muito magra. As feições também não são muito delicadas. Se fosse comigo, acho que viveria meio encolhida, acanhada. Mas a Dani, ao contrário! Ocupa o espaço e ainda sobe no salto! Cabelão loiro (metade é aplique), carão de traveco, e lá vai ela noite adentro. Menina, não é que ela arrasa na balada?! Pega geral!! Vocês devem achar que ela é inteligentérrima, engraçadíssima... que nada! Mas sabe seduzir, sei lá. Ri das piadas dos caras, faz cara de lôra-burra... Funciona que é uma beleza.

Ela tem uma estratégia clara: jamais se deprecia. Está sempre ótima, todos os caras estão a fim dela. Questão de ponto-de-vista, não é mesmo? Outro dia ela arrumou um namorado que tinha ejaculação precoce. Achou uma maravilha, mais uma prova do que ela sempre soube: "Eu sou muito deliciosa merrrmo!"

Há uns meses ela voltou a sair com um ex-namorado e, pra que ele não soubesse que ela estava desempregada, inventou que estava trabalhando numa dessas grandes empresas de telefonia. Mas o namoro engatou mais sério e ela viu que não poderia manter a farsa. Teve que dizer que se demitiu. O motivo? Sofreu assédio sexual, é claro! "Meu chefe está tarado em mim, ai que saco!..." O namorado ficou louco, queria ir lá bater no cara... e ficou muito mais apaixonado, que o aumento da demanda sempre valoriza o produto.

Mas é na hora do biquíni que minha ídola se supera. Não enxerga os culotes, a barriga, as estrias. Só exclama pra si mesma: "Tá podendo, hein Dani?! Lindona!!" E sai rebolando pelas areias de Ipanema, linda, loura e japonesa, destruindo corações.

Ela nunca diz o seu peso mas jura que tem a proporção ideal: "É que eu sou muito alta, tenho ossos pesados, então o peso em mim não conta, o que vale é a medida!" Quer saber suas medidas? No perfil do Orkut, se definiu como "gostosa, tipo falsa magra". Tem 237 fãs.

Conclusão: É melhor ser uma falsa magra do que uma gorda sincera.

De que ?eito o seu sil?io?

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birds1.jpg
O que você escuta quando não está ouvindo nada?
Eu escuto, no momento:
1) um grilo
2) carros ao longe
3) o batuque de algum terreiro de santo na mata
4) O som mais longe de um baile funk na vizinhança
5) Um grilo.
6) Uma cigarra prestes a explodir
7) O meu coração
8) Cães latindo perto e longe e em todo canto desse mundo, em rede.
9) Um assobio constante e elástico que não sei de onde vem.
10) Minha respiração num suspiro
11) O barulho de meus dedos nas teclas
12) Algum pássaro noturno.

Vou completar esta lista depois...
…
Cinco da manhã:

13) O baile funk ainda não acabou.
14) O batuque na mata continua.
15) O grilo também persiste.
16) Os cachorros idem.
17) Os primeiros pássaros da manhã começam, ainda tímidos.
18) Uma ambulância ao longe.
19) Uma moto, mais perto.
20) Meu pensamento, aqui dentro: Vai dormir, olha a hora! Sorte que é domingo: Um dia perdível viável.
…
Seis da manhã:

21) Os carros passam mais perto, alguns até buzinam: acordem, sonhadores, amanheceu!
22) Um galo canta.
23) Os pássaros explodem em sinfonia; uma grande e colorida orquestra que justifica, a cada acorde, minha espera insone.

Uma coisa eu tenho que agradecer à vida. Ruídos à parte, eu AMO o meu silêncio.

Bad trip

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picassofemmebleu.jpgComo ébrio que vai passando
De um vício a outro, sem cura
Insisto nessa procura
Até onde eu vou? Até quando?

Meu bolso já está furado
O meu coração, partido
Meu império, devastado
Profanado meu mistério

Eu brinco demais com a sorte
Eu levo o amor muito a sério
Eu perco o chão e afundo

Eu vivo a fundo perdido
Eu findo longe da morte
Viciada nesse mundo

Independ?ia?

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nosnaredeverde.jpg"Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!"

(HINO À REPÚBLICA - Letra de Medeiros de Albuquerque / Música de Leopoldo Miguez)

Reflexões sobre a Independência, em alguns dos melhores blogs brasileiros espalhados pelo mundo.
Clique no selo do "Nós na Rede" e siga os links.

Mito

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ingres6.JPGEu Vênus
Te invento
Te Apolo
Me pitonisa

Me enquadra
Me hipotenusa
Eu musa
Você cateto

Me inferna
Me paraísa
Você Adão
Eu vã

Eu sã
Tu Pã
Me flauta
Me toca

Eu neura
Me hipnotiza
Jo casta
Você é Freud


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Pena

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feathers.jpg"É uma pena
mas você não vale a pena
não vale uma fisgada dessa dor"

(trecho de "Não vale a pena", música de J. e P. Garfunkel – intérprete: Maria Rita)


Eu não sou do tipo que diz “a fila anda”. Outros homens tem aos montes mas meu coração não é um guichê. Ele fica vazio sim. Aqui quem anda sou eu. Aliás, vôo. Eu sempre fui mais longe que você, que pena. Estou indo outra vez.

Não vou ameaçar seus brios com outros amores, eu não amo por orgulho, amo só por amor, mesmo. Posso não vencer sempre mas eu gosto de quem sou. Eu posso perder tudo e todos que vou continuar gostando, ainda que a duras penas.
Eu sou mais forte que você, que tem medo.
Sou mais rica que você, que tem tudo.
Mais bonita, sou artista. Sei cantar e dançar, tenho graça. Palhaça; sei cair e levantar. Sei falar sério também. Sei mudar, fico muda. Falo com todo mundo, no mundo todo. Sou todo mundo.
Pra falar a verdade, sou tudo de bom, de modo que entre nós sou mais eu.

Eu sou capaz de esperar muito tempo por alguém que não vem, longos anos. Certa vez esperei décadas, como uma tonta, pelo homem errado.
No entanto pra deixar de amar levo um dia só, uma noite, ou nem tanto.
Um belo dia acordei e… pena mesmo, tinha esquecido, nem sei mais quem foi.

Não quero vingança, não quero provocar ciúmes, insegurança, seria fácil demais. Vulgar demais, não sou assim, não vale a pena. Deixa você ficar em paz com seu desprezo. Deixa a vergonha comigo. Deixa você dormir pensando que me tem e não quer. Deixa, meu amor. Eu te deixo.

Quando eu acordar amanhã, não vou mais lembrar do nosso longo tempo. Terão se desvanecido todos os meus sonhos e lembranças de você, até aquelas mais remotas e queridas, como penas ao vento. Só me restará esta pena com que escrevo, esta que nunca me falta e você nem ninguém pode jamais me tirar.

Quando eu cair em mim, nunca terei sido sua, nossa, isso tudo.
Seremos eu e o Amor, apenas.


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Dias Assim

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(publicado pela primeira vez no epinion em 30/05/2004)

littlebox.jpgTem dias que eu me sinto vazia como uma bola. Aliás, vazia como um cubo, porque é um vazio com arestas. Um cubo opaco e denso obnubilando minha clareza. Um cubo pequeno onde eu não caibo, sufoco. Fico ali oprimida como assistente de mágico. Empacotada em meu vazio de chumbo que não deixa escapar um grito. Em meu cofre-forte de silêncio. Apalpando os estreitos limites da minha liberdade, as paredes grossas da minha dor.

Tem dias que eu me condeno à solitária sem direito a banho de sol. Arrasto corrente, me visto de listrado e marco os dias, semanas, com riscos de canivete na parede. Me julgo e me penitencio sem indulto.

Tem dias que a vida ganha muros altos, cores cinza. Limites, limites, limites até onde a vista alcança – e a vista alcança bem pouco. O próprio firmamento é um teto rebaixado, baixo-astral, como se diz por aí.

Tem dias que são foda. Mas eu não nasci ontem, sabe? Já percebi que o encaixotamento produz uma curiosa ilusão de óptica. No espaço exíguo, eu pareço enorme, ocupo a quase totalidade do espaço, só dá eu lá dentro. E tudo que eu penso e sinto reverbera, ecoa, parece gigante. Minhas motivações, minhas vergonhas, meu sofrimento parecem ser tudo o que há – o mundo como um elevador enguiçado, espelhado por dentro, refletindo meu desespero ad infinitum. Eu no cenário por todo canto e no meio da cena, em foco. Exageros da perpectiva, puro teatro de espelhos. Tão autêntico quanto Konga, a mulher gorila.

Estou aprendendo a fechar os olhos, respirar fundo e perceber que há oxigênio bastante para mim e, se o espaço está apertado, tempos melhores virão. No dia da bonança, quando meu campo de ação se abrir, vou lembrar de dançar bastante para celebrar . Até lá vou dançando miudinho e sempre se pode cantar, mesmo no escuro. Com os pés e mãos vou deformando meu cubo, alargando para os lados, abaulando o teto como um baú. Meu baú de maravilhas boiando no mar à deriva, uma arca que resiste aos dilúvios. Onde minha alegria se preserva mesmo durante as tempestades. Um balsa que balança, vira, dá cambalhota mas não afunda.

Tem dias que eu me sinto plena como uma caixa a ser preenchida. Aliás, como uma bola, porque quando estou assim eu rolo. Deito e rolo.


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