October 2005 Archives

No creo en brujas, pero...

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WitchcraftBook.JPG Eu já devo ter sido queimada umas 157 vezes ao longo das encarnações, então não vai fazer muita diferença se eu for pra churrasqueira novamente. Ainda mais que hoje em dia posso pleitear uma execução mais rápida num forno de microondas, coisa de um minuto e meio na potência máxima.
Por essas e outras , vou confessar a vocês:
Sim, eu sou uma bruxa.

É de família, fazer o quê? Mas olha, eu não sou nariguda nem tenho verrugas, e nem gosto muito de roupas pretas. Faço uma linha mais light, nariz arrebitado e trajes civis, tipo "a feiticeira" (a original, é claro. Nicole Kidman que me perdoe, mas eu recuso imitações). Mas também não sou loura, nem tenho aquela vidinha careta. A Mâmi é tão interessante quanto a Endora, só não tem aqueles olhos repuxados nem usa sombra verde. Somos bruxas tropicais pós-modernas, divorciadas e emancipadas. Sabemos nos misturar quase perfeitamente às pessoas normais, e abdicamos do uso de nossos poderes em público, mas ainda assim não é difícil reconhecer uma de nós, se vocês prestarem bem atenção a alguns sinais característicos:

O tao do rio

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shenchou4.jpg
Tudo que tem um nome
Não pode ser o rio
Sem nome passa
Eu rio

Um Nóvoa novinho em folha

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Picasso-The_Guitar_Player.jpgHoje é aniversário do meu irmão Claudio. Aquele que canta divinamente, sabe sambar e ainda escreve bem.

Fazendo quarentinha na maior linha. Sem o menor sinal de barriga, calvície, caretice e outras mazelas que costumam acomenter os que atingem esta provecta idade. Modestamente devo admitir que a genética dos Nóvoa favorece a longevidade e a conservação dos corpos e dos espíritos. Mas talvez ele tenha algum mérito nisso também, não dizem que quem canta seus males espanta?

Hoje devemos explorá-lo um pouco, exigindo que ele toque e cante nossas canções favoritas. Minha mãe vai pedir "the boxer" e eu, "my sweet lord" e alguma do Chico que ele vai dizer que não lembra, aí eu vou insistir e ele vai acabar tocando, ou não, mas tudo bem, eu ouço o que vier de bom grado. Mas me derreto mesmo quando ele canta "sister" (Miss Celie's Blues): sister, you've been on my mind / sister, we're two of a kind...

Querido irmão, hoje eu vou esquecer nossas brigas, sopapos e xingamentos ao longo dessas 4 décadas, nossas disputas pelo canal de TV, pela última colherada de doce-de-leite, pelo banco da frente do carro, minha inveja por você desenhar melhor e ser mais musical que eu, meus ciúmes por você ter sido, por alguns anos, o filhinho único da mamãe, vou deixar de lado todas as nossas divergências de opinião e credo, suas implicâncias com os meus namorados, suas chatices e as minhas, pra dizer que a nossa cumplicidade supera isso tudo. Você é quase eu.

Vou repetir quarenta vezes pra você nunca esquecer:
Te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo,te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo, te amo.

Tudo de bom nessa vida, Claudio, você merece!

(ah, hoje também é aniversário desta figura. Parabéns, Bia!!)

O Estado da Arte ou Quem quer ter razão?

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genedavis.jpg
Se você pretende sustentar opinião
E discutir por discutir
Só pra ganhar a discussão
Eu lhe asseguro pode crer
Que quando fala o coração
Às vezes é melhor perder
Do que ganhar
Você vai ver
Já percebi a confusão
Você quer ver prevalecer
A opinião sobre a razão
Não pode ser não pode ser
Pra que trocar o sim por não
Se o resultado é solidão
Em vez de amor uma saudade
Vai dizer quem tem razão

(Discussão - Tom Jobim)

.

Às vezes a minha natureza opinativa me cansa, ainda que não possa evitá-la totalmente. Ontem mesmo, em simpaticíssima reuniãozinha aqui em casa, estive na situação de polemizar com rapaz gentil e excelente que tinha acabado de conhecer, amigo de meu elfo preferido (a quem tive finalmente o prazer de presenciar em carne e osso). Tudo ia muito bem e todos falávamos abobrinhas divertidas, em volta da mesinha no jardim, após várias cervejas.
Eis que, a troco sabe Deus do quê, passamos a falar de um assunto seriíssimo: Artes Plásticas. Ou melhor (pra você ver quão séria era a coisa): Arte Contemporânea. E eu tinha que ter um raio de opinião sobre isso? O cara faz mestrado, lê e discute sobre esse tema o dia todo, e vou eu me meter a dar palpite? Ai ai.

Sonhos de Leminski e Dalí e uma lembrança iluminada

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rosasdali.jpgsossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

(Paulo Leminski)


.


Não posso deixar de lembrar aqui o 48º aniversário do meu pra sempre amado irmão Belben (Celso Henrique). Muita luz, meu querido, onde você estiver.

La Concha Cerrada

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(sinópsis de telenobela en portuñol abanzado, tipo excsportación, para todo el mercosur)
Por Chrissita Nuêboa
muchachagirasolesrivera.jpg

En un bedjíssimo balneário rrunto a la mar, Conchita Ibañez y Montalba era una puebre mutchatcha sueñaduera que solamiente desseava encontrar el amuer. Todos los días, cuando su maldossa madriasta, Doña Perpetua Dolores Montalba, molestabale con pessados servicios domesticos y tratamiento dessumaño, Conchita superaba sus probliemas cantándo, suspirándo y sueñándo con Ramón Augustín Hernandez y Zaragoza, su vecino rico, intelirrente y hermosso que ella osserbava de lejos.

Ramón era nóbio de Rossário Nuñes Javier, una chica de la alta sociedad, pero en verdad una golpista ecspertallona que solamiente quería su deñero, y haría cualquier cossa para conseguirlo.
Ramon nunca tenía siquiera mirado Conchita, pues que la madriasta no permitía que la enteada salisse del palaciete, para que no excspussesse su gracia y bedjeza.

Conchita, que amava la mar, saía de cassa escondida para bañar-se en la playa a la notche, cuando tenía luna llena. Ella esperaba su madrasta adormecier y bañavasse por algunos momientos, su mússica-tema al fondo, imárrenes en câmera lienta...
Conchita llorava en segriedo por Ramón, su amor impossible.

¡Ya basta!

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frida_kahlo_self_port.1937.jpg

Bamos hablar de otra cossa? Jueves (quienta-fiera, para nossotros) es el Día Mundial del Portuñol y, como todos pueden mirar, djo hablo mutchíssimo bien! Errtoy prieparando un puest speciall, un mielodrama merricano, con lo cual pretiendo tornarme una nobelista ríca y famuêssa en todo el Mercosur! Aguárdenme!!!

Para quien quier practicar el idióma para el grand día, djo recomiendo errtes cursios de gran utilidad: Portuñol - níbel bássico, mêdio y abanzado. Em pocas lessiones usted estará listo para biarrens por tueda latinoamérica. Para más lecturas edificántes, ecsplore errte sítio acuí. ¡Mira la qalidad!

SIM, por gentileza!

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PicassoBlueDove.jpg
Os que ajudam o soberano pelo curso
esses não violam com armas o mundo

Tal ação provoca reação

Lao Tsé – Tao Te King (Escritos do curso e sua virtude)

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nosnaredeverde.jpg(blogagem coletiva nós na rede sobre o desarmamento. veja aqui outras opiniões.)

A NULO OU A NÃO

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Sobre a nossa “jornada cívica” do dia 23, primeiro é preciso distinguir entre plebiscito e referendo. No plebiscito, nos consultam se queremos ou não instituir uma nova regra. No referendo, vamos apenas referendar (ou não) norma polêmica já existente. É bom lembrar que o chamado Estatuto do Desarmamento já está em vigor; portanto, é importante dar uma lida na lei antes de enfrentar as filas do dia 23, porque ela regula muito mais do que nos faz crer a pergunta simples que devemos responder nas urnas com um ingênuo “voto 1” ou “voto 2”.

nosnaredeverde.jpg

O Pulo da Gata

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catwoman.jpg(Por Dra. Lovesick - Personal-self-esteemer)

Da série "só para mulheres (e homens que as adoram)":
TIP - Teoria da Intermitência Permanente

Cara amiga internauta,
Pra começar, aviso que esta teoria é politicamente incorreta. Quem liga? É 100% eficaz, e você sai bem na fita.

Eu tive meu brilhante insight a partir das teorias de Skinner sobre aquisição e manutenção de comportamentos em animais. De tão simples e funcional, eu devia vender esta fórmula em livros de auto-ajuda e ficar muito rica mas, como sou uma missionária da iluminação feminina, dividirei minhas conclusões graciosamente com as freqüentadoras deste sítio.
Os homens, eu preferia que não lessem para que não buscassem alterar conscientemente os resultados mas, como tudo leva a crer que não possam agir contra seus instintos, fico tranqüila. Talvez, em sua curiosidade, aprendam algo sobre si mesmos, e ficarão espantados de perceber como são tão facilmente manipuláveis por estratagemas primários.

Bem, vamos à teoria.

Em nome de Romeu ou Ecos de Narciso

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Dicksee.Romeo.jpg
Eis que encontro um amigo antigo, aquele mais legal, mais fiel, mais sincero, mais tudo-pelos-outros, mais não-tem-outro-igual. Que além de tudo tornou-se o mais bonito, o mais inteligente, o mais engraçado. O mais tem-tudo-pra-ser-feliz.

Se a vida fosse justa, lógica e razoável, aliás, se ela tivesse o mais ínfimo bom-senso, ele seria, disparado, o homem mais realizado sobre a terra. Só que a vida não tem nada de razoável, não se submete ao bom-senso e o meu amigo está – pasmem! – sofrendo de amor.

Não adianta dizer que, se ele declarasse aberta a vaga , em cinco minutos haveria uma fila de mulheres maravilhosas disputando a tapas um lugar em seu coração. Ele não quer uma fila de mulheres maravilhosas se estapeando; quer uma só, aquela que ele escolheu. Com quem fez sonhos, planos, filho, família. A quem fez promessas (e, possivelmente, cobranças…), a quem ele atribuiu o poder de fazê-lo feliz ou infeliz.

Pois que ela, já tendo tirado a sorte grande, ainda cismou de apaixonar-se. Por outro.

Por muito que fiquemos tentados a crucificá-la por sua sandice e dizer que ela não o merece – e isso me teria sido até fácil, já que mal a conheço e admito que, naquele momento, faria quase qualquer coisa para devolver a auto-estima ao meu amigo – sei que a dor de amor, embora tola, insensata, não se deixa enganar por argumentos tão ingênuos.

Afinal, o que tem o merecimento a ver com o amor?

O não merecê-lo não a faz menos amada. Também não faz que ela o ame mais. Só faz, talvez, que ele se ame menos, por chamar de amor a dor que sente. Por querer, por um instante, para ser amado, não ser quem é.

A dor de amor é aquela que nos faz querer vender a própria alma em troca de uma outra alma que nos faz sofrer. Portanto é um péssimo negócio. E, ainda assim, queremos realizar a transação, apesar dos evidentes prejuízos.

Essa é a beleza do amor, e também sua miséria: ele nos faz tramar contra nós mesmos, desejar a dor e até a morte. Faz esquecer nosso próprio nome, se for preciso. E dizer, como Romeu (Romeu e Julieta, ato II, cena II): “Dá-me o nome apenas de Amor, e ficarei rebatizado”.

Tomara que um dia desses meu amigo se depare, qual Narciso, com sua própria imagem num espelho-d'água e, reconhecendo sua beleza, caia de amores por si mesmo. Então sua hoje amada não será mais que um eco distante a repetir para todo o sempre o seu nome em vão ão ão ão ão ão...

Para merecer o amor de Leonardo

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Primeiro de outubro de mil novecentos e noventa e cinco.
Há dez anos atrás, num sábado de sol como hoje, eu conheci o amor verdadeiro.

Muito antes disso já sonhava com ele e sabia que, depois que o conhecesse, eu não seria mais a mesma.

Em janeiro ele resolveu que vinha, em fevereiro me avisou. Em agosto já era bem evidente que eu tinha o rei na barriga.
Enorme que estava, me sentia pequena e acho que foi por isso que escrevi este poema aí embaixo (de pouco valor literário, que meus neurônios estavam de licença-maternidade, inclusive mistura tu com você, o que minha mãe considera imperdoável, mas vale o registro sem revisões).

Passados tantos anos, surpreende que ainda me sinta exatamente assim:


davinciadorati.jpgQueria ser melhor pra você
Cantar mais, andar mais, amar mais
não ter medo demais
não chorar demais
Queria ser a melhor
pra merecer você
pra merecer essa magia de
sendo eu comigo
ser você
que deve ser tão melhor
mas me escolheu
pra te nascer
do meu umbigo

.

Dez anos de Leonardo, luz em forma de gente. Parece que foi ontem; parece que desde sempre.

Todo amor, Mãe.

.

Hoje, coincidência ou não, minha avozinha faria 100 anos. Aquela que declamava poesias enquanto arrumava a casa, que adorava contar histórias, que um dia quis fugir com o circo. A bênção, Vó Duca! Estamos por aqui contando histórias e lembrando de você.

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

meuemail: christiana ponto novoa arroba gmail ponto com

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