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coraline1.jpgPoesia pura, o filme Coraline, animação de Henry Selick sobre o livro de Neil Gaiman. A caprichadíssima cena inicial, da "reciclagem" da boneca pela aranha, já remete a uma série sem fim de analogias entre a costura, a narrativa - trama, enredo, novela etc - e a própria vida. A artrópode sinistra também me trouxe à mente as figuras mitológicas das três parcas, fiandeiras de destinos: uma fia, outra tece, outra corta.

E uma (nem tão) nova história (re)começa.

Coraline, cujo nome contém as letras de Alice, também segue um roedor, passa por uma portinha e adentra um mundo paralelo e maravilhoso, para só depois perceber que está num lugar estranho onde uma mulher poderosa e terrível quer lhe cortar a cabeça (no caso, os olhos).

Mas não são todas as histórias um mesmo sonho reciclado?

Nos dois apartamentos vizinhos ao de Coraline, no casarão, temos o domador de ratos e as duas irmãs atrizes (que me lembraram um continho delicioso de Cora Coralina, poeta-tecelã, o que me levou ao trocadalho do título). Os personagens, ora decadentes, ora espetaculosos, descortinam o encantamento dos universos do circo e do teatro, justamente os ancestrais do cinema nas artes e manhas da ilusão.

No "outro mundo", todos parecem melhores: mais jovens, perfeitos e encantadores. Só que têm botões no lugar dos olhos.

Todos, menos o gato (de Cheshire?), o único que, como ela, tem olhos de verdade e é capaz de transitar entre os dois mundos. Sonhos lúcidos são para poucos, afinal quem consegue manter os olhos despertos diante da sedução das imagens criadas por nossos próprios desejos?

Coraline é um pesadelo lindamente tecido em cada detalhe. Sensível, inteligente, triste e gracioso como toda criança solitária que, para escapar ao tédio, cria mundos e abismos em si mesma. 

 

 

 

 

  

 

o branco do olho pinta

 

na pálpebra um arco

 

íris

 

.

 

 

 

 

 

 

 

déblogué

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Outro dia uma amiga querida que escreve lindamente comentou que odeia quão, opinião compartilhada, ao que parece, pela maioria expressiva da blogosfera. Qual não foi minha vergonha, eu que adoro a moça e prezo muitíssimo sua opinião, mas devo confessar que sou de usar esse e outros tantos termos anacrônicos. Principalmente agora que, por razôes profissionais, sou obrigada a redigir com a riqueza vocabular de um surfista de 13 anos. Alimento secretamente o desejo de começar um conto assim:

Assis andava assaz assoberbado. Tão pouco tempo tinha para ir à botica, quão menos para dissipações tais como prosear com Dona Crisálida. Quiçá pudesse cortejá-la em tempo mais propício, no entretanto andava esbaforido e pouco propenso a proferir piropos e outras graciosidades com que a cumulava em dias de antanho. Preferiu outrossim manter-se alheio, em silêncio pétreo, o que muito contritou a outra cálida senhorinha Crisálida...

 

Isso foi só pra explicar, ao menos em parte, o estilo démodé (ou deveria dizer déblogué) que grassa neste sítio, muito bem ilustrado, aliás, pelo poema abaixo. E antes que os amigos se preocupem pelo tom dramático do mesmo, devo advertí-los de que se trata de um exercício de exagero poético, devo ter ouvido um fado furtivo por aí e quedei-me assim, profuuuunda.

Ai, meus sais.

água-tinta

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silg.jpg

é o mar em mim que não sei onde barco

nem bem quem sinto com essa maré tanta

onda me perco inda que leve a fundo

ao cabo tudo que a corda arrebenta

 

.

 

toda tormenta tem sua bonança

cada criança tem o seu instinto

singrar na unha o espesso oceano 

por vir ao ar mesmo que um fio parco

 

 

enfuno em claravela o ar retinto

semeio tempestade colho in vento

desvendo o verbo que replanta o mundo

derrame de água-benta em terra santa   

 

 .

 

imagem: piers brown

Olho nu

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Thumbnail image for Thumbnail image for olhonu.JPGMeu amigo Dado, que não é o Dou-na-bella mas de quem já falei aqui e ali, está lançando seu primeiro e aguardadíssimo livro de poemas.

A festa-de-autógrafos rola na terça, a partir das 19h, no Sérgio Porto, sede original do Cep 20.000, movimento poeticoperformúsico carioca que ele ajudou a fundar. Vai ter falação de poesia, música e interveção do Boato, a antológica banda-acontecimento que ele integrou nos anos 90, e que hoje em dia só se reintegra em ocasiões especiais como esta. Eu vou.

Quem quiser encomendar o livro pode mandar um email pra gentilezaarrobagmailpontocom, que ele dá um jeito de mandar, autografado, claro, só esqueci de perguntar quanto custa, quando souber atualizo aqui. 

Aproveita e pede logo vários que o natal tá chegando, amigo oculto, poesia é sempre um bom presente e eu já gostei do olho, acredita que é dele? O poeta fala por si: 

  no dia em que eu publicar um livro

de que matéria serão suas páginas,

de carne?

para que o verso seja desenhado

pelo rastro do verme?

que arte, que artefato será usado

para confeccioná-lo,

o livro que eu um dia porventura

publicar?

letras de salitre em páginas de pedra,

fezes de gaivota nos rochedos do oceano,

pele do sexo bordada no pano,

página de esmeralda, letras em urânio

a superfície do texto traçada toda

no meu crânio, porrada por porrada,

ano por ano,

até brotar crescer florescer

gerar

gerânio.

 

Dado Amaral


 

a-ritmétrica

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ateorema inequação

e-nigma insanalógico

fórmula única insolúvel

 

amalgarismo vírgula dígitos infinitos

esquadratura do círculo

raiz incúbica de pi

 

se faz de conta

me explica tudo

expressa de modo preciso

 

quão desmedido

o que impermanece

incógnito

lionofvenice.jpg

meu leão ruge

venha o varão que turge

o verão urge

 

 

 

Ilustração: Lion of Venice - Salvador Dalí, 1954

Oba(ma)!

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Bravos

Aplausos

Retumbam

Abraços

Cruzam

Kilômetros

 

Outra

Bandeira

Agora

Move a

América

   

art_obama.jpgAmerica, we have come so far. We have seen so much. But there is so much more to do. So tonight, let us ask ourselves -

if our children should live to see the next century...what change will they see? What progress will we have made? This is our chance to answer that call. This is our moment. This is our time -

to put our people back to work and open doors of opportunity for our kids; to restore prosperity and promote the cause of peace; to reclaim the american dream and reaffirm that fundamental truth -

that out of many, we are one; that while we breathe, we hope, and where we are met with cynicism, and doubt, and those who tell us that we can't, we will respond with that timeless creed that sums up the spirit of a people:

Yes We Can.

(Barack Obama)

 

Junto-me ao júbilo e às lágrimas dos amigos que estão lá, testemunhas dessa promessa luminosa em meio à espessa treva do horizonte.

saojudastadeu.jpgAos amigos preocupados com a saúde do meu pai, venho informar que, no dia de São Judas Tadeu, ele voltou à vida, como que por encanto. Ainda que milagre não tenha explicação, este teve: demissão da equipe médica e conseqüente redução dos remédios. Ou seja, a pessoa estava envenenada.

Devidamente desintoxicado, o mudo falou, o paralítico andou e o enfermo, enfim, ressuscitou, contrariando todos os prognósticos. A família respira aliviada e meu pai, mais ainda, livre da sonda nasogástrica, entre outras torturas.

Com a doença, a gente vai se entendendo. Dos maus médicos, só o santo nos salva.

Valei-nos, São Judas!

E agradecida pela graça alcançada.

Ontem a mulher de branco passou por mim na rua e sorriu. A mulher de branco é uma lenda viva de Ipanema. E pelo menos até ontem estava mesmo viva, que eu vi.

A mulher de branco não estava de branco, vestia uma cor indefinível, vai ver foi branca um dia. Ontem estava mais pra cor-de-burro-quando-foge.

A mulher de branco usa uma pinta verde no terceiro olho, mas enxerga bem e não rasga dinheiro. Outro dia um amigo meu, vizinho da mulher de branco, ouviu uma discussão dela com a empregada, a respeito de uma grana preta que sumiu. Sou louca mas não sou burra, gritava ela, verde de raiva.

A mulher de branco veste burro-quando-foge, mas de burra não tem nada. Tampouco parecia estar fugindo, andava calmamente e, ao passar por mim, sorriu. Não foi um riso amarelo, era um sorriso outrora branco de quem já foi linda, é o que dizem. Namorou muito tempo com alguém famoso, quem era mesmo? A mulher de branco ainda é famosa nas areias outrora brancas de Ipanema.

Eu não sou famosa e nem louca, ou assim quero crer. Só não sei por que ela sorriu pra mim um sorriso não-branco tão cúmplice.

 

a última voz que anima um corpo insano é a dor

paixão terminal da carne

 

antes do sono a esperança

é a penúltima que morre

.

 

 

Pau no sistema

[ pAusa para o poema ]

Inverno, pena.

 

Isso eu escrevi há 2 meses, quando soube que meu pai estava doente. Na época não quis publicar, ficou no rascunho. Agora vai, sei lá porquê. Antes que ele vá.

Que Deus o (man)tenha, uma coisa ou outra, o que for melhor.

      chris_lagoa-1.jpg

Update (9/10): O googa coloriu a foto. Deixei a antiga aqui embaixo, pra vocês verem como um photoshp básico pode dar um up, mesmo em quem já é bonito por natureza. Agora sim o sol apareceu!

vista copy varanda 003.jpg

 

 

vista copy varanda 002.jpgEssa é a vista da minha janela, no trabalho novo. A foto não está boa, fotografia não é meu forte, dá pra ver o Cristo?

Em todo caso, deve dar pra notar que o Rio de Janeiro continua sendo, mesmo com esse tempinho louco que faz o vento uivar pelas frestas e forma ondas na superfície da Lagoa.

Fico devendo a foto de um dia de sol.

 

farfal.JPGvolto pra casa

 

trazendo um olho novo

 

em cada asa

 

 

catavento

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Cópia de leowheel.jpgo

pens

amente

capta alguma id

e o que não

foi

..

fôlego

cata vento

inspira sopra

apróxima

bússola

girassol-dos-ventos

seu leste

é aqui

metros da

qui

mera

vilha

esta rot

açã

o

artejap11.JPG



O amor compensa

todo crime que se pensa;

sã-inconsciência.







festajun.jpg

Quadro de Lucas Penacchi

Amigos do coração,

eu venho por meio desta

convidá-los pr'uma festa:

um sarau de São João.

 

A festança é no arraial

novoaemfolha.com.

O endereço é virtual

mas o ambiente é bom.

 

Não tem ladrão nem quadrilha,

só poetas de família.

Não tem fogueira ou balão,

só a luz da inspiração. 

 

Não tem quentão nem cachaça

mas, para espantar o frio,

tem repente, desafio 

e rimas cheias de graça.

 

Se você tem um minuto,

passe aqui pra ver se gosta.

Diga um verso, que eu escuto

e versejo uma resposta.

 

Se achar que foi divertido,

comovida, eu lhe convido

a retornar para o bis.

Um beijo e até logo, Chris.

 

.

2dolls.JPGQuando eu nasci, minha prima tinha 6 meses. Filha caçula da única irmã do meu pai, ela foi minha primeira amiga e também adversária nas primeiras disputas, brigas de unhadas e puxôes de cabelos nas quais eu, via de regra, levava a pior, já que, além de mais nova, nasci prematura e era mirrada, fracota e chorona. Os anos foram passando e continuamos unidas como unha e carne (leia-se a unha dela na minha carne e vice-versa, mas beleza, faz parte).       

Gostávamos de dizer que éramos primas-gêmeas, embora fôssemos quase opostas fisicamente, eu de cabelos castanhos, curtos e cacheados, ela de longa cabeleira loira e lisa - alvo da minha inveja mais primária. Passamos juntas pelas delícias e agruras da infância e da adolescência, sempre gêmeas, sempre diferentes, eu magricela e despeitada, ela curvilínea e desenvolvida, dona de um belíssimo par de peitos - novo objeto da minha inveja, agora secundarista.

Além de compartilharmos família e amigos, nossos interesses iam sempre na mesma direção: eu comecei a aprender piano, ela se empolgou e foi aprender também, prestamos juntas o vestibular pra comunicação na puc, que ambas trancamos pra fazer teatro, e depois ainda teve a história dos maridos... lá pelos 18 anos, começamos a namorar dois colegas do teatro, amigos entre si. Namoramos com eles muitos anos (e terminamos e voltamos a namorar umas tantas vezes) até que casamos, com 15 dias de diferença, uma madrinha da outra.

Então a vida nos afastou um pouco, não sei bem por quê, acho que ela também não, parecia que nossos interesses tinham ficado diferentes. Eu parei com o teatro e abri uma loja, depois me formei em psicologia, ela resolveu ser atriz profissional e fazer novela, eu tive filho, ela não, eu me separei, ela não. Morávamos relativamente perto mas deixamos de nos ver, as ligações ficaram reduzidas a natal e aniversários. Ainda que, depois da gravidez, meus peitos tenham finalmente dado o ar de sua graça e que a brancura incipiente dos meus já longos cachos me tenha feito adotar uma tintura quase-loira, nossa gemelidade, aparentemente, se perdeu na noite dos tempos. 

Semana passada ela fez aniversário, era o dia da ligação anual. Mas eu não tinha mais o telefone dela, então resolvi mandar um email. Daí me deu uma puta saudade e escrevi quilômetros contando a vida, a mudança pra São Paulo, o emprego novo, etc. Soube por parentes que ela tinha se separado no último ano e pedi uma atualização completa. Uma semana se passou e neca de resposta, achei que ela tivesse me riscado definitivamente de seu caderninho. Até que chegou a missiva, com as desculpas pelo atraso porque enderecei a mensagem pra uma caixa postal semi-inativa, juras de saudades correspondidas e a requerida atualização dos últimos tempos. Trocamos MSNs e, no mesmo dia, falamos horas, quase uma tarde inteira. Botamos a vida toda em dia, notícias da família de um lado e de outro, mas a melhor novidade é que ela agora está escrevendo. Eu já sabia que ela levava jeito pra a coisa desde criancinha, então dei a maior força e sugeri que ela fizesse um blog.

Hoje recebi email dela avisando que seguiu meu conselho e apresentando seu recém-inaugurado sítio. Fui lá e morri de rir com as histórias, me emocionei... fiquei super orgulhosa, ela é muito boa nisso! Também fiquei feliz porque, escritoras e blogueiras, estamos gêmeas de novo.

Passem lá pra conhecer a Macaia e digam se ela não é a minha cara. 

sunset_dreams_01.jpg sunset_dreams_02.jpgpara guga

.

o amor que a gente faz

surpreende que ainda soe 

perfeito como sói

suspeito até que mais

tanto tempo depois

adoro como sois

poente como sóis

queimando ardendo em nós

dois 

 

 

imagens: Benn Flemming

 

alegriacirq.JPGEstava na padaria ontem à noite, quando um grupo de universitários passou por mim, conversando. Um deles, gorducho como um pachá, proferiu a estranhíssima sentença, enquanto devorava uma baguete: "Não tem nada que eu deteste mais nesse mundo do que o Cirque du Soleil.". Ao que um outro, de físico igualmente empanzinado, completou, roendo uma rosquinha: "É odioso!..."

Eu, hein? Sei não, mas acho que pão e circo andam fazendo mal ao povo.

 

** Grafia corrigida pelo meu querido e cultíssimo amigo Idelber Avelar, consultor deste sítio para assuntos polêmico-lingüísticos.

Thumbnail image for marilyn_warhol.jpgQuisera eu fazer este soneto

Como quem faz desenhos na areia:

Traça uma linha a ponta do graveto,

Sobe a maré, apaga linha e meia.

 

Dos versos presunçosos que cometo,

Quero escrever, bem antes que alguém leia,

As letras em nanquim no fundo preto

Que, assim, a coisa fica menos feia.

 

Mas nem sempre a censura funciona,

Tem um sopro rebelde que me escapa

E, à minha revelia, vem à tona.

 

Debalde meu esforço, um mau poema

Liberta-se do escuro, à socapa,

Mata a família e estréia no cinema. 

 

 

novelo.jpg  Teve essa história da Laurita que, quando criança, era obrigada a fazer tricô. Era a hora em que a sua mãe prestava serviço voluntário na igreja e, não tendo com quem deixá-la, fez este acêrto com a Dona Ditinha, tia da sua comadre Conceição, que dava aulas de tricô para um grupo de senhoras do bairro. Ela tinha que ir, fazer o quê?, mas era uma agonia pra Laurita aquilo. Um monte de velhinha lembrando do passado, falando da vida de gente que já morreu, e ela à beira da morte por tédio fulminante. Meeeeeeeetros de fio, hooooooooooooras de papo de velhinha, e a Laurita mais querendo era namorar e falar no telefone com as amigas. E tome encomenda de gorro pro seu irmão, sapatinho pra filha da vizinha, meias pra toda a família, e pra ela era a sua mocidade se perdendo em ponto meia e ponto tricô. Quando as carreiras estavam desiguais, Dona Ditinha desmanchava e mandava fazer tudo de novo. Ela não ia discutir com a tia da comadre da sua mãe, então fazia, né? Não se preocupava em terminar logo, já que tecia mesmo para esperar. Um dia a mãe da Laurita arrumou outra solução, ou vai ver largou o voluntariado, fato é que ela se livrou do martírio das agulhas.
O tempo passou, aaaaaanos a fio. Laurita namorou muito, casou. Mas um dia deu uma coisa nela, sei lá, uma nostalgia. Passou numa loja, comprou um par de agulhas enormes, um cesto cheio de novelos bem felpudos e começou a tricotar com luxúria. Fez um xale deslumbrante, inveja de todas as amigas, até da Lulu, que vai a Paris como quem vai à esquina. Desde então não parou mais, fez cachecóis, pulôveres e até um sobretudo. Confessou-me que anseia pelo momento de chegar em casa ao fim do dia, pra sentar na poltrona e tricotar seus paninhos. Tem ido pra cama cada vez mais tarde, noite dessas já era dia quando ela adormeceu sentada, ainda segurando uma ponta do fio. Coincidência ou não, sonhou com labirinto.
.
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flordevitoria.jpgdo lodo à glória

 

desfolha-se efêmera

 

flor de vitória

 

.

 

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.

Independ?ia ou Morte

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Meu pai mandou-me hoje o poema abaixo, escrito por D. Pedro I, por ocasião do falecimento de sua esposa Leopoldina:

Leopold.jpg"Deus Eterno por que me arrebataste
A minha muito amada Imperatriz?
Tua divina vontade assim o quis?
Sabe que o meu coração dilaceraste.

Tu de certo contra mim te iraste,
Eu não sei o motivo, nem que fiz,
E co'aquele direi, que sempre diz:
Tu m'a deste, Senhor, tu m'a tiraste!

Ela me amava c'o maior amor,
E eu nela admirava a honestidade:
Sinto o meu coração quebrar de dor.

O mundo não verá mais n'outra idade
Modelo mais perfeito, nem melhor
D'honra e candura, amor e caridade."

Dom Pedro I (1798 - 1834)

.

Agora veja a cara dura do gajo: depois de adornar-lhe a coroa com vastos chifres por anos, ainda faz à pobre um mau soneto, de pé quebrado (repare que ora tem 10, ora 9, ora 11 tempos, ui!) e rimas indigentes... e pra dizer que lhe admira... a HONESTIDADE??? Honestamente... se fosse comigo, vinha puxar-lhe as suíças toda noite! Ou melhor, não vinha nada, largava o traste e evaporava rapidinho, exatamente como ela fez. Como diz um amigo meu, muito educado: Olha, você fica aí, que eu vou à merda!

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Você sabia que foi D. Leopoldina quem primeiro assinou a Independência do Brasil, a 2 de Setembro de 1822, portanto cinco dias antes do famoso grito de D. Pedro? Ele foi a São Paulo, que na época ficava longe do Rio, e ela ficou ocupando interinamente o trono. Quando soube que Portugal preparava uma ação contra o Brasil, teve que tomar a decisão sozinha, antes de consultar o marido, que só foi alcançado pelos mensageiros cinco dias depois, às margens do Ipiranga, onde deu-se então a famosa cena que todos conhecemos.
Mas esta honra, de ter sido a responsável primeira pelo ato da Independência, seu lacrimoso marido não teve a grandeza de lhe atribuir em seu soneto funéreo. Preferiu que ela passasse à história como corna mansa, cândida e caridosa, e, como sempre, a voz do macho falou mais alto...
"Laços fora, soldados! Pela minha honra, pelo meu sangue, pelo meu Deus, juro fazer a independência do Brasil!..." e por aí saiu gritando nosso loquaz imperador, tomando para si todo o mérito da coisa.

.

Deixa estar, Leopoldina, que a vida é locomotiva e um dia você vai apitar!

Ao Pai

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Ser pai
é madrecer
no paraíso

Há que espairecer mas sem perder jamais
o juízo


.

meu infinito amor ao pai
e aos pais da minha vida.
chris.

Poemeto da Poliana ou Politeama em Moema

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chapl.jpgsmile.jpg
Quem ri quando cai no chão
Não pára de ir por nada
Se a vida só dá limão
Caipira uma gargalhada

.

A esperan?? ?a que morre

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esperan.jpgAndam me cobrando que dê mais as caras por aqui, mas sou muito indisciplinada. Estive pensando em outras coisas ou, sei lá, fiquei sem assunto, me perdoam? Continuo amando cada um dos gatinhos pingados queridos que me alegram com sua leitura mas não posso contrariar minha natureza indolente.
Contudo, num esforço de consideração comunicativa, vou dividir com vocês alguns momentos traumáticos por que passei recentemente, ainda que tal relato exponha minhas vulnerabilidades de caráter à execração pública.
Sim, porque quisera eu narrar aqui algum feito heróico, a conquista de um prêmio importante ou meu enriquecimento repentino, mas as novas que trago não são tão alvissareiras. Na verdade, trata-se da confissão de um ato vil:
Eu matei uma esperança!
E com requintes de sadismo, ainda que involuntário, se é que existe algoz inocente. Devo dizer em defesa própria que, se fui covarde, foi porque movida por um medo pânico, abissal.
Tenho pavor de esperanças, grilos, gafanhotos, louva-deuses e todos os demais membros dessa família, tanto quanto de baratas. Não que eles sejam nojentos como as cucarachas, pois até não são. Costumam vir da mata, de lugares limpinhos. Mas têm uma textura áspera, totalmente aflita, e pulam. Em geral, na minha direção. Não sei o que eles têm comigo, deve ser porque emito luz...
Uma vez, estando sozinha em casa e não querendo cometer inseticídio, olhei bem praquela coisinha verde e pensei o mais alto que pude: "Pessoas não comem esperanças e esperanças não comem pessoas, portanto não precisamos ser inimigas. Então vamos fazer um trato: Você não me ataca, eu não te ataco e viveremos felizes para sempre".
Sabem qual foi a resposta da fofa ao meu anúncio de cessar-fogo? Lançou-se num salto diretamente para o meio da minha testa! Quando acordei da síncope, despejei meio tubo de Baygon em cima dela e fui dormir na casa da minha mãe, onde aliás moro até hoje, mas não por culpa da esperança, verdade seja dita. Talvez até por falta dela, mas isso já é digressão.
O fato é que não confio mais em esperança, nem adianta fazer aquela carinha de bicho-grilo. É ela ou eu.
Essa do outro dia ainda por cima era enorme, devia ser uma esperança-de-itú. A meio metro da minha cama.

Uma rosa ?ma rosa ?ma rosa

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chrisflor.jpg"Queixo-me às rosas

Mas que bobagem

As rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti


Ah

Devias vir... "

(Cartola)

.

Foto por Ana Beatriz Occhioni
Jardim Botânico/ Julho 2006

Fantasia nº 2 : Gueixa

| | Comments (3)

normal_47849_photo.jpg

Ah, gueixa eu ser sua
…deixa

Arigatô gozeimaixtá

.


.

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

meuemail: christiana ponto novoa arroba gmail ponto com

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