Estou de volta de uma temporada em Angra dos Reis, o trepidante balneário dos ricos e famosos. Não sendo rica nem famosa, e pouco afeita à trepidação, confesso que não tenho muito o que contar.
Pretendia dedicar-me aos esportes náuticos, à alimentação equilibrada e ao bronzeamento, de modo que estaria de volta como a mais morena e glamourosa das pin-ups. Mas ocorre que choveu quase todo o tempo e eu acabei por me dedicar ao sono, à gula e à lassidão. Assim, terei sorte se tiver ao menos mantido o peso e a cor que ostentava antes.
Diante das condições meteorologicamente adversas ao culto ao corpo, ter-me-ia consagrado a elevadas atividades do espírito, como a leitura dos clássicos da Literatura e a escrita de textos densos e profundos. No entanto a coleção de revistas pseudo-científicas de meu pai atraiu-me mais que sua excelente biblioteca, e o dolce far niente na varanda frente ao mar suplantou o chamamento da escrita engajada.
O saldo cultural da temporada foi: 357 revistas, uma dúzia de DVDs (incluam-se aí "A Noviça Rebelde" pela enésima vez, uma temporada inteira de "Sex and the City" e outros títulos edificantes) e meio livro (vou dizer a meu favor que era um livro grossinho...). Escrevi um poema que, de tão ruim, jamais será publicado, e um texto medíocre que, após alguns retoques, talvez publique num dia de pouca inspiração.
Resumindo: continuo tão branca, gorda e burra quanto antes, só que um ano mais velha, já que nesse meio tempo aproveitei para fazer aniversário.
Por essas e outras é que eu AMO o verão!
Beijos saudosos a todos.