a larva lavra
a terra sem pá
faz furo enorme
no escuro
dá duro
como quem dorme
(b)erra como quem verme
de dor profundo
da toca
dor minhoca
~
a larva lavra
a terra sem pá
faz furo enorme
no escuro
dá duro
como quem dorme
(b)erra como quem verme
de dor profundo
da toca
dor minhoca
~
não grites
não faças
ruído
.
a fera
com ferro fere
cada berro
desferido
.
aos tristes
a vida prefere
quem com fé ri da
penúria
.
me entrego
ao jogo
me aferro e
fogo
!
é certo
que erro
porém não
duvido
:
confere a fúria e serás
aferido
.
*em 14/02/2010 teve início o ano tibetano de 2137 -
Ano do Tigre de Ferro.
E você, já se alistrou?
Imagem lá em cima: "Tigre-de-madeira", obra original e foto por Guga Alayon
Imagem cá embaixo: "Tigre-de-Ferro", ilustração da Web 'desapropriada' por Rafael Reinehr
lá vem o bloco
o surdo a caixa a cuíca
um abraço pra quem fica
é o meu sinal
: debandar
não bebo não sambo
não caio no ditirambo
bacanal sarto de banda
bundalelê
não vou lá
ô abre alas
que eu quero seguir meu caminho
tô no bloco do eu sozinho
com quem eu amo
e olhe lá
não curto a farra
pra quem se amarra aquele abraço
sai da frente eu sou da lírica
abre alas que eu quero
pensar
~;~
Outro poema meu (anti)carnavalesco aqui , pra provar que a indisposição foliã não é de hoje.
* The Tempest - W. Shakespeare
espantam-me os sonhos pois
sou eu ali e no entanto
em nada
me espanto
os enredos bisonhos
as pessoas que mudam
os animais feras
loucas mansões labirintos
de medos emoções
vagas o mar
escuro até o céu
quase sempre encoberto
onde nada é perto e nunca
se volta ao mesmo ponto
de vista e se algo ali
se revela
( )
ao menos não dói depois
mas também não sei mais
daquela que me foi
só sei que ao abrir os olhos
como sói quase todo dia
sinto que perco mundos por noite mas a luz
apaga quase todo o filme
vela
agora
ascendo
à pura essência
de patchouli
medito porém nem sempre
evito
o escândalo
recaio no escuro
abraso me
abano te
aceno
sinais
defumos
inspirais
acendo um
sândalo
a maré dança
com a lua
ora mansa
ora avança
recua
ora cheia
ronda brava joga areia
no ventilador
lava a rua
afoga
ateia fogo
às teias
ao mofo
às ameias
do cafofo
a maré
aguardente
na veia
tempos de chumbo:
o vil metal nos funde
no estanho mundo
.
Eu penso assim, num poema
as palavras têm muitos sentidos, cinco são o mínimo do senso comum.
O cheiro, veja bem, nem sempre é o que se espera: qui_mera suja o pé na primeira pisada em falso.
E o paladar amargura, tem quem use, não faz meu gosto. Na língua prefiro o que arde.
No mais a voz da musa grafa os lótus que afloram do fundo branco dos murmúrios, antes que murchem no próximo suspiro.
Olha que onda, o que eu disse? nada pois, de olhos abertos sob o som pra ver que tudo.
Polir o verbo bem custa e revela um certo tato e conquanto evite a rudeza nem sempre aumenta o brilho, sobretudo quando encera a falta de.
quem muito lapida às vezes quebra o ladrilho
<mosaico móbile tudo que se move colorido e vário encontra contratempo em sentido anti>
horário
Tem outros muitos sentidos, claro, e obscuros. Figurado, por exemplo: um álbum pra cada boa palavra na banca mais próxima.
Duplo sentido, encontram-se a dois. O verdadeiro, a sós.
Sentido fica quem sente dor de si, depois.
> o que teria sido não sabe o que é bom ; quem não vem não faz sentido <
Sentido tem aonde ir.
Sentido se encontra distraído.
Senta aí e sente o som do meu a _ _ r
no seu
ouvido
.
.
(Publicado originalmente em 10/03/2007, revisado hoje. Lembrei por causa da matéria dO Globo.)
sol à vista!
meus olhos renovam o visto
de turista
Comentário ao post Panta rei do blog Tempus Fugit
Panta rei, pensou Heráclito,
os olho fitos num rio
em que não me banharei...
talvez por força do hábito
eu periclito mas rio
do mar que outrora pensei.
.
.
Update: este poema foi citado e ilustrado no belo site Imaginário Poético.
a formiga só trabalha
porque não sabe contar
a cigarra canta à toa
pra ser despedida
arrebenta o peito e na saída ainda
tira sarro
:-0~
fumega um cigarro
fogo se alastra
no lençol, ventilador
vira girassol
#
~
a folhas tantas
a noite oxigena o ar
que inspira as plantas
~~
..
enfim sóis
em finde a dois
enfronhados em lençóis
em fina chuva bem embalados
enfuna folha aflora o verde sorte nossa
inflama entorna empoça o futon sem pressa
a fim de tudo agora e sempre aqui afinal
enfiados em nós sem fim das pontas
ao final de tarde inícios muitos
infinitivos feriados juntos
e finalmente ao vivo
em finados
..
'
garoa pinga
gotas da sua sede
na minha língua
,
'
~
de hoje em diante
cada dia há de valer
um dia amante
<>
'
traje de chuva:
roupa de cama me cai
como uma luva
" ' "
a
l
i
n
h
a
d
a
v
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d
a
a
l
i
n
h
a
v
a
minha contramão
à palma da sua
:
c
a
m
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n
h
o
d
o
c
o
r
a
ç
ã
o
q
u
e
a
l
i
n
h
a
meu monte de vênus
ao seu dedo
da lua
.
o vento há de trazer quem me procura
e nem preciso soar a sereia
pois bem sei que o amor tem seus sonares
meus olhos d'água vão ondular os mares
até encontrar a pérola obscura
pra iluminar meu castelo de areia
-
preciso
dormir
cem anos
pra esquecer
um sonho
pra aquecer
as perdas
pra rasgar
os panos
pra embalar
o sono da
princesa-ninfa
lagarta morta
de tristeza
e dor
no
escuro
oco casulo
crisálida crise
até que aos poucos
linhas tênues serpentinas
desenhem sementes de
fios meus cílios
despertem
de assalto
meus olhos
em asas
de seda
um toque
um vôo
a roçar
levemente
meus planos
mais altos
.
. .
. .
a sua ausência
fala por si
lêncio
:
soleira brota
:
a prima-hera bate
à minha porta
.
"Quando há coisas a realizar, pode-se crescer. (...) Aproximação significa tornar-se grande."
(I Ching - O Livro das Mutações)
:
entre tenentes ateus
e dementes a deus
eu sou
maiZeus
.
*
a estrela-dama
ve'nua
sem nuvem sem véu
sem luva
*
chamando o sol
pra sua
cama redonda
carrossel
*
dossel da boca
palato
teto estrelado
da vulva
*
luz volta ao mundo
ascende
faça sol ou raie
chuva
,
dalva-estrela-guia
anuncia
que só o amor salva
o dia
*
* Astrologia ensina: "Quando Vênus se eleva, o Sol não tarda." Alvorada!
*
Imagem: O nascimento de Vênus - Sandro Botticelli
*
*