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Sobre o Curso

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(extraido do Tao Te Ching - traducao de Mario Bruno Sproviero)
fu.gif
CAP. XX

nao ao estudo e foi-se a inquietacao
"sim" e "pois nao" quanto se distinguem?
bem e mal como se distinguem?
o que os homens temem nao se pode nao temer?

esteril! esse nem sim nem nao

A massa efusiva e mais efusiva
como no gozo de um festim sacro
como nos altos a sagrar a primavera

so eu ancorado! nesse ainda sem auspicios...
como recem-nascido antes de se acriancar
marionete! sem para onde retornar

a massa tem o superfluo
so eu sem que nem para que
eu... que coracao de idiota
oh! confuso e mais confuso

a gente brilha que brilha
so eu ofuscado e aparvalhado

a gente vibra que vibra
so eu melancolico e mais melancolico
placido! tal qual o mar
ao vento! como sem lugar

a massa tem com que
so eu obstinado e tosco

mas so eu diferente dos outros
dignificando a mae nutriente


.

Uma rosa ?ma rosa ?ma rosa

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chrisflor.jpg"Queixo-me às rosas

Mas que bobagem

As rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti


Ah

Devias vir... "

(Cartola)

.

Foto por Ana Beatriz Occhioni
Jardim Botânico/ Julho 2006

Palavras que eu queria ter escrito...

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Por Sophia de Mello Breyner Andresen (1950)

blue_drop.jpgDepois da cinza morta destes dias,
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.

Momento Florbela

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chrisnovoa18.JPGPara ser franca, tenho que admitir: sempre achei estes versos a minha cara. Aliás, ainda bem que não fui eu que os escrevi, eu não me permitiria esta franqueza:


Versos de orgulho


O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.


Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !


O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
__O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...


Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.


Florbela Espanca, 1930.


Créditos da foto:
Fotografia por Felipe Goifman, 1987.
Modelo - eu, aos 18 (pensando que tinha 36).

Not?a relevante: Lan?ento!!!

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livro_fal.jpg

A maravilhosa Fal, destacada integrante de nosso grupo e-néditos, cansou de esperar que uma editora de visão invista em seu talento. Arregaçou as mangas, raspou o cofrinho e vai lançar, por conta própria, seu segundo livro, O Nome da Cousa.
Está aberta a temporada de pré-venda do livro, ao preço promocional de 25 Reais. Manda um e-mail pra reservar seus exemplares: livronovodafal@gmail.com . Compre vários. Excelente opção de presente de natal, amigo oculto e o que mais sua imaginação sugerir. Eu recomeindo e assino embaixo.
Quer uma amostrinha da prosa da moça? Olha aqui, ó.

Estado de graça

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fruitflo.jpgA vida vale a pena quando você faz um pequeno mimo a um amigo e recebe um arranjo inesperado de flores com pedaços de frutas da estação.
Um trecho:

"(...)
Chamo essas sensações de "estar em casa". Sentir-me em casa. Não é geográfico ou arquitetônico, é neural. É sináptico. É o meu clube. A minha casta. É onde me sinto bem. Onde quero viver. Meu hábitat. É raro, mas faz o resto valer a pena. É o que torna difícil o dia-a-dia cerebralmente estoporante. É o que faz tremer meu ceticismo cósmico-cármico. É o que me faz amar o Acaso e grafá-lo em maiúsculas.

Coisas que se sabe de sentir, antes de pensar.

É o fascínio da arte. Numa infusão junto com o fascínio pelas pessoas.

É mais que isso. Muito mais. Eu tenho uma vida inteira pra descobrir."

~.~

Tiago Casagrande, graça em forma de palavras.


.

Independ?ia?

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nosnaredeverde.jpg"Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!"

(HINO À REPÚBLICA - Letra de Medeiros de Albuquerque / Música de Leopoldo Miguez)

Reflexões sobre a Independência, em alguns dos melhores blogs brasileiros espalhados pelo mundo.
Clique no selo do "Nós na Rede" e siga os links.

Tesouros da casa

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goldenta.jpg(Este post ficará no ar durante todo o sarau e será atualizado à medida que forem chegando as contribuições. Deposite seu poema na caixa de comentários e sirva-se à vontade)

P.S. - Inverti a ordem dos poemas. Agora os recém-chegados estão por cima. O sarau está um espetáculo! Agradecidíssima pelas presenças e pelos poemas, repentes, micro-contos e demais inspirações. Beijos a todos.

.

Por Tânia Lima:

Querida amiga Christiana,
Perdoa-me o tardar da hora.
Dizem os com mais sabedoria:
Antes tardar do que ficar fora.

Vim participar dessa festa e,
na verdade, honrou-me o convite.
Trouxe vinho branco geladinho
e uns petiscos pra quem tiver apetite.

Eu?
Contento-me com poesia...
Letras, doçuras, ritmo...
palavras soltas e sensíveis
até de quem acha que não deveria.

Talvez uma letra de música
de poetas consagrados...
em versos e melodias...
hummm....
seriam do meu agrado.

E como é um sarau de respeito,
trouxe também alguns quadros...
telas com pinceladas de amor,
que ao gosto de todos sujeito.

No mais
vou aproveitar a presença
de gente com sensibilidade...
Vou sentar-me aqui e alí
deleitando-me com seus amigos,
que sei, são de qualidade.

Um beijo grande...
abraços apertados...
às donas da casa
e a todos os convidados.

.

Por Ligia Saboya:

PSICANÁLISE & PURPURINA.
A meus Psi Co-Analistas;

Não pretendo a caricatura,
nem o fiel da loucura
e timão;

O hematoma é condão do sonho,
requinte enfadonho,
fel padrão.

Lá quer seja a maré vigente
singro tenazmente por qualquer
milagre;
Pois coragem é cais intermitente,
já que da dor à frente
sequer

Deus sabe.

.

Por Ligia Saboya:

Vi Marte a olho nu!
Para Christiana Poeta Nóvoa

Para todo humano ato palmo a palmo cometido
urge que a ele se ate exato ou sensato sentido;
pois soa a palavra por tímpanos, às vezes, submetidos
a sotaque orquestrado por surtos de adjetivo.

Se a Deus ou ao Diabo se deve lato e stricto quesito,
a penas e adrede duela versus verbo o substantivo;
mas irrequietos provérbios de condão intelectivo
hão de açoitar as sentenças de caráter defectivo.

Sequer não existe pragmática para léxico irreflexivo,
quer seja a prosopopéia a expensas do eruditismo.
Nem cabe à metáfora indulto a verbetes desabridos,
pois não aventa a gramática tratados subversivos.

Por essas e outras me escalpo ante saraus redivivos
e rudemente enfronho meus poemetos em arquivos.
Não há antídoto nem prótese para prolapsos do siso,
profético e egrégio espião que pontualmente cativo.

Quis da rima casta e heráldica, quis de seu líquen detrito.
Quis a linguagem ambidestra para sublime delito.
Quis privar da gala fóbica como mártir concluído.
Quis ser morosa placenta desse mundo, e de outros idos...

Mas desta miragem e soberba fretei o milagre escandido,
e à unha não enfrento o touro, nem fruo o fruto maldito.
Somente me adejo frondosa no silêncio mais altivo
em meio ao remanso ímpar de meus ímpares amigos.

Sob as vésperas do tempo como se lume entretido
aguardo o inato momento em que enfim desguarnecido
rabisque meu corpo poesia de alcance intransitivo
e fragmente-se vasto contra o prisma argüido.

E então vou flanar ao relento de motes sem imperativo,
quiçá como cata-vento de sonhos não concebidos;
E por lampejos de brisa vou cochichar sem pruridos
por teus caracóis o segredo do gesto que acende o infinito...


.

Por Tita Aragón:

Neurônios desencontrados

Tenha cuidado
Onde pisa
Você pode estar andando
No lado errado da vida
Se não puder fazer
Não prometa
Não minta
Não faça
Não alimente
Falsas alegrias
O que tiver de ser
Vai acontecer
Mesmo que de um jeito
Completamente
Diferente
Porque as pessoas
E as coisas
Nunca são
O que parecem
Deixe de lado
O medo
Os bloqueios
Seja honesto
Com você mesmo
Não desdenhe
Não julgue
Não finja
Não se deixe levar
Por águas desconhecidas
O tempo sempre vai dizer
Seja inteiro
Seja leve
Seja sempre
Não dói.

.

Por Cynthia Feitosa:

Pra réponder, s‚il me plaît
É o que ordena a educação
Mas meu verso, e seu pobre pé
Quebrado gritam que não

Como sair da esparrela ?
Pensei, e só achei um meio
De pular fora da panela
Sem fazer um papel muito feio

Serei, como os deputados,
"relativamente" honesta :
Confesso não ter predicados
Pra participar da festa

Mas direi isso rimado
Pois sou ruim, mas não sou besta.

.

Por Dal:

RISO FALSO

Deixei a solidão me levar pelo mar,
Pela mão,
E encontrei tanta gente na rota,
Gente triste,
Gente nua,
Gente rota,
Que, aos poucos, o sorriso esgarçado
Que eu usava no início do jogo
(era um jogo)
Se mostrou estar longe do porto,
Se mostrou estar preso a amarras,
Se mostrou ser bem mais um estrago
Ser tão só um grande rombo na face,
Um escárnio.

.

Por Roman:

Réplica

Dizer “o todo é maior que as partes”
é apenas parte do todo, por assim dizer.
O todo oprime, reduz, produz descartes,
do modo que melhor lhe apetecer.
Onde está o gás dos elementos,
do H e do O depois de água feitos?
Sucumbiu pelo rijo adestramento,
simples rejeito no elemento liquefeito.
O todo ser maior que as partes é um meio engodo:
as partes podem ser e são também,
maior que o continente, que é o todo,
pelo século dos séculos, amém.

.

Por Dal:

O POEMA DO FANHO
(O 'OEMA 'O 'ANHO)

'inha 'miga 'hristiana
'u 'dorei 'eu 'arau
'en 'anta 'ente 'acana
E 'ada 'erso 'egal!

'ou 'alar 'rá 'odo 'undo
O 'ue eu acho de 'rasília:
É uma 'orja de 'afados,
De 'achorro, uma 'atilha!

Eu 'enso 'ue 'oda 'essoa
'eja 'olítico ou 'ão
'eve ter a 'alma 'oa
'em CPI, 'assação.

Eu 'inha 'anta 'oesia
'rá 'olocar 'o 'eu 'log
Mas 'ensalão, e 'PI
'ssa 'ente só me 'ode!!!

"ó não 'osto do 'ue 'ejo
No 'osso 'uerido 'rasil
'uita 'aca e 'ouco 'ueijo
'a prá 'uta 'ue 'ariu!

'á 'om, eu 'ão 'alo 'ais
'alavrão, 'ê me 'esculpa
'omo as 'essoas 'ormais
'deio esses 'ilhos da 'uta...

.

Por Ligia Saboya:

Patrícia, Dal, e à dona do Sarau;
feras na inspiração da rima
e na rima da inspiração!
Seus poemas têm sabor e "gosto de quero mais";
voltem à cena, perdurem neste varal:
pois não há noite que decline
nem sol que se subestime
pra versos de convicção!

Parabéns ao trilegal trio legal!

.

Por Flavio Prada:

Hoje comi um bife
Fiquei pensando em você
Não um bife pequeno
Você estava linda
Um bifão

Com bastante fritas
E aquele olhar matreiro
Não estavam encharcadas
Desejo, puro desejo

Sequinhas
Molhada

Arroz também
Você dançava, nua
Tudo bem soltinho
Querendo me amar
Delícia

.

Por Ligia Saboya:

SE ME DEIXAS,

vou embrenhar-me por matos/ e matar cachorro a grito/
pichar muro em desacato/ aos títeres do teu partido/
e alardear inclemente/ que tens aftas/ joanete/
dois pivôs fosforescentes/ e um ronco ímpio e cacete.
E invento que foste parido/ por mal afamada senhora/
e sempre teúdo e mantido/ por bens meus sob tua penhora/
porque são teus sonhos carnudos/ teus beijos irreversíveis/
e que teu corpo desfruto/ como a mais audaz das virgens.
Pois me ata teu dom esquivo/ de me arregaçar alma e ancas/
às vezes num tique dorido/ às vezes em trejeito pilantra/
depois cheiras a manso ranço/ e a combalido capim/
e além, em meu ventre destranço/ teu longilíneo estopim.
Se me deixas, te enveneno/ e embarco pra orgias na Estônia/
ou em gamelas te dreno/ e assim te acocho as vergonhas/
e pela janela atiro/ teu tênis de marca/ e gibis/
e jogo na lata de lixo/ a coleção de vinil.
E deduro pros amigos/ a origem do nosso uísque/
demito a tenaz passadeira/ e armo um disse-não-disse/
mando um fax sem eira nem beira/ e um e-mail ao teu patrão/
e sem dúvidas que o conquisto/ pra meu amante e peão.
Porém se ficas comigo/ te poupo sono e fricção/
e te serei toda ouvidos/ quer seja o fardo credor/
e esqueço de ver novela/ e aprendo crochê e tricô/
e te preparo a vitela/ da amásia do teu trisavô.
Mas se te escafedes me excedo/ mijo fora do penico/
e ao rastro de teus voejos/ gorjeio orgasmos proscritos/
e, enfim, se me deixas, encapelo/ e ao leito vou de borzeguins/
e emplastro em ti como farelo de empada de botequim...


.

Por Daniela Caride:

Não sou perfeita
Não sou maravilhosa
Não sou carinhosa o tempo todo
Nem inteligente o tempo todo

Sou carente sim
E daí?

Sou relutante
Sou de rompantes
Sou de tempestades
Também sou de maldades

Sou de tolices
E babaquices
Sou de chatices também
E de mesmices

E eu sei que você me disse
Mas eu sou de teimosia
Às vezes de apatia
Às vezes sou sombria
Até mesmo fria

Mas também não sou muito chata
Nem muito careta
Não sou de muita birita
Nem de muita manha

Sou estranha sim
Sou estranha

Mas já disse
Não sou perfeita

Sou isso aí que se apresenta
Daniela Caride

Quase sempre sujeita
Quase nunca predicada
Quase nunca satisfeita

.

Por Sergio Leo:

Não são névoas
esgarçadas
por pessoas apressadas
Será neve,
tropical?
Só no shopping,no Natal.
Talvez nuvens
alto astral,
espumas de Carnaval?
São as Nóvoas,
níveas Nóvoas,
com essa nova.
Genial.

.

Por Elenara Iabel:

"aqui tens meu coração
e a chave para abrir;
Não tenho mais o que te dar
nem tu o que me pedir".
Simões Lopes Netto

.

Por Christiane Jatahy:

Esse sarau faz graça
mas tá um pouco confuso
não sei quando é a hora
e muito menos o dia.

Vai ver que a idéia é essa.
Cada um faz um verso
mas só convidam o cara
que acertar a rima.

Ih, dancei!

.

Por Dal:

Dizem que o versejador
Finge tão completamente,
Que finge saber que é dor
A dor que o malandro sente.

Legal! Para ganhar a aposta
Poderei fingir também,
Então, se você não gosta,
Finge que sim, diz amém!

Agora, roubar do Pessoa
Só prá botar no sarau,
É malandragem da boa!
Por favor, não leve a mal...

Eu prometo que me curo,
E tento a regeneração,
Busco a musa no escuro
Dentro do meu coração.

Se eu não achar, paciência!
É bem melhor ficar mudo,
Porque poesia é excelência,
É dor, é paixão, é tudo!

.

Por Herbert Farias:

Eu queria estar por lá
no alcance desse sarau
talentos a dar com pau
garanto ali não faltar

mas por aqui vou ficando
- além do trampo, a distância -
relendo essa venturança
que a Chris postou por encanto

.

Por Vera Araújo:

Um Sarau é benvindo
quando se quer versejar
nesse encontro estou indo
jogando as palavras no ar.

A data pode ser agora
ou a qualquer hora
com todo o respeito
o convite já foi aceito.

Christiana é gente boa
não gosta de ficar à-toa
sacode a poeira do tempo
e recolhe os amigos no vento.

Agradeço a acolhida
nesse caloroso Sarau.
Volto pra roda da vida
minha estimada amiga.

Num afeto vai um beijo
com outro vai um queijo
com uma taça de vinho
vai brinde com carinho.

.

Por Flavio Prada:

Quem ainda, anda
vai à frente,
Deixa de parar,
Despara.
Porém ao correr,
Dispara
E quando diz: paro, pára.
Por isso disparo, bala.

Então quem a bala abala
É alvejado
Pois abalar o disparo
É parar o desabalo,
É incorporar chumbo,
Ser alvo,
Branco,
Límpido e morto,
Inabalável.

.

Por Luiz Biajoni:

"tens aí algum trocado, amigo?"
perguntou o menino sapeca
de rua. "não, tou a perigo!",
respondeu o outro com tudo na cueca!

.

Por Clarice De Marco:

Fruto proibido

Essa gente da cidade
não sabe comer maçã,
perde tempo com a casca
semente e lavação.

Bom mesmo e lá na roça
tira-se a fruta do pé
e sem frescura se come
com casca e poeira até.

.

Por Nelson Moraes:

O meu da reta eu não tiro
Ainda mais pr'esse convite
Mas conheço meu limite
Sei até onde me viro

Meus versos não vão adiante
Nem chegam a vossos pés
Pois não passa aqui do convés
O talento deste almirante

Mas vou além da Taprobana
Para sentar e admirar
O talento da Christiana!

.

Por Hugo Leal:

Christiana, minha querida,
também chamada de Cris,
garota cheia de vida,
sem medo de ser feliz,
fiquei deveras honrado
com tanta consideração
ao me saber convidado
apesar de escrever mal
para dar o meu recado
no que chama de sarau.
Como posso estar à altura
De gente com a cultura
Daquela que vi no blog?
A não ser que monologue
Versejando sem sentido
Não vejo como botar-me
Com o mesmo prumo e rumo.
Poeta fraco, eu assumo
como virtude a fraqueza,
e faço dela, em resumo,
minha força na loucura
do princípio da incerteza,
a mostrar que minha feiúra
Também tem sua beleza...

.

Por Dal:

Depois de ter lido o Juca.
E degustado a Maria Helena,
Só mesmo se for maluca
Prá querer meter a pena!

Eu vou dizer um ditado
E prestem muita atenção
Mais vale um cuecão recheado
Do que qualquer mensalão!

Agora que eu já entrei
Na CPI que desnuda
Toda cabeça de rês,
Seja careca ou peluda,

Só tem um jeito prá mim
Se eu quiser que caiam fora:
É só cortar o capim
Laça, arreia, e manda embora!

Porque, lá em Minas Gerais
(terra de gente batuta)
Ninguém já não agüenta mais
Essa corja de fia' da fruta!

.

Por Ricardo Canan:

Maria Helena faz campanha
um tanto quanto esquisita.
Se Candido for,
Marcelo D2 não ganha.
Mas com certeza pita,
cigarrinho de forte odor.

Já o problema do cabelo,
não é bem do candidato;
é, sim, do tesoureiro.
Com cabeça nua, mas sem pêlo,
vai auxiliar no mandato,
a cuidar do dinheiro.

Na campanha de Marcelo D2,
posso imaginar Dudu Nobre,
como responsável pela panfletagem.
Se nele votar, não reclame depois,
quando sentir-se mais pobre,
de novo enganado pela malandragem.

.

Por Maria Helena Nóvoa:

O nosso amigo Ricardo,
bastante preocupado
com a crise nacional,
detectou o que liga
o jovem Marcos Valério
ao velho PC Farias,
ao menos no visual:
Sugeriu (tremo ao dizê-lo)
uma relação causal
entre a falta de vergonha
e a falta de cabelo.

Isso é maldade de macho,
carecas têm seu ibope
e mulher não pensa assim.
Mas tenho que confessar:
sou mais Jandira Feghali
que Esperidião Amin
embora não advogue
probidade capilar.

Porém, se a tese do amigo
tiver qualquer fundamento,
quero aproveitar o ensejo
e não deixar pra depois:
Nem Serra, nem Garotinho,
nem Lula em 2006.
Pra renovar o Planalto,
voto no Carlinhos Brown
ou no Marcelo D2.

.

Por Juca Filho:

Já mandei para o espaço o embaraço
vou tentar , sendo assim, grande proeza
e buscar igualar esta beleza
que me chega das Nóvoa magistrais,
e, acessando meus dotes tão banais,
por vaidades escusas inspirado,
procurar responder ao seu chamado,
evitando ceder ao monossílabos,
iludindo com toscos decassílabos
no estilo martelo agalopado.

O meu dom é chinfrim, ponha de lado,
o meu tom é ruim, deixe de banda,
compreenda que cumpro uma demanda,
pra não ser, pelas Nóvoa, esconjurado,
devo alguma resposta ao meu passado
onde, em golpe de sorte, criei fama,
pra depois ficar só quieto na cama
produzindo a continha pra viver,
porque o sono é melhor que o escrever,
quem duvida, pergunte ao Dalai-Lama.

Considero-me um simples papa-grama
de bridão, ferradura, orelha em pé,
nunca fui, por Jesus de Nazaré,
estilista de prosa, verso ou drama,
tal menino que faz xixi na cama
ou um beque chutando pra escanteio,
solto o verbo na doida e, lá no meio,
por milagre de Deus, Vige Maria,
sai um troço que dizem que é poesia
e eu, de esperto que sou, finjo que creio.

Pois então vou cessar com o “aperreio”
pondo fim de uma vez a este suplício
e obrigando a postar este estrupício
estas moças, que nunca fazem feio,
a quem peço, considerar no e-mail
já cumprido o dever e minha meta
e não venham me nomear poeta
que eu garanto fingir que nem ouvi,
e, que nem deputado em CPI,
negar tudo e tirar o meu da reta.

.


Por Flavio Prada:

O lâmbda e o ômega
Onça galática
De estranha combinação
Pirâmide cúbica
Megawática
Estática constelação

O alfa e o romeo
Gaiola prismática
De mera ostentação
Acorrentado Prometeu
Leva prostática
Errática satisfação

.

Por Pecus:

Declino o amável convite
Jogado longe da meta
Posso te dar um palpite
Aonde encontrar um poeta?
Procure o Jayme Serva
No dito assim.blogger
Que paira sobre a caterva
Com suas precisas estrofes
Esse sim vale a pena
Esse sim faz poema

.

Por João Noronha:

Se voce acha que eu não vou não
Você tá sendo pessimista
Esse aqui é o João
Que tá de volta na pista!

.

Por Ricardo Canan:

De verso e reverso em Brasília,
Não resulta coisa boa,
Vou fugir p'ruma ilha,
Ou vou'membora pra Lisboa.

.

Por Flavio Prada:

A inversão é tal que o universo que é grande à beça
Está todo dentro de minha cabeça,
ainda que não me obedeça.

.

Por Herbert:

E os tetos faziam sangrar os pés de todos, até quem nunca teve telhado de vidro.

.


Por Christiana Nóvoa:

Riquezas são diferentes

Ser artista é a vitória última
Do ouro íntimo sobre a pobreza
Do gozo crônico sobre a penúria
Do luxo terminal sobre o fim

Em meio à praça de guerra, um jardim
Terra desolada da beleza solitária

Aos ricos, sou solidária:
A paixão, a fome e a morte
Nos irmanam na miséria


.

Chose de Locke!

| | Commentários (20)

De passar mal, os comentários da galera no post abaixo! Quem arrisca mais um trocadêmico?

Seleção de comentários: Diálogo na Academia

P?las do Sarau

| | Commentários (8)

Não é por nada não mas este sítio é freqüentado por pessoas MUITO especiais.
Pra quem tem preguiça de olhar as caixas de comentários, aqui vai uma seleta do que rolou no nosso Sarau:
pearl_shell.jpg

Por Alexandre Inagaki:

Não sei falar de mim mas falo
Palavras se escrevem e eu me calo
O tempo é soco e o soco não sara
Rara é a vida e o amor é a máscara
Língua é bala se míngua é a fala
Mas não tenho certeza de nada

Não sei falar de mim mas falo
O tempo se escreve e eu me calo

.


Por Flavio Prada:

Eu não me traio em enganos
Lendo aqui os teus versos
Que os poemas como os panos
Recobrem as verdades, perversos

Invente sim e fale e diga
Porem nao tente esconder
Pois se é mesmo minha amiga
No fundo me fará tudo saber

.


Por Nelson Moraes:

Ela me pede um verso alexandrino
E nos dedos as sílabas fico a contar
Me esquecendo que na hora de poetar
O vate adulto não passa de menino

Culpa minha, ah, essa sina tétrica
Que desde sempre me faz perseguição
Ao invés de nos versos pôr coração
Fico é enredado ao seguir a métrica

Ó, Christiana, que a modéstia me ataque
Mas sonetos mui melhores que o meu
Já estão aí: o do Flavio e o do Inagaki!

.


Por Christiana Nóvoa:

Poeta Nelson, é mesmo quase um soneto
O alexandrino que você me prometeu
E em má emenda eu lhe dedico este terceto

.


Por Maria Helena Nóvoa:

Aqui no nosso solar
(que não é só lar, é festa,
basta puxar a cadeira
que a conversa ou a seresta
vão rolar a noite inteira)
não cabem só acadêmicas
trovas digitais perfeitas
contadas com zelo e fé.

Que ao poema christiano
se junte o de pé quebrado
e à rima flaviana
se una rima sem pé.
Que o alexandrino Inagaki,
desde o berço destinado
a engendrar dodecaversos,
tente repentes que lembrem
Patativa do Assaré.

Que venham versos em sete
com aquela cara de Lorca,
concretos - como os De Campos -
ou hai-kais, que eu duvido
um Bashô mais divertido
que Nelson, nosso Almirante.
Que venham Carpinejares
e também Camões e Dante.

Só não vale sonegar,
por vergonha ou timidez,
o dom, o talento, a veia
e engavetá-los de vez.
Um poeta de coragem,
convidado de um sarau,
levanta-se, pigarreia,
mata cobra e mostra o pau.

.


Por Flavio Prada:

Vejam voces que diferente
Um comment assim se fazer
Estimulado por toda essa gente
Que poetando se põe a dizer.

Tudo começa no inicio, que heresia
Quando a nossa doce Christiana,
Postando uma bela e meiga poesia
Mente e finge sim, mas não engana.

Agora não paro com os versos
Ja está se formando um vìcio
Até na fila do banco, perversos
Me veem à mente sem sacrificio

A moça do bar parece que gosta
Já o cara do posto me olha de lado
A minha vizinha me chama de bosta
Mas eu nao lhe respondo, controlado.

Espero que a coisa prossiga
Para poder voltar e comentar
Porem me permitam que diga
Que blog bom para poetar!

.


Por Renata Maneschy:

O poeta é um fingidor
Assim como a mulher
Ao escrever a sua dor
E disfarçar o que quiser

E se o que quer é amor
E ela o faz por merecer
Em suas palavras há clamor
E um desejo de vencer

Um jardim sem flor
Um luar ao amanhecer
Banho sem frescor
Lágrimas ao entardecer

Metáforas de um escritor
Com medo de enlouquecer
Ver um arco-íris sem cor
E a inocência se perder

Quando cala, sorri
Mas por dentro sente
A realidade destruir
Algum desejo inconsciente

Catarse no divã
Freud, Jung ou Lacan
Tradutores de um mundo invisível
Tecla sap do incompreensível

Deita, fala e analisa
Quem escuta não explica
Só quem vive, sabe
Que ser livre é ser metade

É bobo ou infantil
É maduro ou senil
Mas que diferença há
Entre ver e enxergar?

Nesse palco sou atriz
Nessas linhas sou poeta
Nesse jogo sem juiz
Divagar é o que me resta

Quem cala, consente
Quem fala convence
Quem olha, sente
Se gostar, comente

.


Por Fernando Paiva:

No meio dos Bambas
Um Conga sujinho
Não tenho nada na gaveta
E num momento solene
Eu comendo pipoca na platéia vibrante

As vossas pérolas amadurecidas
Faiscam no sol dos arrecifes
E minhas bolinhas de gude
Desceram ao fundo do mar

Nesse globo todo mapeado
Do falecido Eldorado
Meus olhos ficaram parados
Nessa minha visita ao vosso sobrado

Um pedacinho de horizonte!
Que beleza!
Lá além dele
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Só estou fingindo ser poeta
Pra não levar nariz torcido
Melhor ser palhaço do circo
Só sei andar de bicicleta

Só queria dizer -Oi querida.
E acabei tendo que...
Como se diz mesmo?

.


Por Luiz Biajoni:

o poeta é um miserável desgraçado sem ter onde cair
morto
mesmo nesse estado continua sendo o que sempre foi

.


Por Cynthia Feitosa:

Chego assim, depois da hora

Com a sala já escura,

E a festa há muito acabada

Justifico minha demora

Com a vergonha da feiúra

E da roupa larga e emprestada

Com todos adormecidos,

Deixo num canto, escondido

O meu presente, coitado

Tão pobrinho e mal embrulhado

Um poeminha indigente

Versos sem nenhuma métrica

Profundidade adolescente

Uma ou outra rima tétrica

Não sabe contar nos dedos

Nunca foi alexandrino

Nem sabe o que é um soneto

É um pobre cynthiano

Que só se mostra com medo

Mente ser pós-moderno e urbano

Mas só faz papel de cretino

Ouço um barulho na escada

Será que tem gente acordada ?

Fujo a toda velocidade

Antes que alguém leia - e trema

Com a ruindade do poema

Que era prova de amizade.


.


Por Celso Carneiro:

POETA
Ser poeta!
Será um estado...
uma sensação...
uma emoção...
uma impressão...
elaboração?
Uma profissão,
decerto que não!
Um ofício?
Não, que alívio!
Uma divagação, talvez...
Uma desocupação, certamente.
Mais,
uma pretensão descomunal
de reduzir a versos o anverso da razão;
de transfundir as cores das visões
e desenhar o redemoinho das paixões,
num pedaço raso de papel.
É mais:
o desvario de supor
que tu aí,
que vives no tempo
e cuidas da moeda,
entediado no desencanto das esperanças fugidias,
possas ouvir o canto mudo
de uma poesia pequenina.


.


E aí, quem vai dizer o próximo?

Par?la dos talentos

| | Commentários (8)

family_m.jpgMeu irmão mandou-me este e-mail, a respeito do comentário da Clarice no post abaixo, elogiando sua escrita. Eu, irmã-coruja que sou (e com razão, como vocês hão de notar), não poderia deixar de publicar a missiva. Com vocês o literato, musical, advocatício e aeróbico Dr. Claudio:

(Por Claudio Nóvoa – cgnsc@hotmail.com )

Querida Irmã :
Acabo de ler o comentário da leitora, ela foi muito legal, acredito que você já a conheça. Pode ser que eu tenha passado uma falsa impressão de modéstia, como quem escamoteia seus talentos na intenção de conquistar elogios, mas isso não é verdade. Eu não me acho realmente um escritor, embora seja às vezes assaltado por essa vontade. O que aconteceu comigo foi apenas treino, e estar inserido num ambiente que estimulou essa capacidade. É como alguém que nasce numa família de músicos, ou pintores, ou trapezistas, ou bailarinos. Certamente esse alguém, ainda que não siga o caminho dos outros artistas da família, irá revelar uma intimidade, uma familiaridade com aquela forma de expressão. Mas você, no seu íntimo, sabe que você não é tão bom naquilo quanto os outros, embora possa ter ocasionalmente seus momentos de brilho. Ter nascido numa família de leitores vorazes e compulsivos, capazes de devorar avidamente todo tipo de tema facilitou muito as coisas, afinal os livros estavam ali mesmo, era só estender a mão. E quando, eventualmente, você resolve se expressar, todo aquele conteúdo acumulado se evidencia, fazendo parecer às pessoas que você é talentoso, sem que, de fato, o seja. Por outro lado, quando um determinado talento emerge num ambiente que não lhe seja propício e, ainda assim, teima em se manifestar, é sinal de que estamos diante de uma inclinação verdadeira, e aí, para explicar, bem..., você acredita em vidas passadas ? Mas também aí, nesse caso, o talento que emergiu vai estar submetido ao ambiente que o circunda. Você pode nascer com um puta talento musical, mas se você não encontra ninguém para cantar com você, tocar com você, ouvir o que você compôs, enfim, se ninguém reconhece esse talento e nem te valoriza por causa dele, você também encontrará dificuldades em expressá-lo. E pode até acontecer que, ao longo da vida, aquele talento permaneça em você em estado de latência, sem ter a ocasião de se desenvolver e se manifestar. Por isso, o ideal é que os dois componentes da fórmula talento+oportunidade estejam mais ou menos equilibrados a fim de permitir a livre expressão do artista. Eu acho que essa página abriu para você esse canal, que vai mostrar ao mundo a artista que você sempre foi, e permitir que você se desenvolva ainda mais. Quanto a mim, ficarei feliz em contribuir com meus comentários e, ao contrário do que possa ter parecido, não desejo me fazer de modesto para ganhar elogios, mas apenas me divertir um pouco e instigar algumas polêmicas divertidas, mas sempre me deliciando com seus textos e suas idéias malucas.
P.S. Sabe se tem alguém por aí interessado em formar uma banda ?

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