Para ser franca, tenho que admitir: sempre achei estes versos a minha cara. Aliás, ainda bem que não fui eu que os escrevi, eu não me permitiria esta franqueza:
Versos de orgulho
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !
O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
__O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
Florbela Espanca, 1930.
Créditos da foto:
Fotografia por Felipe Goifman, 1987.
Modelo - eu, aos 18 (pensando que tinha 36).
