poesia: May 2005 Archives

Claustrofobia

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escher.jpgEu preciso sair já
Deste corpo sem espaço
Zarpar pra terras distantes

Ver as praias com outros olhos
Outros braços, almirante
Do barco de outros cansaços

Outras fome e paladar
Inéditas, frescas memórias
Novas histórias antigas

Parentes velhos em folha
Tias-avós rebordadas
Jovens familiaridades

Lembrar daquela cantiga
Que uma mãe desconhecida
Calou pra não me acordar

Não a mesma arca cheia
A resma de escritos velhos
Testamentos, evangelhos

Mesmos livros preferidos
Sebo das meias-verdades
Saldos de tardes relidas

Amores, pranto, feridas
Tudo tão passado quanto
Mais pesado nesse aqui

Que não me deixa sair
Que me apega ao que está morto
E me conserva latente

Na vã e impaciente espera
Pelo redentor aborto
De minha última quimera


.


P.S. - Sai, Augusto dos Anjos, deste corpo que não lhe pertence! :o)

F?ro

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fosforo.jpgMúsicos se atêm ao tema
Ateus, ao sistema
Tementes, a Deus

Só eu me aferro a mim no vão do acaso
No fundo a ordem é só isso: o caos
Desinventando onde duvidar

Ontem, no escuro, me perdi da fé
Sobrou-me um fósforo que não encontro
Nessa bagunça de livros, papéis

Pra quê meu deus arrisco este poema?
A quem eu penso que meu tiro queima?
De quanto peso eu teimo que me livro?

.

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