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Monthly Archive for May, 2013

a vigilante

  minha vigília é trocada viro noite sem remorso almoço de madrugada   canto danço queimo lenha que mantenha as estrelas despertas (mesmo sem vê-las)   nas horas desertas apanho e espalho poesia   mas é de dia que eu mais trabalho   no turno diurno eu durmo sem descanso   sonhos estranhos bonitos pelos insones aflitos   […]

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a fermata

  do que falo a melhor parte é o intervalo   o vazio é uma arte sem bordas   não há som no aço o que vibra é o espaço entre as cordas   ,   se a palavra demora o silêncio é a causa   a música mora na pausa      

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o mandacaru

  cactos têm flor de mil pétalas finas como fitas   e espinhos escuros retos duros e exatos   para espetá-las tão bonitas como furos   o impacto da dor nas retinas dos insetos        

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a poeta

  poeta é quem poetiza.   fazer gênero, não precisa.      

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a lição

  o bem me bela o querer me querela o amar me amarela   a morte me mortadela a metrópole me atropela o porto me portela   o estro me estrela o mar me mela o rei me rela   o ser me sela o teu me tela o eu me ela       […]

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o instantâneo

  , o todo por exemplo do lodo ao lótus contemplo   meu templo é amplo refúgio de samurai relógio de sóis remotos   (e os outros e você vendo mortos na tv)   meu tempo a sós não se vê não sai em fotos      

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o tao

  à tardinha o mar é zen um refresco de groselha um barquinho e mais ninguém   segue em paz meu coração meu caminho é bossa-velha   um violão bem baixinho um chão de areia um banquinho um ancinho um ancião    

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olho dágua

  água me turva a vidraça e já nada vejo   e não me protejo dessa chuva que nunca passa   quando choro não gotejo escorro esguicho   quando amo incho e me esparramo sem socorro   não sou dura na queda qualquer pedra me perfura   o chão me quebra mas de secura é que eu […]

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o manacá

  de uma queda fui ao chão   coração aberto um rombo e essa dor que não estanca e ainda me toma   ;   o mesmo tombo que fere me oferece uma flor roxa   :   um hematoma à flor da pele branca da coxa              

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o tritão

  viria a nado nadando costas vestindo nada   dar com os costados à orla da ilha à enseada   onde eu prostrada em pedras de joelhos   as mãos em concha postas em ostras como pétalas   pesco as escamas seu corpo em postas em chamas   pisco nas pregas das pálpebras   no […]

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o dragão

  uma indiferença tão sincera fere dilacera o coração dessa quimera   uma fera imensa cai ao chão a cada vez que você não me pensa        

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o renitente

  termino e recomeço o penúltimo ensaio da inúmera carta ; assino e endereço ao raio que o parta      

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a maresia

  a baía é um ventre pra um barco que entre onde o vento alisa   o poente é uma brasa que se esfuma na bruma imprecisa   ilha dos amores traga o sol de alhures na salgada brisa   que um doce perfume de flor e estrume molha e fertiliza      

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o poleiro

  na praça crianças escalam os galhos de árvores idosas   lenhosas mansões de copas frondosas troncos centenários   lar de gerações de abelhas canários   e velhas lembranças de outrora pirralhos      

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