-: June 2005 Archives

Corpo Santo

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davidmichelangelo_.jpgTua lembrança pulsa
Luz densa
Como se houvera

Imensa como se fôra

Nostalgia da espera

Obra-prima da coisa extensa:
Cogita onde não existe

Surpresa tão mais persiste
Incógnita

Verbo em silêncio agudo
Abismo por princípio
Oni-ausência

Ilusão que me pensa

Fogo que não se sabe pra quê
Não cabe

Arde aí
No que me escapa

(paira em suspensão íntima
latente e súbito como se)

A solidez da tua falta
É laje que me eclipsa
Vão que me sepulta
Ôco que me cria

Solidão última

O não posso de cada dia


.

'ua Viva

| | Commentários (14)

acalanto por um coração derramado.................. (para j.)
agua_viva.jpg


Quem tem o coração mole

Quando ama, se esparrama

Quando sofre, se desmancha

Quando cai, fica na lama


Quando explode, se esbagaça

Quando chora, se dissolve

Quando escorre, se devolve

Volta correndo pro mar


Mergulha, coração mole

Se espraia, arrebentação

Quem perde o chão ganha a graça

A grandeza é o seu lugar


.

Salam-Aleikum

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salam-alaikum.gif
Você me escreve
Arabesco
Eu pergaminho


.

Rapunzel on the rocks

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Waterhouse_John_William-Knight.(poesia de guardanapo)

Ignoram os olhares
Dos gentios deste bar
Que daqui de uma alta torre
Isolada em meu castelo
Avisto já teu cavalo

Galopando decidido
No resgate do meu corpo
Que julgavas já perdido
Por tua longa demora

Muito te enganas se pensas
Que perdi o meu encanto
Fiz do tédio um aliado
Da ilusão meu romance

Dos anos guardei os fios
Com eles teci um manto
Pra te enredar em meus sonhos
E te alçar ao meu alcance

Qual Penélope sem trono
Bordei pra enganar a vida
E fiz das noites sem sono
Longa trama sobre o nada

Mil e uma vezes tecida
Desfeita de madrugada
Esgarçada pela espera
Cerzida pela esperança

Absurda perseverança
Desfia o que eu mais quisera
Remenda o que eu não sou mais

Mas se já te vejo agora
Iluminando o caminho
Lanço a enorme trança ao tempo
Que em seu vão nos leva embora

Faz de mim a tua escada
Escala até minha cela
Ousa profanar meu templo
Que eu te abro a janela
E no calor do meu ninho
Tem repouso a tua espada

Eu te compenso o esforço
Tu me devolves o espaço
No imenso do teu abraço
No infinito do teu dorso

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