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Category Archive for 'Uncategorized'

  noite e dia há um vão entre   a luz e a anti matéria   entre a sorte e a miséria então sorria:   você está sendo formado neste exato instante   esfera tecendo o tempo ao quadrado   a espera é uma sucessão de aquis   ser feliz está sempre por um xis

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flowerpower

sou forte, confesso. você vem com ferro eu con verso   . . .   –   Minha singela homenagem a Pedro Rios Leão (10 dias de greve de fome pela desocupação violenta de Pinheirinhos) e Vitor Suarez Cunha (que teve o bonito rosto esmigalhado ao defender um morador de rua da agressão brutal de seres inumanos). [...]

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exorcismo

  lavro versos curtos como orações   palavras são legiões de demônios expulsos   corto advérbios pronomes   poupo os pulsos   .    

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do baralho

  há o gozo porém antes pôr em ordem a ardência do fogo …   paciência não é um jogo para principiantes    

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kundalini

  não sou santa tenho buda só descanso em kama sutra   via dutra quando alinha minha espinha aos chakras teus   é um deus nos sacuda …    

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embocadura

  sinto muito não sou pouca antes só que meia boca   .     … água mole em boca dura tanto late até que cura …    

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  ardem-me às costas em brasas as cicatrizes expostas das asas arrancadas a frio com uma faca sem fio ..      

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buraco negro

  a solidão é sólida e tão densa que a sombra do sol cabe imensa num só não .    

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cem anos de solidão

  na porta do inferno estava escrito:   é proibido fumar macondo     .

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cor viva

  sou imagenta e não tem luz fria nem tinta preta que me amarele … na paleta da minha poesia o ciano esquenta a flor da pele .

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arrit-métrica

  60… 70… e 90? (e nem chove?)   20 dizer: não 10-espere, não p-re, inspire…   e  i-9 .  

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conjuntiva

  o exato momento do encontro : seu auto retrato em preto dentro do branco do olho do outro .  

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o fusco

  pisco pisco e não capisco   não entendo quem não assume o lusco-risco   eu sou meio vagalume mas ascendo . . .  

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encontr’haste

  entre as pedras e a água: meio-fio entre a metade e um inteiro: vazio entre as perdas de janeiro: rio … .

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eco a narciso

  da teimosia de que eu peco … eco do pensamento que me aturde … urde como que por encanto surge … urge a sua imagem que disseco … seco   se essa voz débil que re-clama … lama fosse punhal que a vida amola … mola veria no amor que descola … escola portal da luz [...]

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na veia

  viver é um vício, socorro ! um dia ainda morro disso .    

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zoo-lógica

  urubus nascem de novo em um estalar de ovo   nascer macaco inda que fêmea há que ser macho   pra ver a luz o buraco é mais embaixo    

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corpo de baile

  um passo avança dois pra trás … perco a graça nessa dança     descompassa o pas-de-deux entre o seu deus e a minha ânsia        

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rubedo

  sem os beijos de costume , minha pele em vão se dobra ,  pergaminho no descarte do curtume  , obra de arte no despejo do porão  , sem ciúme sem desejo morta à míngua    . . .   até que vibre o céu da boca e, rediviva , minha língua partida de cobra , fina [...]

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a fonte

  jorram parábolas, lágrimas pródigas ; meu olho é pálpebra pra toda ópera      

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o antúrio

  natureza viva ou morta não importa   o que é do amor aqui se corta aqui se planta   a beleza põe mesa pra janta do jeito que flor    

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a concha

  saudades de amar na areia de mares que ainda nem sei ~ de ondas lambendo a orelha da sereia que serei    

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tema para além mar

  a morte não trema não deságüe a alma lusa   quando a luz é forte não há dia triste que apague   não existe problema que a musa não corte um poema    

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ai de mim que sou semântica

   olha, a linguagem ensina a mentira : o que se mira chama de imagem e o que se imagina … miragem .

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samurai

  haiquase que cai? bota fé no samurai e sai de bashô   …   [mais um "poema incidental", resgatado dos comentários ao poema 'quiromance' /2009 >> http://www.novoaemfolha.com/2009/10/quiromance.html ]  

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adeus ano velho

  venta um ar vário varrendo as fendas e há folhas tantas atrás do armário  … nas fundas sendas do itinerário vai pras calendas meu calendário   .    

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notas do findo ocaso

  finda a tarde cinza e só eu ouvi que é linda … o sol não faz alarde ao cair em si bemol .

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qui mera!

  ah se eu soubera que era só foda não fôra toda …  amor espera que a vida roda e que se fôda !    

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bem-te-ouvi

  despertador toca lá fora , um sopro aflora de cada ninho : cantiga de acordar passarinho    

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pela boca

  o peixe pisca ; pra isca que o pesca .     [repescado da caixa de comentários do poema 'água na boca' (2009) >> http://www.novoaemfolha.com/2009/10/agua_na_boca.html ]   

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mata-borrão

  por mais que eu minta minha folha fina e branca não estanca tanta tinta , por mais que eu tente (e tento opaca!) minha casca quando molha é transparente      

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maresia

  eu sou a ferrugem lenta e salgada que lambe e te come pela beirada ; a dulcíssima fome que rói teus espelhos na vertigem dos meus lábios vermelhos      

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sem filtro

  é claro que é válida essa chuva cálida mas a luz é pálida ; e eu que, branquela sei que o sol ardido mata esfola e péla , não sei viver crua … e espero o bandido que me restitua o dia colorido .  

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causa finita est

    me enerva esse inveredicto , ipso facto … eu desempato no grito : minerva !       

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o que quer uma mulher?

  o que quero? eu me pergunto : quero arte em cada assunto quero rir e gozar junto quero todo amor do mundo e se não for pedir muito quero melão com presunto   .      

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moira

  escrevo como quem fia , do emaranhado puxo um punhado até dar linha , e afino à unha a ver se me atrevo a chamar poesia ; escrevo como quem tece sem gabarito um pano curto de trama torta , a ver se amortece o impacto surdo do meu enlevo no céu finito ; [...]

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locomotiva

  estar morto ou vivo tem motor não tem motivo   .  

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o pescador

  mormaço , mar baço , nuvens esparsas esgarçam uma sereia … das ameias a garça } ave cheia de graça { espreita carcaças pra ceia .    

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preamar

    a maré molha : vai-se o mar ido , olha o mar vindo   ~   amar é lindo   .     

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solideus

  deus fica brabo como o diabo com o fato triste de que só ele de fato existe .

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