July 2006 Archives

Chora o Palh

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palhinterior.jpgChora escondido o palhaço
Chora de dor, de cansaço
Espantalho da tristeza
Rebotalho da alegria
Guardião da velha graça
Patética alegoria

Cor viva no chão da praça
Dá-se ao riso de quem passa
Farol de fogo de palha
Nariz de chorão paspalho
Roupa larga de retalho
Cabelo palha de aço

Trabalho que é passatempo
Tempo perdido no espaço
Dramaturgo do ato falho
Maestro do destempero
Vai de encontro ao contratempo
Apanha e corre pro abraço

Faz dublê de contra-regra
Lanterninha e bilheteiro
Improvisa, quebra o galho
Se um colega quebra a perna
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Quebra a cara, rouba a cena
Pra distrair a audiência
Coringa do picadeiro

Pena que esta clown-ciência
Não tem, na cena moderna
Espaço em altos salões
No meio da gente séria
Pois rir da própria miséria
É a riqueza dos bufões
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Mas diz-se à boca pequena
Que chora o pobre palhaço

Uma rosa ?ma rosa ?ma rosa

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chrisflor.jpg"Queixo-me às rosas

Mas que bobagem

As rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti


Ah

Devias vir... "

(Cartola)

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Foto por Ana Beatriz Occhioni
Jardim Botânico/ Julho 2006

Fantasia nº 1: Odalisca

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rosa.jpgEm apenas uma noite eu te faria mil e uma
Xerazade tiraria cada véu
Como se fora o último e o primeiro
Como se ouvira o cântico dos cânticos
Nunca chegando à queda do momento derradeiro mas súbito ao salto
Pro alto e ainda não ter paradeiro essa dança do ventre acima embaixo entre
Que nos promete desde muito antes mares infinitos mundos além aqui e tanto tanto
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Que mesmo que sem procurar já encontrando
Líquidos sempre novos primitivos lúbricos movimentos músicos bailarinos abstratosféricos pulsares cósmicos rítmicos caleidoscópios senso-imaginários nossa surpreendente mágica arabesca estória sem roteiro estrito nem trama amarrada fio solto da meada nenhum fim aparente ou começo exato
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Então a cada anoitecer retomaríamos o nosso ato
Uma outra vez e cada vez mais sim
Porque era assim, ó meu sultão amado amante amigo
Que estava escrito e muito bem descrito o fato
Num tapete voador que eu teci num sonho antigo
E ainda me lembro só porque era tão bonito

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Fantasia nº 2 : Gueixa

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normal_47849_photo.jpg

Ah, gueixa eu ser sua
…deixa

Arigatô gozeimaixtá

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Fantasia nº 3: (surpresa)

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hibisco.jpg

~ ¿? ~

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Retrato das artistas quando jovens

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soneca72.jpgAs lindas fotos de flores que ilustram os posts acima foram tiradas pela minha talentosa amiga Ana Beatriz Occhioni, que conheci na adolescência (ela estudava com minha prima), depois reencontrei na faculdade e veio a ser, mais tarde, minha sócia na saudosa A Pedra Filosofal, uma simpática loja de cristais e pedras que tivemos no Leblon.
O curioso é que, com vinte e tantos anos e já sócias, quase caímos pra trás um dia ao deparar com esta foto aí ao lado, de 1972, que nos revelou que nossa história começara muito antes do que supúnhamos: estudamos juntas aos três anos, no Jardim-Escola Soneca, e mais: éramos melhores-amigas!
Eu lembro perfeitamente da Aninha, uma menina muito boazinha que tinha 3 pulseiras plásticas (uma vermelha, uma laranja e uma amarela) que batiam uma na outra e faziam "tac-tac-tac". A Aninha era tão gente-fina que me deixava usar seus coloridos braceletes a maior parte do tempo, e você sabe como esse tipo de generosidade pode ser difícil para as crianças. Mas a Bia (como ficou conhecida mais tarde) já era um espírito superior, e eu ficava sacudindo as pulseirinhas o dia todo, "tac-tac-tac". Como poderia esquecer de alguém tão especial?
Nesta foto julina, a Aninha é a única sem chapéu. Ela estava um pouco chateada pela falta do adereço, segundo me revelou. Estamos afastadas na foto porque nos organizaram por altura, embora haja controvérsia ali pelo meio e uns meninos tenham se imiscuído no quadro, o que não estava nos planos iniciais. Eu pareço resignada em minha posição: sou a última e menor à direita, com o dedo no nariz. Também estava um pouquinho amuada porque, embora minha mãe me tivesse providenciado um chapéu (além da sainha mais curta da escola), o meu não tinha aquelas tranças acopladas que alimentavam meus sonhos de Rapunzel, já que meus cabelos curtos só podiam ter tranças nas festas caipiras. A Bia, que tinha os cachos tosados como os meus, também queria chapéu com tranças, claro! Que mães insensíveis as nossas, será que nunca tiveram 3 anos?
Tirando o fato de que ela era metros mais alta do que eu (e é assim até hoje), no mais somos parecidas em muitas coisas: capazes de nos emocionar com um show bem rasgado da Maria Bethânia, ou com a simples visão de uma flor no Jardim Botânico. Ah, e ambas deixamos nossos cachos crescerem.
Às vezes ficamos meses sem nos falar, às vezes falamos 5 vezes por dia, por anos. Na verdade não importa, o que nos liga é que conseguimos compartilhar muitas visões e sentidos, às vezes sem nem precisar falar.
Assim, de certo modo, eu sinto as fotos da Bia como as que eu faria, se tivesse o seu talento para a coisa.
Vão lá na página dela e deslumbrem-se com as imagens!
Digam a ela que a maricotinha mandou um beijo. tac-tac-tac.

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