February 2006 Archives

Colombina de outros carnavais

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After_the_Carnival.jpgCarnaval, o aval da carne
Entrudo, o nome diz tudo
Momo é do balaco, Baco
Tem álcool pra todo mundo

Abram alas, foliões
Que o meu fígado é mais fraco
Sou meio ruim da cabeça
Meio doente do pé

Vejam só, quebrei o salto
E nem sei sambar direito
Não tenho piercing no umbigo
Nem silicone no peito

De tudo o que eu mais amava
Nos carnavais da infância
Dos bailes e das marchinhas
De máscara e fantasia

Não ficou mais que a lembrança
Qual confete e serpentina
Obstruindo os bueiros
Na quarta-feira de cinzas

As multidões se aglomeram
Como surtos se propagam
E os lixeiros é que pagam
A conta dessa folia

?abre alas

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tongue.jpgPra começar, a quem interessar possa, um breve relato da passagem do furacão Stones pela cidade, no último fim-de-semana:
Não, crianças, eu não fui!

Vou mandar fazer uma camiseta pra deixar de herança a meus bisnetos. Se até lá um Mick Jagger ducentenário ainda for ídolo pop, pode ser que eles me execrem por isso. Ou pode ser – e é bem mais provável – que não dêem a mínima. "Não foi aonde, bisa? Rolling quem?"

Assisti pela TV, do conforto do meu sofá. Peguei o show no meio, porque antes estava vendo um filme maneiro em outro canal, que não consegui saber o nome porque já estava começado. Tudo bem, quem liga para inícios? Os fins justificam os meios. Comecei pelo momento em que eles tocaram Wild Horses, uma música que eu adoro. Mas no meio daquela muvuca de Copa é que eu não queria estar, nem a cavalo.

A melhor coisa do finde foram @s amig@s de São Paulo – e do Rio também – que encontrei, e os novos amigos que conheci. Por falar nisso, onde estão os do Paraná que não vieram, ou será que vieram e eu não vi?
A Patrícia, minha amicíssima virtual que finalmente encontrei ao vivo, não aguentou as condições de temperatura e pressão do show e veio se refugiar aqui em casa; pegou o finalzinho pela TV. Donizetti, Viva e companhia chegaram mais tarde, Inagaki e respectiva trupe sucumbiram à exaustão pelo caminho.

Por aqui foi tudo ótimo, a noite estava linda e o papo, agradabilíssimo. Juntou-se a nós meu vizinho Bigode, cineasta, que trazia notícias da área vip. Viva (verdadeira locomotiva social da blogosfera) estava muda, mas trouxe sua linda e personalíssima filha Luna, que se expressava por ambas. Patrícia, que pegou no pesado na direção fazendo SP/Rio/SP em um único fim-de-semana, chapou no sofá da outra sala. Depois ficou com vergonha, imagina! Eu compreendo totalmente, sou ativista ferrenha em favor do sono livre. Acho que todos deviam dormir muito para ter mais saúde, melhor humor e consumir menos. Dormir é uma atividade pacífica e ecológica, diria mesmo revolucionária! A tirania da produtividade maníaca tenta patrulhar este nosso direito fundamental, impondo que a gente faça tudo, se informe de tudo, leia tudo, vá a todos os eventos e conheça todo mundo.
Conhece-te a ti mesmo, já dizia Sócrates. O sono é uma atividade solitária, pessoal e intransferível, portanto um excelente momento para se conhecer. Mas isso já é outro assunto.

A misantropa

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crowd_control.jpg
Eu acho que sempre tive a tendência - vide relato do Rock in Rio - mas estou piorando com a idade. Deve ser culpa do meu signo de Capricórnio que, ao que parece, condena seus portadores a idiossincrasias incompatíveis com a vida em sociedade ou, em outras palavras, a uma chatice crônica. Sou fresca, vá lá, comodista, desanimada, alienada, careta.
Mas o fato é que pessoas só me são administráveis em quantidades moderadas e, mesmo assim, por tempo limitado. Maratonas de aglomeração, tô fora. O povo é o demo, já sabiam os gregos.

Anteontem morreu gente em São Paulo em tumulto por causa de uns famosíssimos RDB que eu, em minha bendita ignorância, nem sabia que existiam.

Sinceridade; eu não simpatizo com o demo. Roquem-se e rolem-se à vontade mas não me chamem.
Stones em Copa?? Nem que fosse no tal do curralzinho vip, última novidade em pecuária de celebridades.

Chic é estar na santa paz do lar a uma hora dessas. Vou assistir pela TV, tomando cervejinha gelada e comendo pipoca de microondas. Do mesmo jeito que eu assisto à inauguração da árvore de natal da Lagoa, à queima de fogos no réveillon e outros espetáculos demo-cráticos.

Trovas d'?as ou Choro muito e rio ?oa

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waterbuffalo.jpgjogaram um bebê no rio
lixo tóxico no mar
derrete o gelo polar
na europa, morrem de frio

na amazônia o rio seca
no rio, cai um toró
ontem fui no itororó
beber água, não achei

míngua o rio são francisco
uns querem transpor, uns não
se é bom ou ruim, não sei
não sei se vou ou se fico

navegar é impreciso
eu preciso de algum norte
um mote pro improviso
uma jogada ensaiada

rumo pra minha jornada
leme pra minha carcaça
remos pra minha canoa
velas pra minha jangada

a correnteza é mais forte
me arrasta, me leva embora
ninguém escapa da morte
não sei se rio ou se choro

Stern-in-Shadow-w.jpg
.


(meio instante estanca o rio
um barco atraca na margem
pra admirar, de passagem
meus olhos a ver navios)

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

meuemail: christiana ponto novoa arroba gmail ponto com

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