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Monthly Archive for December, 2012

o abismal

  sob a fina espessura humana tem um furo de infinita fundura   não passa a luz nem o escuro não passa   não tem submarino que possa com o fino da fossa das marianas   o nó da garganta a fenda do poço o findo caminho   ,   o oco da santa a […]

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o dervixe

  degrau em grau o discípulo dança   move-se em círculos no mesmo lugar contudo avança          

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    branco é o buraco negro que engole o meu olhar sanpaku        

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chuá

  mergulho no azul , lavo o sol que me ilumina   ;   dia de piscina      

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  vi pirilampos no ipê do meu quintal : árvore de natal      

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o quasar

  sonho uma estrela pura aura bólida pulsando o espaço   luz que sol vê-la me deixa lua sem terra à vista   objeto em órbita sou eu na sua assim de soslaio   trajeto é um traço o raio que dista do seu abraço        

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a onda

  vaga no mar divago   devagar apago o pesar da minha fita   meditar me edita      

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o incenso

  o ar da sua graça dá e passa   escurece você  some fumaça no breu   sua ausência não consome o aroma de romã da minha casa   sua cinza é vã   meu amor a brasa sou eu     .

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o ó

  essa vida só não é pão-de-ló rala o mocotó   levo no gogó sem goró nem pó sem forrobodó   calo o quiproquó teço o meu filó dou ponto sem nó   porém tenho dó de não ter xodó … ó!   canta o curió abre-se abricó meu borogodó           […]

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a dama de paus

  valete de copas perdido num castelo de cartas de amor   uns 7 copos de vidro sobre capas de disco voador   um quartzo rosa pra vencer o medo   um dedo de prosa num guardanapo   um anjo sem braço ornado com um laço de esparadrapo   ,   no caos do quarto me […]

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o exercício

  perdoar é perder o ar   deixar você deixar rolar dizer poesia   se não pode prender a inspiração , assopre-a   …   expirar é morrer   ;   solidão é o prazer da minha imprópria companhia                

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a porcelana

  um haicai de cada caco faço do estrago mosaico    

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a caça

  a fome de um homem mostra o seu dente marca o seu nome   :   a carne não mente você é quem você come          

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o arrebol

  quando o dia vinga e inda vaga a lua unha sobre a teia tênue de luz , vênus se insinua o astro-rei se inflama , o mar uma língua treme sobre a areia líquidos sedentos , obscenos os ventos com suas mãos redondas arrepiam ondas como corpos nus , a terra uma cama onde […]

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zenão

  perde o alvo quando mira forja o arco enquanto atira fura e salva cura e ferra   flecha objeto troço metálico fálico tóxico quando pára é paradoxo quando mudo berra   ;   se o voo é a meta o amor sempre acerta mesmo quando erra a seta      

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frente e verso

  um muro com um só lado não é coisa que se pense   ¿ acaso ou fado ?   o futuro a dois pertence    

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o túmulo

    a palavra viva que me salvaria natimorta esfria na tua saliva        

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vestígios

  o céu deixa um pedaço de si na poça depois da chuva   e a boca fica roxa depois do picolé de uva   na contramão da sua rua perdi um pé do meu sapato   no bolso de um velho casaco achei minha mão na sua luva        

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! eparrei

  onde é breu meu traço brilha   como aço dando um talho na manhã   não nasço eu raio   filha de iansã        

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o tricot

  novelos de versos idos em dias meus fios cumpridos   tessitura de cabelos tecidos dispersos   escura matéria morta que tudo embrulha   é muita linha torta pra pouca agulha        

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o enxoval

  soubera eu bordar fazia uma colcha amarela e roxa para a noite e o dia   de um lado eu dormia do outro era rede no meio era verde no fundo era o mar   uma colcha ancha roxa e amarela bordada de concha no fundo uma pérola        

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a água

  a substância de que sou feita é a lembrança de um entressonho da infância que diluo   sou o que suo o que sangro o que choro por cada poro   ora rio ora morro   ora escorro ora evaporo o oceano   ser o mar é meu humano brinquedo   desde cedo tudo imerso nada […]

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