o boto
Posted in Uncategorized on Jun 8th, 2013
, no fundo nada há que esconda : em sonho o seu mar me ronda ; meu sonar ainda sonda onde anda a sua onda
Posted in Uncategorized on Jun 8th, 2013
, no fundo nada há que esconda : em sonho o seu mar me ronda ; meu sonar ainda sonda onde anda a sua onda
Posted in Uncategorized on Jun 7th, 2013
a dor me dobra com afinco cego um vinco que me obra eu trinco quebro abro brinco erro em tudo eu sou o berro agudo de um ornitorrinco mudo
Posted in Uncategorized on May 31st, 2013
minha vigília é trocada viro noite sem remorso almoço de madrugada canto danço queimo lenha que mantenha as estrelas despertas (mesmo sem vê-las) nas horas desertas apanho e espalho poesia mas é de dia que eu mais trabalho no turno diurno eu durmo sem descanso sonhos estranhos bonitos pelos insones aflitos [...]
Posted in Uncategorized on May 29th, 2013
do que falo a melhor parte é o intervalo o vazio é uma arte sem bordas não há som no aço o que vibra é o espaço entre as cordas se a palavra demora o silêncio é a causa a música mora na pausa
Posted in Uncategorized on May 28th, 2013
cactos têm flor de mil pétalas finas como fitas e espinhos escuros retos duros e exatos para espetá-las tão bonitas como furos o impacto da dor nas retinas dos insetos
Posted in Uncategorized on May 27th, 2013
poeta é quem poetiza. fazer gênero, não precisa.
Posted in Uncategorized on May 26th, 2013
o bem me bela o querer me querela o amar me amarela a morte me mortadela a metrópole me atropela o porto me portela o estro me estrela o mar me mela o rei me rela o ser me sela o teu me tela o eu me ela [...]
Posted in Uncategorized on May 23rd, 2013
, o todo por exemplo do lodo ao lótus contemplo meu templo é amplo refúgio de samurai relógio de sóis remotos (e os outros e você vendo mortos na tv) meu tempo a sós não se vê não sai em fotos
Posted in Uncategorized on May 22nd, 2013
à tardinha o mar é zen um refresco de groselha um barquinho e mais ninguém segue em paz meu coração meu caminho é bossa-velha um violão bem baixinho um chão de areia um banquinho um ancinho um ancião
Posted in Uncategorized on May 15th, 2013
água me turva a vidraça e já nada vejo e não me protejo dessa chuva que nunca passa quando choro não gotejo escorro esguicho quando amo incho e me esparramo sem socorro não sou dura na queda qualquer pedra me perfura o chão me quebra mas de secura é que eu [...]
Posted in Uncategorized on May 13th, 2013
de uma queda fui ao chão coração aberto um rombo e essa dor que não estanca e ainda me toma ; o mesmo tombo que fere me oferece uma flor roxa : um hematoma à flor da pele branca da coxa
Posted in Uncategorized on May 8th, 2013
viria a nado nadando costas vestindo nada dar com os costados à orla da ilha à enseada onde eu prostrada em pedras de joelhos as mãos em concha postas em ostras como pétalas pesco as escamas seu corpo em postas em chamas pisco nas pregas das pálpebras no [...]
Posted in Uncategorized on May 6th, 2013
uma indiferença tão sincera fere dilacera o coração dessa quimera uma fera imensa cai ao chão a cada vez que você não me pensa
Posted in Uncategorized on May 5th, 2013
termino e recomeço o penúltimo ensaio da inúmera carta ; assino e endereço ao raio que o parta
Posted in Uncategorized on May 5th, 2013
a baía é um ventre pra um barco que entre onde o vento alisa o poente é uma brasa que se esfuma na bruma imprecisa ilha dos amores traga o sol de alhures na salgada brisa que um doce perfume de flor e estrume molha e fertiliza
Posted in Uncategorized on May 4th, 2013
na praça crianças escalam os galhos de árvores idosas lenhosas mansões de copas frondosas troncos centenários lar de gerações de abelhas canários e velhas lembranças de outrora pirralhos
Posted in Uncategorized on Apr 30th, 2013
não há via certa toda reta torce o rabo nada permanece tudo desce e sobe e eu não paro cá onde me acabo outra orbe me completa como o par de aros dessa bicicleta
Posted in Uncategorized on Apr 29th, 2013
vista de perto não estou bem certa se existo vista desperta não sei ao certo quem sonha visto uma fronha no meu recheio disperso a luz me avista um olho no meio do verso
Posted in Uncategorized on Apr 28th, 2013
faço listas de afazeres deixo pistas enganosas o ensejo de uma prosa maus escritos de meu punho desdizeres desconexos interditos mais protejo meus rascunhos que meu sexo
Posted in Uncategorized on Apr 26th, 2013
nada procuro nágua flutuo ilha alga que brilha na superfície do escuro fluo supérflua maravilha flor de flúor
Posted in Uncategorized on Apr 24th, 2013
duas damas na janela uma é enorme outra é meia ostra e metade sereia (ouça a voz dela) uma é mar outra é areia uma só dorme outra vela uma se inflama outra gela o sangue na veia pois eu sou essa e aquela a moça bela e a feia as faces [...]
Posted in Uncategorized on Apr 23rd, 2013
o céu é bonito mas não acaba nas linhas da aba do meu chapéu o infinito desaba nas telhas sobre as minhas sobrancelhas
Posted in sonetos, Uncategorized on Apr 21st, 2013
mensagem numa garrafa: quem me dera um saca-rolha que liberte a minha folha deste vidro que me abafa quem me dera a maresia já houvera corroído a carta do mar perdido onde inda exista a poesia cada vista é uma janela e o filme do mar revela que o sol ilha mais [...]
Posted in Uncategorized on Apr 19th, 2013
pelos dedos teus deus se fez carícia e se o amor não existe que seja um delírio triste o teu medo em riste em plena delícia e martírio
Posted in Uncategorized on Apr 17th, 2013
sofro de ausência essa ardência no âmago esse estômago oco no meio de um soco
Posted in Uncategorized on Apr 14th, 2013
meu poema não tem santo nem pajé que quebre o encanto do meu canto de iracema não tem cacique que pare minha pena > uma seta de curare em sua reta
Posted in Uncategorized on Apr 13th, 2013
saudade é uma ponte entre a ilha e o horizonte longe de mim na praia a canoa sem quilha com o nome na proa marfim
Posted in Uncategorized on Apr 11th, 2013
pensando morreu um burro cantando morreu um bardo ¨já vou tarde desse mundo” seguro morreu de velho zurrando morreu um soldado e no silêncio, um surdo janis morreu de overdose da língua morreu o freud e o leminski de cirrose até buda teve um bode morrer não é nenhum absurdo cristo [...]
Posted in Uncategorized on Apr 10th, 2013
em bom espanhol “la mar” é uma mulher e eu acho que eles têm lá sua razão nenhum macho vai tão alto e baixo numa só onda não há um homem que esconda tanto pesar em seu fundo ou que abrigue um mundo tão rico e diverso e abissal por entre as dobras dos [...]
Posted in Uncategorized on Apr 9th, 2013
entre o verso e a frente de uma ideia assaz violenta há de haver um recheio uma massa cinzenta um caminho do meio entre o norte e o sul da coreia entre o azul e o vermelho um roxo batata quase lilás violeta um golpe de paz que arrebata o [...]
Posted in Uncategorized on Apr 6th, 2013
diz a lenda que ao sul da ilha tem uma casa da cor do céu azul zinho com nuvens esparsas é lá que as garças cinzentas fazem ninho quando venta e inventam asas
Posted in Uncategorized on Apr 5th, 2013
do meio do monte vejo o vasto horizonte de que me afasto subo à fonte o cálice cheio de mágoa e deleite não há água que azeite tanta lástima então eu rio ; à noite o ar frio decanta a mistura depura uma lágrima furtiva se esquiva dos seus olhos [...]
Posted in CAIXA POSTAL, Uncategorized on Apr 3rd, 2013
a lua cheia tinge a baía de guanabara um mar de areia um saara neblina esfinge o morro da urca como uma burca
Posted in Uncategorized on Apr 2nd, 2013
depois do raio o estouro depois da chuva a bonança depois do choro a alegria ; quando estia o sol transforma em ouro as águas de chumbo da baía
Posted in Uncategorized on Apr 1st, 2013
zarpo do cais na última nau nada de mau me abala mais o íntimo me embala um ritmo que a noite entorna marítima no céu incendeia um balão em forma de baleia
Posted in Uncategorized on Mar 29th, 2013
sonho letras acesas e enfeito a casa enfronho em sedas palavras em brasa o enfadonho abecedário feito labaredas presas num aquário
Posted in Uncategorized on Mar 29th, 2013
atitude é um passo em falso pra fora do cadafalso é uma dança um salto alto de um pé descalço é um risco um traço que toma de assalto o agora é uma lança um laço que ata que solta um lenço é um lance de dardo é um barco [...]
Posted in Uncategorized on Mar 27th, 2013
navios ao mar sigamos em frente a terra é redonda de tanto afastar quem sabe se a gente ainda se encontra o tempo é o lugar onde o corpo sente e o resto é onda
Posted in Uncategorized on Mar 25th, 2013
que pasárgada que nada vou-me embora para lá vou ser amiga do rei na ilha de paquetá serei a mulher que eu quero – luz del fuego, a moreninha – vou-me embora ser rainha eu sigo o farol que brilha teu caminho escolherá a minha cama onde fores o mar é a [...]
Posted in Uncategorized on Mar 21st, 2013
vendo-a tristonha à varanda disse próspero à sua filha: a vida é um sopro que sonha não perdes por esperar mira miranda tu és o mar cercado de ilha
Posted in haiquase / senryu / tanka, Uncategorized on Mar 19th, 2013
anjo de luz que passa ave marinha cheia de garça
Posted in Uncategorized on Mar 18th, 2013
já míngua a lua em mim agúa uma vez mais me rasgo abro caminho corro escorro nua o jorro o sangue das ancestrais pelos joelhos como uma língua a atravessar eus e o diabo do caos ao mangue pelos vermelhos em que esse mar morto me instrua [...]
Posted in Uncategorized on Mar 16th, 2013
faço prece ao meu umbigo – já pensou se eu não estivesse falando comigo agora? o fato é que ninguém chora ou tem saudade de si se a falta arde lá fora o buraco mora aqui
Posted in Uncategorized on Mar 16th, 2013
na nau dos loucos dizem que uns poucos cantam à proa versos à toa os outros comem (menos um homem que diz “não sigam”) uns tantos brigam um grupo parte hoje pra marte outro mergulha tem uma agulha de ouro no fundo (mas todo mundo viu que não tinha) tem uma rainha que nasceu muda [...]
Posted in Uncategorized on Mar 15th, 2013
alimento com óleos bentos meu farol no invisível arrecife esquife esculpido em murmúrio e letra pra que o casco dos olhos desatentos não espatife à luz do sol a mucosa sensível do planeta mercúrio
Posted in Uncategorized on Mar 14th, 2013
um verso iníquo me escarpa o mar como farpa me cega navega imerso em líquor meu olhar oblíquo
Posted in Uncategorized on Mar 9th, 2013
um poeta que se preza não tem prega ; entrega (em resposta a poema de Carlos Moreira)
Posted in Uncategorized on Mar 9th, 2013
ora vê se não me amola com esse papo profundo de que no fundo do poço tem mola pra subir há que ter força maior do que um edifício qualquer sapo sabe disso o fundo do fosso é imundo e tem poça
Posted in Uncategorized on Mar 5th, 2013
a arte é vária e profusa nas 7 faces da musa não há na verdade um cisma entre os verdes e os azuis dos 7 mil tons que um prisma reluz
Posted in Uncategorized on Mar 4th, 2013
; no princípio era o bang pondo o caos sobre tudo (abrir um livro pode ter criado o mundo) e mais não disse . a pouca elipse (um livro fechado é um criado -mudo)