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entre tenentes ateus
e dementes a deus
eu sou
maiZeus
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entre tenentes ateus
e dementes a deus
eu sou
maiZeus
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Meu Twitter: @chrisnovoa
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Li ontem no jornal (um meio condenado à extinção, mas que ainda preenche as manhãs de sábado de seres jurássicos como eu) uma discussão sobre o "Apelo de Heidelberg", documento em que intelectuais europeus protestam contra a disponibilização digital dos conteúdos de livros e publicações científicas através de ferramentas como o Google Books.
Olha, eu até podia entrar nesse bonde pra reivindicar meus direitos de escritora (ainda que e-nédita) mas confesso que acho o máximo o Google Books e as possibilidades de consulta instantânea e gratuita que ele oferece. Penso que isso é o mesmo que folhear um livro numa livraria, só que no conforto do lar, o que nunca foi proibido e nunca impediu ninguém de comprar o livro, pelo contrário, só aguça o desejo e precipita a decisão de compra. Ou não, na maioria das vezes a gente folheia e depois não compra porque não gostou tanto, normal. Tem gente até que lê o livro todo de pé na livraria, ou na tela do computador. Mas só se estiver duro demais pra comprar, ou se for um leitor compulsivo, mais faminto do que permitiria seu ganha-pão. E a esses não se pode negar o direito de saber, mesmo sem ter como pagar, não é mesmo?
Então fico pensando, cá com os botões do meu teclado: Ok, o mundo está se transformando depressa demais, exigindo adaptações dramáticas, mas dá pra impedir? Faz sentido se colocar do lado dos que querem garantir reservas de mercado impondo vetos, pondo freios nos trilhos da informação? Será que nós, escritores ou pretensos, que nos achamos criativos o suficiente pra merecer a leitura de outrem, não devíamos ter talento também pra inventar um modo de sobreviver nessa nova ordem?
Não lametei nem um pouco a derrocada das mega-gravadoras, máfias superpoderosas que ditavam a trilha sonora das nossas vidas. Da mesma forma, não hei de derramar uma lágrima sequer pela agonia das grandes editoras nacionais, que têm isenção de impostos pra exercer uma função social que não cumprem - de fomentar a diversidade literária, descobrir novos talentos e contribuir para o fortalecimento da nossa cultura - e, em vez disso, se locupletam, reeditam ad nauseam obras em domínio público e, salvo raras e honrosas exceções, só investem em lançamentos de retorno garantido, como best-sellers estrangeiros ou autores de grande apelo midiático. Pouquíssimo inovam em formatos e conteúdos, e pagam aos autores uma porcentagem sobre o preço de venda que, em geral, não passa de um dígito (10% é pra autor consagrado!). Com zero de adiantamento, imagina.
O Google oferece US$ 60 por obra escaneada, mais 63% do que conseguir em anúncios, e ainda apresenta atalhos para a compra da obra... não parece tão ruim. O tempo vai dizer se este será o acordo ideal, mas pelo menos não é tão leonino quanto os contratos editoriais de praxe. O investimento deles é muito menor que o de uma editora, sem dúvida, mas o alcance também pode ser muito maior. Acaba sendo uma vitrine mais democrática que as feiras de livros e livrarias, que quase sempre excluem autores independentes e pequenas editoras. Estes terão a chance inédita de atingir leitores que estariam bem além de seus meios físicos de divulgação e distribuição.
Claro que existem aspectos negativos: o autor perde o controle da difusão de sua obra, que pode ser reproduzida sem seu conhecimento, plagiada e até deturpada, mas a verdade é que nunca se esteve livre disso. Enfim, são muitas as implicações, e de certa forma imprevisiveis, dada nossa limitada perspectiva atual. Contudo, tendo a achar que os mercados acabam se regulamentando e que a proibição de qualquer forma de expressão é sempre o pior caminho.
Temos é que repensar nossas práticas a partir de agora, e aqui peço ajuda aos universitários, e principalmente aos independentes que lutam por um lugar ao sol, porque estou longe de ter uma resposta pra essa questão: como viver de literatura nos dias de hoje?
Os músicos mais espertos estão disponibilizando suas músicas gratuitamente e capitalizando outros ganhos. Estão dando mais shows, por exemplo, pra compensar a queda na vendagem dos discos. Já os escritores ficam meio prejudicados nesse quesito espetáculo, vamos fazer o quê? Dar recital, palestra nas Flips da vida? Será que alguém vai querer pagar pra assistir? Até pode ser, Elisa Lucinda que o diga. Duvido que ela esteja preocupada com o Google Books, que não tem um pingo da sua graça brejeira. Mas o que farão os escritores tímidos? E os fanhos, os feios, os tartamudos?
Então talvez devêssemos investir mais no livro como objeto de desejo, não apenas um suporte de conteúdo. Em qualidade de papel e impressão, em criatividade editorial. Algumas gravadoras antenadas vêm fazendo isso pra garantir seus nichos, como a Biscoito Fino, que produz lindos encartes de seus cds, mini livrinhos (olha o apelo do livro aí, ó), perfeitos pra dar de presente ou, o que é melhor, regalar nosso próprio espírito.
Ou sei lá, façamos blogues. Vendamos espaço pra anúncio, como alguns estão fazendo, e sendo injustamente criticados. Eu não ponho porque acho feio. Esteticamente, não moralmente. Mas também nunca recebi uma proposta milionária (ainda!). Uma vez, pedi patrocínio a uma marca de cosméticos bonita, cheirosa e, até onde sei, politica e ambientalmente correta; achei que ia combinar com as folhinhas aqui do solar. Eles responderam gentilmente que sua política de apoio não inclui literatura, só música.
Covardia, os músicos sempre chegam na frente! Nós com o pires na mão e eles com prato, zabumba e a orquestra toda. Mas tudo bem, qualquer hora a gente acha o tom. Até lá, deixo lavrada esta modesta opinião.
É isso aí, minha gente, a literatura morreu, viva a literatura! Não seja um fim mas o início de uma era farta, de livros abertos num grande banquete. E boca livre pra todo mundo.
Imagem:Still-Life of Books - Jan Davidsz. de HEEM (1628)
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Outro dia uma amiga querida que escreve lindamente comentou que odeia quão, opinião compartilhada, ao que parece, pela maioria expressiva da blogosfera. Qual não foi minha vergonha, eu que adoro a moça e prezo muitíssimo sua opinião, mas devo confessar que sou de usar esse e outros tantos termos anacrônicos. Principalmente agora que, por razôes profissionais, sou obrigada a redigir com a riqueza vocabular de um surfista de 13 anos. Alimento secretamente o desejo de começar um conto assim:
Assis andava assaz assoberbado. Tão pouco tempo tinha para ir à botica, quão menos para dissipações tais como prosear com Dona Crisálida. Quiçá pudesse cortejá-la em tempo mais propício, no entretanto andava esbaforido e pouco propenso a proferir piropos e outras graciosidades com que a cumulava em dias de antanho. Preferiu outrossim manter-se alheio, em silêncio pétreo, o que muito contritou a outra cálida senhorinha Crisálida...
Isso foi só pra explicar, ao menos em parte, o estilo démodé (ou deveria dizer déblogué) que grassa neste sítio, muito bem ilustrado, aliás, pelo poema abaixo. E antes que os amigos se preocupem pelo tom dramático do mesmo, devo advertí-los de que se trata de um exercício de exagero poético, devo ter ouvido um fado furtivo por aí e quedei-me assim, profuuuunda.
Ai, meus sais.
Ontem a mulher de branco passou por mim na rua e sorriu. A mulher de branco é uma lenda viva de Ipanema. E pelo menos até ontem estava mesmo viva, que eu vi.
A mulher de branco não estava de branco, vestia uma cor indefinível, vai ver foi branca um dia. Ontem estava mais pra cor-de-burro-quando-foge.
A mulher de branco usa uma pinta verde no terceiro olho, mas enxerga bem e não rasga dinheiro. Outro dia um amigo meu, vizinho da mulher de branco, ouviu uma discussão dela com a empregada, a respeito de uma grana preta que sumiu. Sou louca mas não sou burra, gritava ela, verde de raiva.
A mulher de branco veste burro-quando-foge, mas de burra não tem nada. Tampouco parecia estar fugindo, andava calmamente e, ao passar por mim, sorriu. Não foi um riso amarelo, era um sorriso outrora branco de quem já foi linda, é o que dizem. Namorou muito tempo com alguém famoso, quem era mesmo? A mulher de branco ainda é famosa nas areias outrora brancas de Ipanema.
Eu não sou famosa e nem louca, ou assim quero crer. Só não sei por que ela sorriu pra mim um sorriso não-branco tão cúmplice.
Quando eu nasci, minha prima tinha 6 meses. Filha caçula da única irmã do meu pai, ela foi minha primeira amiga e também adversária nas primeiras disputas, brigas de unhadas e puxôes de cabelos nas quais eu, via de regra, levava a pior, já que, além de mais nova, nasci prematura e era mirrada, fracota e chorona. Os anos foram passando e continuamos unidas como unha e carne (leia-se a unha dela na minha carne e vice-versa, mas beleza, faz parte).
Gostávamos de dizer que éramos primas-gêmeas, embora fôssemos quase opostas fisicamente, eu de cabelos castanhos, curtos e cacheados, ela de longa cabeleira loira e lisa - alvo da minha inveja mais primária. Passamos juntas pelas delícias e agruras da infância e da adolescência, sempre gêmeas, sempre diferentes, eu magricela e despeitada, ela curvilínea e desenvolvida, dona de um belíssimo par de peitos - novo objeto da minha inveja, agora secundarista.
Além de compartilharmos família e amigos, nossos interesses iam sempre na mesma direção: eu comecei a aprender piano, ela se empolgou e foi aprender também, prestamos juntas o vestibular pra comunicação na puc, que ambas trancamos pra fazer teatro, e depois ainda teve a história dos maridos... lá pelos 18 anos, começamos a namorar dois colegas do teatro, amigos entre si. Namoramos com eles muitos anos (e terminamos e voltamos a namorar umas tantas vezes) até que casamos, com 15 dias de diferença, uma madrinha da outra.
Então a vida nos afastou um pouco, não sei bem por quê, acho que ela também não, parecia que nossos interesses tinham ficado diferentes. Eu parei com o teatro e abri uma loja, depois me formei em psicologia, ela resolveu ser atriz profissional e fazer novela, eu tive filho, ela não, eu me separei, ela não. Morávamos relativamente perto mas deixamos de nos ver, as ligações ficaram reduzidas a natal e aniversários. Ainda que, depois da gravidez, meus peitos tenham finalmente dado o ar de sua graça e que a brancura incipiente dos meus já longos cachos me tenha feito adotar uma tintura quase-loira, nossa gemelidade, aparentemente, se perdeu na noite dos tempos.
Semana passada ela fez aniversário, era o dia da ligação anual. Mas eu não tinha mais o telefone dela, então resolvi mandar um email. Daí me deu uma puta saudade e escrevi quilômetros contando a vida, a mudança pra São Paulo, o emprego novo, etc. Soube por parentes que ela tinha se separado no último ano e pedi uma atualização completa. Uma semana se passou e neca de resposta, achei que ela tivesse me riscado definitivamente de seu caderninho. Até que chegou a missiva, com as desculpas pelo atraso porque enderecei a mensagem pra uma caixa postal semi-inativa, juras de saudades correspondidas e a requerida atualização dos últimos tempos. Trocamos MSNs e, no mesmo dia, falamos horas, quase uma tarde inteira. Botamos a vida toda em dia, notícias da família de um lado e de outro, mas a melhor novidade é que ela agora está escrevendo. Eu já sabia que ela levava jeito pra a coisa desde criancinha, então dei a maior força e sugeri que ela fizesse um blog.
Hoje recebi email dela avisando que seguiu meu conselho e apresentando seu recém-inaugurado sítio. Fui lá e morri de rir com as histórias, me emocionei... fiquei super orgulhosa, ela é muito boa nisso! Também fiquei feliz porque, escritoras e blogueiras, estamos gêmeas de novo.
Passem lá pra conhecer a Macaia e digam se ela não é a minha cara.
Estava na padaria ontem à noite, quando um grupo de universitários passou por mim, conversando. Um deles, gorducho como um pachá, proferiu a estranhíssima sentença, enquanto devorava uma baguete: "Não tem nada que eu deteste mais nesse mundo do que o Cirque du Soleil.". Ao que um outro, de físico igualmente empanzinado, completou, roendo uma rosquinha: "É odioso!..."
Eu, hein? Sei não, mas acho que pão e circo andam fazendo mal ao povo.
** Grafia corrigida pelo meu querido e cultíssimo amigo Idelber Avelar, consultor deste sítio para assuntos polêmico-lingüísticos.
E deficiente mental, podem?
(foto: Regina Grellet)
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A falta de acento me afasta, todavia o dever me chama.
Ia contar um segredo na caixa de comentarios perfeitamente acentuada de um amigo, fiz um longo relato e, na hora de mandar, deu erro, sabe como eh? de matar, nao? dai a gente entra facil na espiral errada. Tem que fazer uma forcinha pra girar pro outro lado. Oooohhhhmmmm.
No fundo tudo eh perfeito, eu tenho que consertar os acentos ou nao precisar deles. Tenho exercitado o desapego ultimamente, e o desacento. Mas confesso que quero mesmo a abundancia, e devidamente circunflexa. Um comentario frustrado pode virar um loooongo post, por que nao? assim seja.
A cornucopia da abundancia, segundo a lenda, eh uma espiral que funciona assim: quanto mais se usa, mais riqueza vem. Na vida, isso tambem se aplica: aos ricos, nada falta, tudo abunda. A Gisele Bundchen, por exemplo, agora ate bunda tem. Pelo menos ela assim se acredita e, como efeito magico, sua bunda cresce e se multiplica pelas primeiras paginas do pais tornando-se, portanto, uma realidade abundante. Sobretudo quando se sabe as cifras da poupanca dela, e como abunda! Da Gisele, acho que ate eu. Pelo menos, dou uma espiada, ali na primeira pagina pagando cofrinho. E ainda tenho a gloria de constatar que, assim num relance, minha poupanca parece mais... polpuda que a dela. Nada alem de aparencias, claro. O conteudo eh o que conta. A conta da Gisele tem um conteudo inegavelmente maior que a minha. Isso me lembra a filosofia de porta de banheiro de Branco Leone, mas o que tem o o assento a ver com as calcas?
Isso tudo foi pra confessar que... sim, eu vi "O Segredo". (pausa para os comerciais)
Eh o que ha de cafona e sensacionalista mas, pra mim, foi uma especie de revelacao.
Ha alguns meses, mais precisamente no dia 29 de dezembro de 2006 (dia seguinte ao meu aniversario de - outro segredo que cai por terra - 38 anos), vinha eu triste e cabisbaixa, chutando lata pelo caminho, quando esbarrei com um amigo, ou melhor, um conhecido com quem costumeiramente esbarro em meus trajetos e raramente trocamos mais que sorrisos e movimentos de sobrancelha. Eis que nesse dia estava eu - talvez pela tristeza, ou pelo aniversario recente, ou por esses acasos inexplicaveis do destino - mais falante que o costume e o papo rendeu assunto e se estendeu a um cafe na padaria mais proxima. Ao final de 2 medias, 2 cafes pingados e 200 g de pao-de-queijo, despedimo-nos mas ele quis me presentear pelo aniversario com um CD que havia gravado pra sua tia, o ja famoso mas ate entao desconhecido para mim "The Secret". (pausa para os comerciais do livro que desvenda o segredo por tras do sucesso de "O Segredo")
O que o filme diz eu ja sabia. A biblia fala, a cabala fala, Lair Ribeiro fala, a fisica quantica fala, a psiconeurolinguistica fala, cada um de um jeito: o pensamento constroi a realidade. Simples assim.
A questao eh: se eh tao simples, porque nao somos todos felicissimos? Desejamos o sofrimento?
Nao, temos medo. Pensamos culpas e preocupacoes e criamos monstros. Deve ser por isso que as criancas temem ficar sozinhas, pensando. Quando crescem, nao enxergam mais os monstros que criam.
A gente pensa muito mais no que teme, no que odeia, no que nos indigna, do que naquilo que deseja. Temos que reaprender a pensar, saber querer.
O segredo explica que o pensamento desconsidera o nao. Ha que estar atento as palavras. Exemplo: nao pense num cavalo branco. Impossivel, ja foi criado, esta vivo, trotando, nem eh mais nosso.
Esse eh o poder que temos em palavras, imagens e acoes: criar mundos. Eh maravilhoso e assustador ao mesmo tempo, se aceitarmos essa premissa de forma mais radical.
Assustador porque nao controlamos totalmente nossos pensamentos, e se formos comecar a assumir a culpa do mundo por tudo que nos acontece, ai eh que vamos deprimir na hora.
Mas eh maravilhoso tambem porque podemos mudar tudo, basta criar pensamentos melhores. Essa eh a tese, ou pelo menos foi o que entendi.
A chave de tudo parece ser o humor. Porque o mau humor arrasta os pensamentos ralo abaixo, isso eh uma verdade facilmente comprovavel. E um sorriso sempre melhora tudo, gentileza gera gentileza e coisa e tal. Pura verdade, a gente sabe.
Eh que o mau humor tem certo glamour filosofico. Isso o filme nao fala, adendo meu, mas ha que abrir um parentesis para discutir o impacto da extincao do sarcasmo para o ecossistema social. Outra praga a ser erradicada, nao sem certa nostalgia, eh a maledicencia, esta velha companheira, mas eh fato que tambem nos arrasta aa baixeza, entao passemos a frequentar ambientes mais elevados. Mosteiros no Himalaia, coberturas em Manhattan, essas alturas onde todos parecem felizes e riem o tempo todo. Rico ri a toa, pode reparar. Os sabios tambem sorriem, embora mais discretamente. Estou treinando um riso budico pra ver se abunda pro meu lado.(pausa para a foto)
Porque o segredo eh o seguinte, gente: se voce nao eh feliz, finja! Aja como se fosse, sorria muito, voce percebera como eh facil enganar os outros e ate a si mesmo!
O filme fala de uma historia mais ou menos assim: um artista plastico bonito, inteligente e tudo de bom ( e aparentemente nao-gay, vejam que caso interessante!) nao conseguia arranjar uma namorada. A "terapeuta" (?) percebe que os quadros que ele pinta retratam mulheres com expressoes de desprezo, que olham atraves. Ele entao passa a conscientemente produzir quadros com mulheres olhando para ele, apaixonadas. E eis que, em pouco tempo, ele encontra o amor de sua vida.
Nao eh lindo isso? Eu quero!, pensei. Dai eu percebi que estava igualzinha. Fui ver o que andava escrevendo e, cruz credo! Eu estava escrevendo uma historia que nao queria viver. Ou antes, nao estava escrevendo a historia que quero e, modestia aa puta que a pariu, tenho certeza que mereco.
O segredo que vou confessar agora eh que, nao tendo nada a perder, resolvi fazer a experiencia. (pausa para eu pensar se vou contar mesmo)
Olha, como boa celebridade, eu nao falo da minha vida pessoal, entao vamos falar tudo de maneira generica, ok?
Digamos que ha uns meses atras eu comecei a escrever uns poemas como se estivesse apaixonada e/ou me apaixonando, poemas felizes de amor. Nao foi muito facil, ja que nao estava, mas com um pouquinho de imaginacao saiu alguma coisa.
Gentem, foi coisa de uma semana!! Vamos pular genericamente essa parte, porque essa primeira coisa nao foi assim a historia de amor da vida ainda. Isso pode acontecer, uns alarmes falsos, mas faz parte. O importante eh entrar na lei da abundancia.
Porque o que vou dizer toda mulher sabe, entao volto a falar em termos genericos: quando a gente ta em fase encalhada, nem os porteiros olham quando a gente passa. Mas quando arranja um namorado, eh batata: todos os ex-futuros-casos, peguetes eventuais, potenciais e congeneres resolvem lembrar da sua existencia, aparecer, telefonar, e ateh se materializar por acaso no meio do seu caminho. Nao ha garantia de que, dentre estes, esteja o amor de sua vida, mas as chances aumentam muito.
Entao, o que posso revelar genericamente aos leitores de caras eh que, ao que parece, o amor me achou. Ou, em outras palavras: eu dei as caras, e hoje o amor em mim abunda. Mas eh segredo, viu?
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P.s.: Estou tentando produzir acentos com a forca( socorro!) do pensamento... aceito dicas e mentalizacoes.
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ilustracao: Milton Dacosta
Andam me cobrando que dê mais as caras por aqui, mas sou muito indisciplinada. Estive pensando em outras coisas ou, sei lá, fiquei sem assunto, me perdoam? Continuo amando cada um dos gatinhos pingados queridos que me alegram com sua leitura mas não posso contrariar minha natureza indolente.
Contudo, num esforço de consideração comunicativa, vou dividir com vocês alguns momentos traumáticos por que passei recentemente, ainda que tal relato exponha minhas vulnerabilidades de caráter à execração pública.
Sim, porque quisera eu narrar aqui algum feito heróico, a conquista de um prêmio importante ou meu enriquecimento repentino, mas as novas que trago não são tão alvissareiras. Na verdade, trata-se da confissão de um ato vil:
Eu matei uma esperança!
E com requintes de sadismo, ainda que involuntário, se é que existe algoz inocente. Devo dizer em defesa própria que, se fui covarde, foi porque movida por um medo pânico, abissal.
Tenho pavor de esperanças, grilos, gafanhotos, louva-deuses e todos os demais membros dessa família, tanto quanto de baratas. Não que eles sejam nojentos como as cucarachas, pois até não são. Costumam vir da mata, de lugares limpinhos. Mas têm uma textura áspera, totalmente aflita, e pulam. Em geral, na minha direção. Não sei o que eles têm comigo, deve ser porque emito luz...
Uma vez, estando sozinha em casa e não querendo cometer inseticídio, olhei bem praquela coisinha verde e pensei o mais alto que pude: "Pessoas não comem esperanças e esperanças não comem pessoas, portanto não precisamos ser inimigas. Então vamos fazer um trato: Você não me ataca, eu não te ataco e viveremos felizes para sempre".
Sabem qual foi a resposta da fofa ao meu anúncio de cessar-fogo? Lançou-se num salto diretamente para o meio da minha testa! Quando acordei da síncope, despejei meio tubo de Baygon em cima dela e fui dormir na casa da minha mãe, onde aliás moro até hoje, mas não por culpa da esperança, verdade seja dita. Talvez até por falta dela, mas isso já é digressão.
O fato é que não confio mais em esperança, nem adianta fazer aquela carinha de bicho-grilo. É ela ou eu.
Essa do outro dia ainda por cima era enorme, devia ser uma esperança-de-itú. A meio metro da minha cama.

Cai o Rei de Espadas
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Cai o Rei de Ouros
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Cai o Rei de Paus
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Cai, não fica nada...
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(Cartomante - Ivan Lins / Victor Martins)
...mas nem precisava ser vidente pra cantar esta jogada.
[Legenda da ilustração: um instantâneo de Palocci quando ainda era Rei]
* * *
P.s. - Hoje tem post meu no Bombordo. Vai lá!
P.s.II - Também tem post da Mâmi, para alegria do povo que andava saudoso de suas letras.
E o Kadu, hein? O cara pode até ser mole, mas de terno não tem nada...


Update: O Flavio, lá da Itália (uma terra plácida onde nada se escuta quando o povo desce o morro por aqui, ou quando o exército sobe, e olha que a chapa tá quente!), pede para saber na íntegra este babado. Pois já está até na Wikipedia.
Pra começar, a quem interessar possa, um breve relato da passagem do furacão Stones pela cidade, no último fim-de-semana:
Não, crianças, eu não fui!
Vou mandar fazer uma camiseta pra deixar de herança a meus bisnetos. Se até lá um Mick Jagger ducentenário ainda for ídolo pop, pode ser que eles me execrem por isso. Ou pode ser e é bem mais provável que não dêem a mínima. "Não foi aonde, bisa? Rolling quem?"
Assisti pela TV, do conforto do meu sofá. Peguei o show no meio, porque antes estava vendo um filme maneiro em outro canal, que não consegui saber o nome porque já estava começado. Tudo bem, quem liga para inícios? Os fins justificam os meios. Comecei pelo momento em que eles tocaram Wild Horses, uma música que eu adoro. Mas no meio daquela muvuca de Copa é que eu não queria estar, nem a cavalo.
A melhor coisa do finde foram @s amig@s de São Paulo e do Rio também que encontrei, e os novos amigos que conheci. Por falar nisso, onde estão os do Paraná que não vieram, ou será que vieram e eu não vi?
A Patrícia, minha amicíssima virtual que finalmente encontrei ao vivo, não aguentou as condições de temperatura e pressão do show e veio se refugiar aqui em casa; pegou o finalzinho pela TV. Donizetti, Viva e companhia chegaram mais tarde, Inagaki e respectiva trupe sucumbiram à exaustão pelo caminho.
Por aqui foi tudo ótimo, a noite estava linda e o papo, agradabilíssimo. Juntou-se a nós meu vizinho Bigode, cineasta, que trazia notícias da área vip. Viva (verdadeira locomotiva social da blogosfera) estava muda, mas trouxe sua linda e personalíssima filha Luna, que se expressava por ambas. Patrícia, que pegou no pesado na direção fazendo SP/Rio/SP em um único fim-de-semana, chapou no sofá da outra sala. Depois ficou com vergonha, imagina! Eu compreendo totalmente, sou ativista ferrenha em favor do sono livre. Acho que todos deviam dormir muito para ter mais saúde, melhor humor e consumir menos. Dormir é uma atividade pacífica e ecológica, diria mesmo revolucionária! A tirania da produtividade maníaca tenta patrulhar este nosso direito fundamental, impondo que a gente faça tudo, se informe de tudo, leia tudo, vá a todos os eventos e conheça todo mundo.
Conhece-te a ti mesmo, já dizia Sócrates. O sono é uma atividade solitária, pessoal e intransferível, portanto um excelente momento para se conhecer. Mas isso já é outro assunto.

Eu acho que sempre tive a tendência - vide relato do Rock in Rio - mas estou piorando com a idade. Deve ser culpa do meu signo de Capricórnio que, ao que parece, condena seus portadores a idiossincrasias incompatíveis com a vida em sociedade ou, em outras palavras, a uma chatice crônica. Sou fresca, vá lá, comodista, desanimada, alienada, careta.
Mas o fato é que pessoas só me são administráveis em quantidades moderadas e, mesmo assim, por tempo limitado. Maratonas de aglomeração, tô fora. O povo é o demo, já sabiam os gregos.
Anteontem morreu gente em São Paulo em tumulto por causa de uns famosíssimos RDB que eu, em minha bendita ignorância, nem sabia que existiam.
Sinceridade; eu não simpatizo com o demo. Roquem-se e rolem-se à vontade mas não me chamem.
Stones em Copa?? Nem que fosse no tal do curralzinho vip, última novidade em pecuária de celebridades.
Chic é estar na santa paz do lar a uma hora dessas. Vou assistir pela TV, tomando cervejinha gelada e comendo pipoca de microondas. Do mesmo jeito que eu assisto à inauguração da árvore de natal da Lagoa, à queima de fogos no réveillon e outros espetáculos demo-cráticos.
Minha amiga bióloga informou outro dia que os sapos estão em extinção como de resto virtualmente toda a fauna e flora deste planeta, segundo este outro biólogo por causa do aquecimento global.
Concordo que o calor está de matar mas a verdade é que aqui pro meu lado não faltam sapos. Eu mesma andei beijando alguns e engolindo vários.
Então, contas feitas, talvez seja eu a responsável pela extinção dos sapos, pois que os engulo até bem mais que beijo... Socorro, é uma orquestra a coaxar em mim, e o mundo um deserto silencioso?!
Pois que solto os bichos imediatamente: Xô, vai nessa, sai de mim! Ó Seu Sapo, vai pra Rua do Sabão! E devolvo cada um ao brejo longínquo de onde veio.
Aqui, o doce silêncio barulhento da mata e os sapos lá fora, como sempre. A noite está linda, o tempo é todo meu e o mundo nem parece um lugar tão quente.
Eu já devo ter sido queimada umas 157 vezes ao longo das encarnações, então não vai fazer muita diferença se eu for pra churrasqueira novamente. Ainda mais que hoje em dia posso pleitear uma execução mais rápida num forno de microondas, coisa de um minuto e meio na potência máxima.
Por essas e outras , vou confessar a vocês:
Sim, eu sou uma bruxa.
É de família, fazer o quê? Mas olha, eu não sou nariguda nem tenho verrugas, e nem gosto muito de roupas pretas. Faço uma linha mais light, nariz arrebitado e trajes civis, tipo "a feiticeira" (a original, é claro. Nicole Kidman que me perdoe, mas eu recuso imitações). Mas também não sou loura, nem tenho aquela vidinha careta. A Mâmi é tão interessante quanto a Endora, só não tem aqueles olhos repuxados nem usa sombra verde. Somos bruxas tropicais pós-modernas, divorciadas e emancipadas. Sabemos nos misturar quase perfeitamente às pessoas normais, e abdicamos do uso de nossos poderes em público, mas ainda assim não é difícil reconhecer uma de nós, se vocês prestarem bem atenção a alguns sinais característicos:
(sinópsis de telenobela en portuñol abanzado, tipo excsportación, para todo el mercosur)
Por Chrissita Nuêboa
En un bedjíssimo balneário rrunto a la mar, Conchita Ibañez y Montalba era una puebre mutchatcha sueñaduera que solamiente desseava encontrar el amuer. Todos los días, cuando su maldossa madriasta, Doña Perpetua Dolores Montalba, molestabale con pessados servicios domesticos y tratamiento dessumaño, Conchita superaba sus probliemas cantándo, suspirándo y sueñándo con Ramón Augustín Hernandez y Zaragoza, su vecino rico, intelirrente y hermosso que ella osserbava de lejos.
Ramón era nóbio de Rossário Nuñes Javier, una chica de la alta sociedad, pero en verdad una golpista ecspertallona que solamiente quería su deñero, y haría cualquier cossa para conseguirlo.
Ramon nunca tenía siquiera mirado Conchita, pues que la madriasta no permitía que la enteada salisse del palaciete, para que no excspussesse su gracia y bedjeza.
Conchita, que amava la mar, saía de cassa escondida para bañar-se en la playa a la notche, cuando tenía luna llena. Ella esperaba su madrasta adormecier y bañavasse por algunos momientos, su mússica-tema al fondo, imárrenes en câmera lienta...
Conchita llorava en segriedo por Ramón, su amor impossible.
(Por Dra. Lovesick - Personal-self-esteemer)
Da série "só para mulheres (e homens que as adoram)":
TIP - Teoria da Intermitência Permanente
Cara amiga internauta,
Pra começar, aviso que esta teoria é politicamente incorreta. Quem liga? É 100% eficaz, e você sai bem na fita.
Eu tive meu brilhante insight a partir das teorias de Skinner sobre aquisição e manutenção de comportamentos em animais. De tão simples e funcional, eu devia vender esta fórmula em livros de auto-ajuda e ficar muito rica mas, como sou uma missionária da iluminação feminina, dividirei minhas conclusões graciosamente com as freqüentadoras deste sítio.
Os homens, eu preferia que não lessem para que não buscassem alterar conscientemente os resultados mas, como tudo leva a crer que não possam agir contra seus instintos, fico tranqüila. Talvez, em sua curiosidade, aprendam algo sobre si mesmos, e ficarão espantados de perceber como são tão facilmente manipuláveis por estratagemas primários.
Bem, vamos à teoria.
Tem pessoas que são exemplos para mim, como Budas vivos: seres iluminados que devem nos servir de guia.
Uma dessas pessoas é minha amiga Dani-Loira, que veio ao mundo para provar que, como Foucault já dizia de uma forma muito complicada, e um anúncio de refrigente, de modo bem mais simples: "imagem é nada, sede é tudo!".
E o que tem o cachimbo do Magritte a ver com a Dani-Loira? Bom, pra começar, ela não é loira. É até um pouco japonesa, na verdade, mas quem se importa? Lá pelos 16 anos ela achou que precisava de um realce no visual. À base de alguma água oxigenada e muita atitude, ela convenceu a si e ao mundo que é loira e pronto, a coisa pegou. Hoje em dia a loirice é alcunha e parte da personalidade, ninguém discute.
A Dani também não é assim propriamente bonita. Altona demais e não muito magra. As feições também não são muito delicadas. Se fosse comigo, acho que viveria meio encolhida, acanhada. Mas a Dani, ao contrário! Ocupa o espaço e ainda sobe no salto! Cabelão loiro (metade é aplique), carão de traveco, e lá vai ela noite adentro. Menina, não é que ela arrasa na balada?! Pega geral!! Vocês devem achar que ela é inteligentérrima, engraçadíssima... que nada! Mas sabe seduzir, sei lá. Ri das piadas dos caras, faz cara de lôra-burra... Funciona que é uma beleza.
Ela tem uma estratégia clara: jamais se deprecia. Está sempre ótima, todos os caras estão a fim dela. Questão de ponto-de-vista, não é mesmo? Outro dia ela arrumou um namorado que tinha ejaculação precoce. Achou uma maravilha, mais uma prova do que ela sempre soube: "Eu sou muito deliciosa merrrmo!"
Há uns meses ela voltou a sair com um ex-namorado e, pra que ele não soubesse que ela estava desempregada, inventou que estava trabalhando numa dessas grandes empresas de telefonia. Mas o namoro engatou mais sério e ela viu que não poderia manter a farsa. Teve que dizer que se demitiu. O motivo? Sofreu assédio sexual, é claro! "Meu chefe está tarado em mim, ai que saco!..." O namorado ficou louco, queria ir lá bater no cara... e ficou muito mais apaixonado, que o aumento da demanda sempre valoriza o produto.
Mas é na hora do biquíni que minha ídola se supera. Não enxerga os culotes, a barriga, as estrias. Só exclama pra si mesma: "Tá podendo, hein Dani?! Lindona!!" E sai rebolando pelas areias de Ipanema, linda, loura e japonesa, destruindo corações.
Ela nunca diz o seu peso mas jura que tem a proporção ideal: "É que eu sou muito alta, tenho ossos pesados, então o peso em mim não conta, o que vale é a medida!" Quer saber suas medidas? No perfil do Orkut, se definiu como "gostosa, tipo falsa magra". Tem 237 fãs.
Conclusão: É melhor ser uma falsa magra do que uma gorda sincera.