December 2005 Archives

~*~.~*~ Sarau de Natal ~*~.~*~

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christastree.jpg~*~.~*~.~*~.~*~.~*~

surpresas na ?ore de coment?os

abra esta
caixa e brin . qu . e
?ontade

*
*
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deixe pegadas

pelo ch?da sala

doces nas meias dependuradas

bonecos de neve dentro dos sapatos

prendas na lareira

sons na chamin?luzes na fachada
renas no telhado
c?de brigadeiro
ch?de rabanada

mas se voc?hega de m? abanando
tamb?n?tem nada
se apresenta a? :)

*
*
*

~*~.~*~.~*~.~*~.~*~

Tocata em fuga

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bm-v264.jpg


diáfana dafne eu ninfa árvore viraria helênica especiaria semideusa sobre louros deitaria para todo o sempre sua então seria se não estivesse me sentindo assim pra ser sincera tão como diria vítima um tanto indefesa desses olhos zeus de olivais olímpicos vultos divinais encantamentos fogos fatais inda ocultos e portanto fico meio arredia quieta no meu canto tímida e confusa
.
indecisa se diante disso tudo eu deveria ou não
.
tirar a blusa

Coelum

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heaven-part 2.jpg
D e u S o u
Só eu e nem
Doeu

Infernum

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lost-angles.jpg
sucumbo ao caos
aos maus, aos ônibus
oceanos sulfuriosos
não solvem súcubus

soçobram sombras
sob os escombros
sobram seus ossos
sangram meus ombros

socorram íncubus
incubem línguas
ímpias satântricas

kundalinis instantâneas

A cria? do mundo segundo Belben

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Olho de Deus.jpgLembra do Belben*, aquele meu irmão das histórias incríveis? Certa vez, quando eu era criança (e ele já era um adolescente, o que o tornava, a meus olhos, um ser superior) ele me contou que, em suas fantasias da infância, imaginara que o mundo era a caixa de sapatos de um gigante. A coisa seria mais ou menos assim:

Durante o dia a caixa ficava aberta e dava pra ver a lâmpada no teto do gigante, lá no alto.
De noite ele fechava a caixa mas fez uns furinhos na tampa – as estrelas – pra gente poder respirar. Depois ele achou pouco e fez um furo maior com o dedão – a lua.
A teoria não parava por aí. Ele me explicou, por exemplo, que o gigante ficava mudando a caixa de lugar, e que a posição da caixa com relação à lâmpada daria origem às fases da lua. Quando era lua cheia, é porque a lâmpada estava toda visível pela abertura. Quando a caixa se afastava deste ponto, a lua minguava, e assim por diante. Às vezes, só por distração, ele tampava com algum objeto a abertura e então tínhamos um eclipse. Volta e meia ele abria a tampa de manhã mas colocava um véu por cima e não podíamos ver a lâmpada: estava nublado. Às vezes também ele resolvia regar a caixa, pra chover. Gostava de fazer isso através do véu, pra distribuir melhor os pingos, mas às vezes tirava o tecido e nos regava livremente, fazendo os dias de chuva-e-sol que quase sempre formavam arco-íris em volta da lâmpada. E muito mais poderíamos pensar sobre nossa vida na caixa de sapatos do Gigante.

Eu achei essa idéia incrível, e que bem podia ser verdade. Pelo menos teria alguém cuidando de nós.
Lembrei do Belben quando fiz o poema da clarabóia, outro dia.

_________________________

(*) - sim, o link leva àquele post velho e surrado sobre o Belben, que você já está careca de conhecer. O texto continua o mesmo mas, pelo menos, foi repaginado: agora vem com fotos! Só pra provar (se é que você duvidava da minha insuspeitíssima opinião) que ele era, de fato, lindo. Quanto às outras qualidades mencionadas, já que eu não possuo as tais pílulas para trazê-lo à vida, você vai ter que acreditar na minha palavra mesmo.

A propósito, deu pra perceber que eu andei escaneando fotos antigas esta semana?

Comentário sobre a foto que ilustra este post: parece que o Gigante tem olho azul.

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Chuva

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chuva.JPG


A vida hai

A chuva cai

E eu aqui


.


.


.


Fotografia Felipe Goifman, 1987.

Momento Florbela

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chrisnovoa18.JPGPara ser franca, tenho que admitir: sempre achei estes versos a minha cara. Aliás, ainda bem que não fui eu que os escrevi, eu não me permitiria esta franqueza:


Versos de orgulho


O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.


Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !


O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
__O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...


Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.


Florbela Espanca, 1930.


Créditos da foto:
Fotografia por Felipe Goifman, 1987.
Modelo - eu, aos 18 (pensando que tinha 36).

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