À falta de fantasia nova para minha misantropia - e na ausência de alguma súbita disposição foliã que me prenda a esta cidade maravilha purgatório da beleza e do caos - deixo uns versos de tempos atrás fazendo as honras da casa durante meu retiro momesco, onde somente o amor há de me lançar perfumes.
carnaval : o aval da carne
entrudo : o nome diz tudo
momo é do balaco, baco
tem álcool pra todo mundo
abram alas, foliões
que o meu fígado é mais fraco
sou meio ruim da cabeça
meio doente do pé
vejam só, quebrei o salto
e nem sei sambar direito
não tenho piercing no umbigo
nem silicone no peito
de tudo que eu mais amava
nos carnavais da infância
dos bailes e das marchinhas
de máscara e fantasia
não ficou mais que a lembrança
qual confete e serpentina
obstruindo os bueiros
na quarta-feira de cinzas
.
as multidões se aglomeram
como surtos se propagam
e os lixeiros é que pagam
a conta dessa folia
Imagem: Degas - Arlequin et Colombine

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