Infâmia inspirada por minha irmã Patrícia, a mais tímida das Nóvoas (mas não menos "helênica", como diria o Pinto).
Chegada a hermetismos cabalísticos, ela acaba de terminar sua monografia: Anagramas - A "Ars Magna", tese interessantíssima que, somada à minha natural tendência ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo, lançou-me sem novelo num labirinto vocabular de intermináveis jogos. Após entregar-me por semanas a anagramas de toda espécie, dediquei-me furiosamente, por muitos dias, aos doublets de Lewis Carroll, passei pelos acrósticos e caí por fim nos palíndromos, que me consumiram toda uma noite.
O bizarro resultado desta última experiência segue abaixo para vossa distração, se for o caso. Está capenga e esquisitinho mas foi o melhor que consegui fazer.
Consta que o Chico Buarque também andou flertando com passatempos lingüísticos em noites insones e o palíndromo dele , aliás, também ficou meio esquisito. Além disso, ele fez uma versão anagramática da belíssima letra de Vitrines. Distrações de quem faz samba e amor até mais tarde ultimamente, mais samba que amor, tanto eu quanto o Chico, ao que parece e sente muuuuuuito sono de manhã
OROBORO (*)
Arara rara
Ave vã
Amarga na grama
Roda dor
Aérea
Sobre bossas soberbos
Ai é dor amor aroma rodeia
Ave leva
Assim à missa
A reza zera
A vida dádiva
Mostra luz azul art som
Eu! ué
O solo só
Eco você
.