Feed on
Posts
Comments

Category Archive for 'Uncategorized'

o juízo

  eu morderia qual fruta a luz na tua treva e neste dia preciso adão e eva fariam jus ao paraíso    

Read Full Post »

o castelo

  venta aqui fora faz frio , o sol em brasa se esconde e de longe me fita triste e vazio , como uma casa bonita onde o amor mora e ninguém visita      

Read Full Post »

o descartável

  até mesmo o universo imenso perde a graça o céu perde a cor e chora se você amassa o meu verso de amor e joga fora como um lenço de papel a esmo      

Read Full Post »

o cometa (para lula braga)

  a fé é o farol de um foguete de sorvete a caminho do sol              

Read Full Post »

a sentença

em vão me espanto o tempo corre mais que o medo todo mundo morre uns cedo uns nem tanto é a lei e eu aqui no meu canto só sei que não morri por enquanto      

Read Full Post »

a inútil

então observe: se for poesia não serve , a verve não tem serventia à mulher honesta nem ao patrão , se for poeta não presta servidão .          

Read Full Post »

a pleura

  invento é um ar que sopra pra dentro , pensar é um ato só , inspiro o pó que sobra da grande obra , espirro engasgo me mato expiro , adentro e rasgo o peito como um tiro .        

Read Full Post »

a casca

  o corpo me atraca como craca ao porto , recorta o espaço a faca e escapa ileso , suporta esse braço fraco como um galho seco em brasa como um cão sem casa , vão como o sol num beco como um peso morto como um amor pouco , oco como o osso da asa de […]

Read Full Post »

o ouro

  nada que eu queira mais que a sombra dourada da amendoeira      

Read Full Post »

xeque-mate

  a noite é uma dama não joga mas não foge à luta   quando o sol se inflama essa puta ajeita no mar a cama perfeita onde o rei se deita e se afoga    

Read Full Post »

o grito

  paira esse silêncio frio um vazio repleto de hiatos   prefiro o cio indiscreto dos gatos no meu teto      

Read Full Post »

o canteiro

  no jardim das ideias vagas onde vagalumes beijam petúnias descarto as pragas sempre as mesmas queixumes lamúrias e outras lesmas      

Read Full Post »

a pele da água

  só não escolhas para o amor o gesto insípido nem deixes meus olhos sem cor como bolhas no céu líquido dos peixes      

Read Full Post »

a baía

  a água cinzenta oleosa espelha o céu em brasa em cinquenta tons de rosa vermelha , na maré rasa um murmúrio vago como um lago de mercúrio      

Read Full Post »

a árvore

  ave sã não tomba , balança a sombra anciã do flamboyant    

Read Full Post »

corpus christi

  o sopro eterno desconhece o corpo morto , perdoo o outro pelo inferno que me aquece      

Read Full Post »

o sílex

  descascou minha fruta pescou minha truta riscou minha gruta lascaux minha pedra bruta de quebra lustrou deu brilho , ladrilho filho da luta      

Read Full Post »

o enigma

  ousar querer como um deus saber calar como um buda   o tolo finge que estuda   a esfinge muda  

Read Full Post »

o morcego

  como um anjo cego pela claridade de outras alturas mais amenas eu me apego à gravidade a duras penas      

Read Full Post »

a catedral

  aqui por exemplo o vento chora a noite finda o dia ainda demora a hora é linda o tempo pára e ora agora é o único templo onde deus mora      

Read Full Post »

a estátua

  esculpo meu verso num tronco de mármore como quem ausculta a ordem oculta do universo quando árvore      

Read Full Post »

o púbis

  falo dessa luz que risca o céu profundo a faísca maluca tonta que atravessa o fim do mundo em cada poro da tua nuca até a ponta do meu osso ilíaco como um meteoro cruza o zodíaco      

Read Full Post »

o órion

  não se espante diante do silêncio estonteante das galáxias distantes   nada sempre será tão sério como era antes   o irrelevante mistério das estrelas errantes   o inútil cemitério de diamantes    

Read Full Post »

os lusíadas

  a vida é frágil como um livro num naufrágio   do ser vivo nada sobra nada escapa   nem a capa nem o assunto   numa dobra do universo acaba o mundo   o verso é livre só a obra sobrevive    

Read Full Post »

a sonata

  tento ser breve nem tudo deve ser dito no momento e muito menos escrito em voz alta nem tudo que dói é poesia deixa muda essa falta básica até soar um grito deixa solta essa música como o vento quando flauta , sendo o sopro agudo do tempo em sua sinfonia sem pauta      

Read Full Post »

a força

  quando venta a borboleta sustenta as imensas asas azuis como um atlas que aguenta o planeta sobre as omoplatas      

Read Full Post »

o espinho

  aqui venho achar na dor o que não tenho   o desenho do teu pelo no meu tato   eis o pacto de amor entre a pele e o cacto      

Read Full Post »

a plateia

  além de mim só uma mosca veio   assistir ao formidável fim da tarde fosca de um dia feio    

Read Full Post »

o oco

  retiro do mundo o corpo recolho meu olho escuro na fresta no meio da testa um furo fundo como um tiro      

Read Full Post »

o colóquio

  o espelho partido em mil partes em todas duvido se existo cogito ergo … ? eu isto nego revido verdades seu nome é ego descartes é apelido      

Read Full Post »

o boeing

  há muito já passa da hora a demora já dura uma vida a procura já cansa a esperança é uma nave perdida a resposta é uma chave sem porta a saída é uma rota de descida em queda livre … do que se ama só sobrevive ao fim de tudo um celular que chama […]

Read Full Post »

penélope

  desfaço um plano esgarço um pano laço a laço , disfarço e passo ano a ano sol a sós , desconto um conto me engano e pronto , não dou ponto sem nós    

Read Full Post »

o ópio

  só a flor exata me sacia o olfato e a falta desse cheiro é tão macia como um travesseiro que me mata por asfixia      

Read Full Post »

o poço

  não posso dar nome ao troço que entorna  e não míngua não há espaço pra escrita entre a fome e a saliva que pinga não cabe um traço entre o que sabe a carne viva e a forma estrita da língua        

Read Full Post »

a réstia

  a lua procura uma fresta estreita na janela   e ali se deita amarela como a noite escura de quem vela            

Read Full Post »

a palavra

  manifesto mudo : se eu pudesse dizer tudo seria um gesto            

Read Full Post »

a funcionária

  não sou poeta bissexta bato ponto boto pingo nos is da poesia todo santo dia de sábado a sexta feira feriado no domingo não me comprometo viro pro lado inspiro e tiro um soneto      

Read Full Post »

a aurora

  o dia nasce tão lindo e quase ninguém vê tudo dormindo em breu só eu desperto e você nós a só(i)s ligados no espaço aberto por um segundo e depois como se os dois lados do mundo fossem perto      

Read Full Post »

o aqui

  ser é escasso , o tempo vence o espaço pelo cansaço      

Read Full Post »

o hieróglifo

  não sou eu que escolho entrar feito louca pelos seus poros ; eu oro por sua boca eu vejo pelo seu olho de hórus      

Read Full Post »

o amor

    todo jogo é inócuo sobre a oca esfera , todo fogo se apaga nenhum som se propaga só o verbo reverbera no vácuo      

Read Full Post »

a obscurecência

  essa obscura essência que te impele ao erro é a ausência impura do meu cheiro em tua pele      

Read Full Post »

a ave

  antes que esse assombro apague uma garça ou que o sol soçobre sob o céu de cobre hei de ter a graça de uma asa no ombro mesmo que me sobre só uma rima pobre    

Read Full Post »

a ama

  só a inocência ensina só o tempo acriança ; uma anciã que dança me nina      

Read Full Post »

o relâmpago

  desfio uma nuvem de fios de espanto pra não dormir cedo não morrer de medo de frio e de pranto enquanto o sol não vem    

Read Full Post »

a pintura

  triste baía sua beleza sobrepuja a água espessa que o homem suja   ó guanabara sempre linda outrora clara uma aquarela   agora escura ao sol fulgura ainda mais bela   óleo sobre tela      

Read Full Post »

a confissão

  senhor eu pequei como pude ? paguei o teu mal com o pecado mortal da virtude .    

Read Full Post »

o açougue

  a língua exposta esfria um beijo em postas , sobre o chão de azulejo a carne pouca , eu coração fora da boca latejo        

Read Full Post »

o palheiro

    a escolha é uma agulha preta na areia amarelo-palha de uma ampulheta quebrada : o tempo se espalha e nada há que perdure fora do ponto cego onde esse prego do agora nos pendure .      

Read Full Post »

o desabafo de safo

  … pois em verdade eu te digo digas tu o que disseres as palavras, meu amigo são mulheres      

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »