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entre tenentes ateus
e dementes a deus
eu sou
maiZeus
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entre tenentes ateus
e dementes a deus
eu sou
maiZeus
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Meu Twitter: @chrisnovoa
*
a estrela-dama
ve'nua
sem nuvem sem véu
sem luva
*
chamando o sol
pra sua
cama redonda
carrossel
*
dossel da boca
palato
teto estrelado
da vulva
*
luz volta ao mundo
ascende
faça sol ou raie
chuva
,
dalva-estrela-guia
anuncia
que só o amor salva
o dia
*
* Astrologia ensina: "Quando Vênus se eleva, o Sol não tarda." Alvorada!
*
Imagem: O nascimento de Vênus - Sandro Botticelli
*
*
Eu tenho essa musiquinha na cabeça há um bom tempo: panãpanã~panãpanã~panãpanãpanãpanãpanã.
(Pra quem não está ligando o nome à pessoa: panãpanã - ou panápaná, há controvérsia - é o coletivo de borboleta.)
É uma musiquinha muito simples, como todas as musiquinhas que ficam voejando na cabeça. Mas devo admitir que não sei escrever as notas, então preciso que você componha a melodia.
Compasso binário; andamento allegro molto. Andiamo:
uma borboleta só
não faz manhã
~
borboletas juntas são
panãpanã
~~
panãpanã panãpanã
panãpanãpanãpanãpanã
~~ ~ ~~
panãpanã panãpanã
panãpanãpanãpanãpanã
fotos guga alayon
a manha é ser luz
sol que move a si mesmo
se a manhã chove
,
a noite tece
teia de orvalho em vaga
l'umidescência
;
ò
graça
que não se esgota
,
mistério
que não se explica
:
quanto mais sério
fica
,
mais a gente
goza
!
Poesia não se ensina
,
se oficina
.
>>>INFORMAÇÕES AQUI <<<
.
Agradeço a quem puder linkar, compartilhar, retuitar,
ou simplesmente falar com os amigos.
#espalhem a boa nóvoa :)
meu olho cego lê camões
com as mãos
;
o olho que molha o mar
fi-lo sophia
;
meu olhar de florbela
espanca
;
por me olhar por outra
pessoa
;
o poema que me olha nos olhos
lê minski
.
(As partes sublinhadas são links para alguns poemas que vivem conversando aqui, em meu íntimo solar. Clique e veja/ouça aí no seu.)
foto: eu por mim mesma
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a mulher do ferreiro pensa
que o espeto de pau compensa
a falta do vil metal
.
um olho do meu pai é verde da cor exata do mar, que muda de chumbo a esmeralda conforme chova ou faça sol. o outro é da cor do céu azul com nuvens brancas.
foi meu pai que me ensinou a nadar no mar, depois da arrebentação, e eu não sei se aprendi. aprendi a segurar no pescoço dele quando vinha a onda porque, estando com ele, nada de mau podia me acontecer.
meu pai sempre vai me lembrar vento, vela, barco, caminhos do tigre, viagens ao léu. frutos do mar, dias de sol, chuva no convés e o meu pai no leme, o olhar longe no horizonte. ou tropeçando na âncora, se enrolando nos cabos, dando topada e praguejando. tenho muito a quem sair.
meu pai também me lembra uma enciclopédia, um almanaque do abacateirol, um compêndio de história, um caderno de estórias que agora estão molhados, se desfazendo e não vou mais poder folhear. causos de família à mesa, citações em latim, resposta pra tudo, pra quase tudo. no quase é que mora o perigo.
nesse momento em que escrevo ele está quase morto, foi o que disse o médico, o corpo não está mais respondendo. eu não sei o que é isso, parece quase tão definitivo quanto a morte, mas tem uma coisa que ainda persiste, a vida, o que quer que isto seja. mas ele não tem mais respostas.
meu pai sempre foi difícil, fácil de amar por ser tão único. o mais bonito, o mais inteligente, o mais meu pai de todos os homens do mundo. não por acaso, foi muito amado, para o bem e para o mal. o amor, no fim das contas, é sempre para o bem, e sei que meu pai será perdoado por todos os seus predicados e desvirtudes, amém.
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update: meu pai morreu às 5:30h de hoje, 19 de dezembro de 2008.
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O texto acima foi o último que escrevi pro meu pai. Este é o primeiro dia do pais que passo sem ele. Na época não tinha fotos dele, agora encontrei estas.
Na ocasião também não lembrei de dizer que a expressão do título, "bonito como nome de barco", foi tirada de uma peça de Nelson Rodrigues que adoro, A Dorotéia.
Feliz Dia dos Pais a todos!
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meu tímpano grita
nesse urbano labirinto
trompa
!
de eustáquio
.
eu estou aqui ó
:
ouvindo um dizzy no rádio
;
vivendo o dia-a-dióxido
da cidade
tóxica
[essa tribo daqui
brita paca
bate estaca
ataca
martelo.bigorna.estribo]
{eu cá toda cóclea
concha búzia caramuja
roca semifusa
des-fio re-cordo longos estribilhos
com meus caracóis}
}dóem-me os ruídos
mas ao caos
sou toda ouvidos{
a noite sampa
e eu rio
o que não cala
( )
trago um silêncio
escondido dentro
da mala
.
Filme Guga Alayon