(poesia de guardanapo)
Ignoram os olhares
Dos gentios deste bar
Que daqui de uma alta torre
Isolada em meu castelo
Avisto já teu cavalo
Galopando decidido
No resgate do meu corpo
Que julgavas já perdido
Por tua longa demora
Muito te enganas se pensas
Que perdi o meu encanto
Fiz do tédio um aliado
Da ilusão meu romance
Dos anos guardei os fios
Com eles teci um manto
Pra te enredar em meus sonhos
E te alçar ao meu alcance
Qual Penélope sem trono
Bordei pra enganar a vida
E fiz das noites sem sono
Longa trama sobre o nada
Mil e uma vezes tecida
Desfeita de madrugada
Esgarçada pela espera
Cerzida pela esperança
Absurda perseverança
Desfia o que eu mais quisera
Remenda o que eu não sou mais
Mas se já te vejo agora
Iluminando o caminho
Lanço a enorme trança ao tempo
Que em seu vão nos leva embora
Faz de mim a tua escada
Escala até minha cela
Ousa profanar meu templo
Que eu te abro a janela
E no calor do meu ninho
Tem repouso a tua espada
Eu te compenso o esforço
Tu me devolves o espaço
No imenso do teu abraço
No infinito do teu dorso