o amor que a gente faz
surpreende que ainda soe
perfeito como sói
suspeito até que mais
tanto tempo depois
adoro como sois
poente como sóis
queimando ardendo em nós
dois
imagens: Benn Flemming
o amor que a gente faz
surpreende que ainda soe
perfeito como sói
suspeito até que mais
tanto tempo depois
adoro como sois
poente como sóis
queimando ardendo em nós
dois
imagens: Benn Flemming
Como quem faz desenhos na areia:
Traça uma linha a ponta do graveto,
Sobe a maré, apaga linha e meia.
Dos versos presunçosos que cometo,
Quero escrever, bem antes que alguém leia,
As letras em nanquim no fundo preto
Que, assim, a coisa fica menos feia.
Mas nem sempre a censura funciona,
Tem um sopro rebelde que me escapa
E, à minha revelia, vem à tona.
Debalde meu esforço, um mau poema
Liberta-se do escuro, à socapa,
Mata a família e estréia no cinema.
Quis Cuba Libre;
embargado, nao caiu!
- so' chamou Raul
.
.
.
.
.

Po, que pena, eu nao sou pop!
Nao escrevo soap-opera
nem letra de hip-hop...
No meu verso invento moda,
minhas redondilhas fecham
porem, no universo fashion,
confesso: nao to no top.
O ultimo show eu nao vi,
so escutei a zoeira
(nao ganhei uma pulseira
para o curralzinho vip).
Vai bem baixo meu ibope:
nao sou apresentadora,
nem garota de programa,
nem miss, nem BBB,
nem policial do Bope...
Mas tambem posso aprender;
to a fim de dar um up!
Aparecer na TV
e ganhar uma bolada,
antes que a chance me escape.
Resolvi vender a pena
e o meu contrato com a musa,
em negociata espuria,
pra um tabloide classe Z.
Vou ver se compro, com o troco
um armamento pesado,
um pente de chumbo grosso
e um modelito que arrase.
Adentro algum mega-evento
e, ao som de um funk indigente,
disparo verbos em furia
no primeiro que passar!
Saio mandando objeto
direto pra todo lado;
se o sujeito discordar,
vai tomar no predicado...
Briga sempre junta gente:
aproveito os paparazzi,
vou logo tirando a blusa.
Meio minuto de fama
eh mais que suficiente
pra eu deitar, fazer a cama
e editar a obra completa.
Pois finalmente a poesia
vai estar em cada banca
- num ensaio da playboy:
Poetisa aliterada
abusa da lingua e arranca
a roupa que o rato roi
.
.
.
(fonte da imagem: http://www.thepinupfiles.com/frahm.html )
quando chove
de raio
eu chamo
as palavras
de risco
pra vir brincar
em casa
bem longe
de espelho
tesoura
arvore
agua
poste
vassoura
agulha
vidro quebrado
tudo que
fura
ou fere
ou fulgura
um reflexo
qualquer
um cisco
se der
fagulha
atrai
um corisco
que credo
ninguem
aguenta
com o coice
vixe
nem fale
nisso
isola
.
.
.
de capinhas de borracha
vem as chatas
de galochas
e aqui dentro
se abrigam
seguras
ate' o estio
as intempestivas
e um tanto parvas
(com perdao da ma'...)
palavras
.

meu papel
de seda
molha
cada vez
que voce
passa
e nao me olha
;
folha fina
em brancas nuvens
me dissolvo
na saliva
deixo na lingua
uma mancha
escura
;
desdobradura
do acaso
nem eu sei
me repetir
quando a dobra
dos meus olhos
se desmancha
.
sao paulo
sampleia
sons power
sem pouso
com pondo
com passos
sem pauta
.
sons piram
se param
sus pensos
seus pesos
.
se pairam
sao porem
simpaticos
seus parcos
suspiros
.
sao pausa
.
que sob o ceu
me sobre tudo
sobretudo sob o seu
sobretudo
.
mar leve
meu peso
pro~fundo
marola
me~areia
sereia
sal estanca
toda carne
que se~angra
todo dia eu penso
uma coisa e passa e nao lembro
precisamente
o que era
..
eu quase que descubro
o que quero pensar pela proxima
era
ou ate setembro
quando a primavera vem
sem que eu precise
pensar
.
saudade eh o
sal
que amanhece desenhado
no leito evaporado de uma lagrima
de felicidade
.
,
o amor~tece
apara~quedas
do~ssel
d~onde
nu~vens
~
meu nome eh krishna
ve se me arjuna
indra que eu kali
bhagavad gita
nao me ganesha
nao me ayurveda
que eu fico mudra
como uma pedra
ananda logo
com o hare hare
rasga meu sari
meu veu de maya
diz que eh meu ohm
me pranayama
dharma uma brahma
que eu fico karma
divina graca
seja govinda
que pelo vishnu
es o nirvana
a poesia faz caber
dois inteiros mais a lua cheia
em um quarto
crescente
sol nascente colorindo o zinco
ao branco do meio
dia
a metade do meu caminhar
um pe em cada
meia
minha mao
na sua
pra atravessar a rua
poesia nao presta contas nao cabe
so sabe fazer amor e arte
de modo que
quem parte pode ser
maior
que o todo
.
foto: guga

o amor sorri um dia por encanto
pra sempre seja um dia por enquanto
eu ja morri um dia porem canto
~
foto: ana beatriz occhioni
; eu gosto das suas pausas, dos seus tempos brancos, seus espacos entre
adoro seus pontos exatos, suas virgulas precisas, suas poucas reticencias
amo o modo particular como voce poe os pingos nos iis
mas nao conheco seu gosto (e nem seu rosto, a bem dizer, nem sua boca)
so sei que me sabe bem
sua lingua
que eh a parte que me toca
.
depois que tudo
foi dito e feito
a mala ia
mas deu defeito
ama-la-ia
tempo imperfeito
minha desdita
tua desfeita
ah, mal-amada
eh que eu nao ando!
se entrei de sola
saio de banda
artista sola
malabarista
a vida eh mola
a mala volta
ah mas agora
tenho outras cem!
sempre ha malas
que vem pra bem
.