June 2008 Archives

festajun.jpg

Quadro de Lucas Penacchi

Amigos do coração,

eu venho por meio desta

convidá-los pr'uma festa:

um sarau de São João.

 

A festança é no arraial

novoaemfolha.com.

O endereço é virtual

mas o ambiente é bom.

 

Não tem ladrão nem quadrilha,

só poetas de família.

Não tem fogueira ou balão,

só a luz da inspiração. 

 

Não tem quentão nem cachaça

mas, para espantar o frio,

tem repente, desafio 

e rimas cheias de graça.

 

Se você tem um minuto,

passe aqui pra ver se gosta.

Diga um verso, que eu escuto

e versejo uma resposta.

 

Se achar que foi divertido,

comovida, eu lhe convido

a retornar para o bis.

Um beijo e até logo, Chris.

 

.

2dolls.JPGQuando eu nasci, minha prima tinha 6 meses. Filha caçula da única irmã do meu pai, ela foi minha primeira amiga e também adversária nas primeiras disputas, brigas de unhadas e puxôes de cabelos nas quais eu, via de regra, levava a pior, já que, além de mais nova, nasci prematura e era mirrada, fracota e chorona. Os anos foram passando e continuamos unidas como unha e carne (leia-se a unha dela na minha carne e vice-versa, mas beleza, faz parte).       

Gostávamos de dizer que éramos primas-gêmeas, embora fôssemos quase opostas fisicamente, eu de cabelos castanhos, curtos e cacheados, ela de longa cabeleira loira e lisa - alvo da minha inveja mais primária. Passamos juntas pelas delícias e agruras da infância e da adolescência, sempre gêmeas, sempre diferentes, eu magricela e despeitada, ela curvilínea e desenvolvida, dona de um belíssimo par de peitos - novo objeto da minha inveja, agora secundarista.

Além de compartilharmos família e amigos, nossos interesses iam sempre na mesma direção: eu comecei a aprender piano, ela se empolgou e foi aprender também, prestamos juntas o vestibular pra comunicação na puc, que ambas trancamos pra fazer teatro, e depois ainda teve a história dos maridos... lá pelos 18 anos, começamos a namorar dois colegas do teatro, amigos entre si. Namoramos com eles muitos anos (e terminamos e voltamos a namorar umas tantas vezes) até que casamos, com 15 dias de diferença, uma madrinha da outra.

Então a vida nos afastou um pouco, não sei bem por quê, acho que ela também não, parecia que nossos interesses tinham ficado diferentes. Eu parei com o teatro e abri uma loja, depois me formei em psicologia, ela resolveu ser atriz profissional e fazer novela, eu tive filho, ela não, eu me separei, ela não. Morávamos relativamente perto mas deixamos de nos ver, as ligações ficaram reduzidas a natal e aniversários. Ainda que, depois da gravidez, meus peitos tenham finalmente dado o ar de sua graça e que a brancura incipiente dos meus já longos cachos me tenha feito adotar uma tintura quase-loira, nossa gemelidade, aparentemente, se perdeu na noite dos tempos. 

Semana passada ela fez aniversário, era o dia da ligação anual. Mas eu não tinha mais o telefone dela, então resolvi mandar um email. Daí me deu uma puta saudade e escrevi quilômetros contando a vida, a mudança pra São Paulo, o emprego novo, etc. Soube por parentes que ela tinha se separado no último ano e pedi uma atualização completa. Uma semana se passou e neca de resposta, achei que ela tivesse me riscado definitivamente de seu caderninho. Até que chegou a missiva, com as desculpas pelo atraso porque enderecei a mensagem pra uma caixa postal semi-inativa, juras de saudades correspondidas e a requerida atualização dos últimos tempos. Trocamos MSNs e, no mesmo dia, falamos horas, quase uma tarde inteira. Botamos a vida toda em dia, notícias da família de um lado e de outro, mas a melhor novidade é que ela agora está escrevendo. Eu já sabia que ela levava jeito pra a coisa desde criancinha, então dei a maior força e sugeri que ela fizesse um blog.

Hoje recebi email dela avisando que seguiu meu conselho e apresentando seu recém-inaugurado sítio. Fui lá e morri de rir com as histórias, me emocionei... fiquei super orgulhosa, ela é muito boa nisso! Também fiquei feliz porque, escritoras e blogueiras, estamos gêmeas de novo.

Passem lá pra conhecer a Macaia e digam se ela não é a minha cara. 

sunset_dreams_01.jpg sunset_dreams_02.jpgpara guga

.

o amor que a gente faz

surpreende que ainda soe 

perfeito como sói

suspeito até que mais

tanto tempo depois

adoro como sois

poente como sóis

queimando ardendo em nós

dois 

 

 

imagens: Benn Flemming

 

alegriacirq.JPGEstava na padaria ontem à noite, quando um grupo de universitários passou por mim, conversando. Um deles, gorducho como um pachá, proferiu a estranhíssima sentença, enquanto devorava uma baguete: "Não tem nada que eu deteste mais nesse mundo do que o Cirque du Soleil.". Ao que um outro, de físico igualmente empanzinado, completou, roendo uma rosquinha: "É odioso!..."

Eu, hein? Sei não, mas acho que pão e circo andam fazendo mal ao povo.

 

** Grafia corrigida pelo meu querido e cultíssimo amigo Idelber Avelar, consultor deste sítio para assuntos polêmico-lingüísticos.

Thumbnail image for marilyn_warhol.jpgQuisera eu fazer este soneto

Como quem faz desenhos na areia:

Traça uma linha a ponta do graveto,

Sobe a maré, apaga linha e meia.

 

Dos versos presunçosos que cometo,

Quero escrever, bem antes que alguém leia,

As letras em nanquim no fundo preto

Que, assim, a coisa fica menos feia.

 

Mas nem sempre a censura funciona,

Tem um sopro rebelde que me escapa

E, à minha revelia, vem à tona.

 

Debalde meu esforço, um mau poema

Liberta-se do escuro, à socapa,

Mata a família e estréia no cinema. 

 

 

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

meuemail: christiana ponto novoa arroba gmail ponto com

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