o branco do olho pinta
na pálpebra um arco
íris
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o branco do olho pinta
na pálpebra um arco
íris
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Outro dia uma amiga querida que escreve lindamente comentou que odeia quão, opinião compartilhada, ao que parece, pela maioria expressiva da blogosfera. Qual não foi minha vergonha, eu que adoro a moça e prezo muitíssimo sua opinião, mas devo confessar que sou de usar esse e outros tantos termos anacrônicos. Principalmente agora que, por razôes profissionais, sou obrigada a redigir com a riqueza vocabular de um surfista de 13 anos. Alimento secretamente o desejo de começar um conto assim:
Assis andava assaz assoberbado. Tão pouco tempo tinha para ir à botica, quão menos para dissipações tais como prosear com Dona Crisálida. Quiçá pudesse cortejá-la em tempo mais propício, no entretanto andava esbaforido e pouco propenso a proferir piropos e outras graciosidades com que a cumulava em dias de antanho. Preferiu outrossim manter-se alheio, em silêncio pétreo, o que muito contritou a outra cálida senhorinha Crisálida...
Isso foi só pra explicar, ao menos em parte, o estilo démodé (ou deveria dizer déblogué) que grassa neste sítio, muito bem ilustrado, aliás, pelo poema abaixo. E antes que os amigos se preocupem pelo tom dramático do mesmo, devo advertí-los de que se trata de um exercício de exagero poético, devo ter ouvido um fado furtivo por aí e quedei-me assim, profuuuunda.
Ai, meus sais.
é o mar em mim que não sei onde barco
nem bem quem sinto com essa maré tanta
onda me perco inda que leve a fundo
ao cabo tudo que a corda arrebenta
.
toda tormenta tem sua bonança
cada criança tem o seu instinto
singrar na unha o espesso oceano
por vir ao ar mesmo que um fio parco
.
enfuno em claravela o ar retinto
semeio tempestade colho in vento
desvendo o verbo que replanta o mundo
derrame de água-benta em terra santa
.
imagem: piers brown
Meu amigo Dado, que não é o Dou-na-bella mas de quem já falei aqui e ali, está lançando seu primeiro e aguardadíssimo livro de poemas.
A festa-de-autógrafos rola na terça, a partir das 19h, no Sérgio Porto, sede original do Cep 20.000, movimento poeticoperformúsico carioca que ele ajudou a fundar. Vai ter falação de poesia, música e interveção do Boato, a antológica banda-acontecimento que ele integrou nos anos 90, e que hoje em dia só se reintegra em ocasiões especiais como esta. Eu vou.
Quem quiser encomendar o livro pode mandar um email pra gentilezaarrobagmailpontocom, que ele dá um jeito de mandar, autografado, claro, só esqueci de perguntar quanto custa, quando souber atualizo aqui.
Aproveita e pede logo vários que o natal tá chegando, amigo oculto, poesia é sempre um bom presente e eu já gostei do olho, acredita que é dele? O poeta fala por si:
no dia em que eu publicar um livro
de que matéria serão suas páginas,
de carne?
para que o verso seja desenhado
pelo rastro do verme?
que arte, que artefato será usado
para confeccioná-lo,
o livro que eu um dia porventura
publicar?
letras de salitre em páginas de pedra,
fezes de gaivota nos rochedos do oceano,
pele do sexo bordada no pano,
página de esmeralda, letras em urânio
a superfície do texto traçada toda
no meu crânio, porrada por porrada,
ano por ano,
até brotar crescer florescer
gerar
gerânio.
Dado Amaral
ateorema inequação
e-nigma insanalógico
fórmula única insolúvel
amalgarismo vírgula dígitos infinitos
esquadratura do círculo
raiz incúbica de pi
se faz de conta
me explica tudo
expressa de modo preciso
quão desmedido
o que impermanece
incógnito
Bravos
Aplausos
Retumbam
Abraços
Cruzam
Kilômetros
Outra
Bandeira
Agora
Move a
América
America, we have come so far. We have seen so much. But there is so much more to do. So tonight, let us ask ourselves -
if our children should live to see the next century...what change will they see? What progress will we have made? This is our chance to answer that call. This is our moment. This is our time -
to put our people back to work and open doors of opportunity for our kids; to restore prosperity and promote the cause of peace; to reclaim the american dream and reaffirm that fundamental truth -
that out of many, we are one; that while we breathe, we hope, and where we are met with cynicism, and doubt, and those who tell us that we can't, we will respond with that timeless creed that sums up the spirit of a people:
Yes We Can.
(Barack Obama)
Junto-me ao júbilo e às lágrimas dos amigos que estão lá, testemunhas dessa promessa luminosa em meio à espessa treva do horizonte.
Aos amigos preocupados com a saúde do meu pai, venho informar que, no dia de São Judas Tadeu, ele voltou à vida, como que por encanto. Ainda que milagre não tenha explicação, este teve: demissão da equipe médica e conseqüente redução dos remédios. Ou seja, a pessoa estava envenenada.
Devidamente desintoxicado, o mudo falou, o paralítico andou e o enfermo, enfim, ressuscitou, contrariando todos os prognósticos. A família respira aliviada e meu pai, mais ainda, livre da sonda nasogástrica, entre outras torturas.
Com a doença, a gente vai se entendendo. Dos maus médicos, só o santo nos salva.
Valei-nos, São Judas!
E agradecida pela graça alcançada.