poesia: April 2005 Archives

Vale o escrito?

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vermeer_ein_maedchen_schreibt.j
Não se engane
Com meus versos
Não estou aí
Pra ser lida

Ninguém se escreve
Não sou quem digo
Não digo ao que venho
Onde vou

Invento tudo
Minto à vera
Penso que merda e grito
Quimera
Pra ver se acredito

Não penso tão bonito
Quanto falo
(em falos penso, confesso)

Escrita é jogo
Distração
Eu não

Eu de verdade
Estou aqui
Em mim
Agora

Metáfora até que é bom
Mas meu buraco
É mais por dentro

E se você
Ainda tá aí
Levando a sério
A minha estória

Meu amor
Leva a mal não
'cê tá por fora!

Oroboro ou "O que pode a ins?..."

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oroboros.JPGInfâmia inspirada por minha irmã Patrícia, a mais tímida das Nóvoas (mas não menos "helênica", como diria o Pinto).
Chegada a hermetismos cabalísticos, ela acaba de terminar sua monografia: Anagramas - A "Ars Magna", tese interessantíssima que, somada à minha natural tendência ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo, lançou-me sem novelo num labirinto vocabular de intermináveis jogos. Após entregar-me por semanas a anagramas de toda espécie, dediquei-me furiosamente, por muitos dias, aos doublets de Lewis Carroll, passei pelos acrósticos e caí por fim nos palíndromos, que me consumiram toda uma noite.
O bizarro resultado desta última experiência segue abaixo para vossa distração, se for o caso. Está capenga e esquisitinho mas foi o melhor que consegui fazer.
Consta que o Chico Buarque também andou flertando com passatempos lingüísticos em noites insones e o palíndromo dele , aliás, também ficou meio esquisito. Além disso, ele fez uma versão anagramática da belíssima letra de Vitrines. Distrações de quem faz samba e amor até mais tarde – ultimamente, mais samba que amor, tanto eu quanto o Chico, ao que parece – e sente muuuuuuito sono de manhã…


OROBORO (*)

Arara rara
Ave
Amarga na grama

Roda dor
rea
Sobre bossas soberbos

Ai é dor amor aroma rodeia
oroboro.JPGAve leva
Assim à missa

A reza zera
A vida dádiva
Mostra luz azul art som

Eu!
O solo só
Eco você

.

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