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printemps.jpg
  
 ;

 

meu papel de seda molha
 
cada vez que você passa e não
 
me olha
 
;
 
lágrima deixa mancha
 
escura na minha folha fina
 
branca
 
;
 
desdobradura do acaso, nem eu sei me repetir
 
quando a dobra dos meus olhos
 
se desmancha
 
.
 
 
 
 
(Publicado no dia 11/09/07 , revisado hoje)
 
 
 

 rosa.jpg

vivo cigana

roda na estrada

carta na manga

rota na mão

 

a caravana

passa e eu, ladra

(ar)roubo um tesouro

teu coração

 

sorte no amor

bazar no jogo

me aferro à fé

a ferro e fogo

 

um dia amarro

minha carroça

planto uma roça

no teu regaço

 

por ora solto

volto pra praia

com um pedaço do mar

sob a saia

 

.

 

foto: guga alayon 

 

mata.jpg

 

a lua chia 

 

mata em silêncio cheia

 

de som e folha

 

 

 

foto: mata atlântica - broto de samambaia gigante, por luizdemog. [fonte]

  

 

o branco do olho pinta

 

na pálpebra um arco

 

íris

 

.

 

 

 

 

 

 

 

água-tinta

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silg.jpg

é o mar em mim que não sei onde barco

nem bem quem sinto com essa maré tanta

onda me perco inda que leve a fundo

ao cabo tudo que a corda arrebenta

 

.

 

toda tormenta tem sua bonança

cada criança tem o seu instinto

singrar na unha o espesso oceano 

por vir ao ar mesmo que um fio parco

 

 

enfuno em claravela o ar retinto

semeio tempestade colho in vento

desvendo o verbo que replanta o mundo

derrame de água-benta em terra santa   

 

 .

 

imagem: piers brown

a-ritmétrica

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ateorema inequação

e-nigma insanalógico

fórmula única insolúvel

 

amalgarismo vírgula dígitos infinitos

esquadratura do círculo

raiz incúbica de pi

 

se faz de conta

me explica tudo

expressa de modo preciso

 

quão desmedido

o que impermanece

incógnito

lionofvenice.jpg

meu leão ruge

venha o varão que turge

o verão urge

 

 

 

Ilustração: Lion of Venice - Salvador Dalí, 1954

 

a última voz que anima um corpo insano é a dor

paixão terminal da carne

 

antes do sono a esperança

é a penúltima que morre

.

 

 

Pau no sistema

[ pAusa para o poema ]

Inverno, pena.

 

Isso eu escrevi há 2 meses, quando soube que meu pai estava doente. Na época não quis publicar, ficou no rascunho. Agora vai, sei lá porquê. Antes que ele vá.

Que Deus o (man)tenha, uma coisa ou outra, o que for melhor.

 

farfal.JPGvolto pra casa

 

trazendo um olho novo

 

em cada asa

 

 

catavento

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Cópia de leowheel.jpgo

pens

amente

capta alguma id

e o que não

foi

..

fôlego

cata vento

inspira sopra

apróxima

bússola

girassol-dos-ventos

seu leste

é aqui

metros da

qui

mera

vilha

esta rot

açã

o

artejap11.JPG



O amor compensa

todo crime que se pensa;

sã-inconsciência.







festajun.jpg

Quadro de Lucas Penacchi

Amigos do coração,

eu venho por meio desta

convidá-los pr'uma festa:

um sarau de São João.

 

A festança é no arraial

novoaemfolha.com.

O endereço é virtual

mas o ambiente é bom.

 

Não tem ladrão nem quadrilha,

só poetas de família.

Não tem fogueira ou balão,

só a luz da inspiração. 

 

Não tem quentão nem cachaça

mas, para espantar o frio,

tem repente, desafio 

e rimas cheias de graça.

 

Se você tem um minuto,

passe aqui pra ver se gosta.

Diga um verso, que eu escuto

e versejo uma resposta.

 

Se achar que foi divertido,

comovida, eu lhe convido

a retornar para o bis.

Um beijo e até logo, Chris.

 

.

sunset_dreams_01.jpg sunset_dreams_02.jpgpara guga

.

o amor que a gente faz

surpreende que ainda soe 

perfeito como sói

suspeito até que mais

tanto tempo depois

adoro como sois

poente como sóis

queimando ardendo em nós

dois 

 

 

imagens: Benn Flemming

 

Thumbnail image for marilyn_warhol.jpgQuisera eu fazer este soneto

Como quem faz desenhos na areia:

Traça uma linha a ponta do graveto,

Sobe a maré, apaga linha e meia.

 

Dos versos presunçosos que cometo,

Quero escrever, bem antes que alguém leia,

As letras em nanquim no fundo preto

Que, assim, a coisa fica menos feia.

 

Mas nem sempre a censura funciona,

Tem um sopro rebelde que me escapa

E, à minha revelia, vem à tona.

 

Debalde meu esforço, um mau poema

Liberta-se do escuro, à socapa,

Mata a família e estréia no cinema. 

 

 

flordevitoria.jpgdo lodo à glória

 

desfolha-se efêmera

 

flor de vitória

 

.

 

.

 

.

lagarto.jpg-reptício  outono

 

lagarto se estira ao sol

 

luz que nos réstia

 

.

 

.

 

.

 

 

 

Fiz el 4! (hai-no-cai)

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Fidel_Che_jordreform_1959.jpgQuis Cuba Libre;

embargado, nao caiu!

- so' chamou Raul


.


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rap da poeta louca

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pinup-book-frahm.jpg
Po, que pena, eu nao sou pop!
Nao escrevo soap-opera
nem letra de hip-hop...

No meu verso invento moda,
minhas redondilhas fecham
porem, no universo fashion,
confesso: nao to no top.

O ultimo show eu nao vi,
so escutei a zoeira
(nao ganhei uma pulseira
para o curralzinho vip).

Vai bem baixo meu ibope:
nao sou apresentadora,
nem garota de programa,
nem miss, nem BBB,
nem policial do Bope...

Mas tambem posso aprender;
to a fim de dar um up!
Aparecer na TV
e ganhar uma bolada,
antes que a chance me escape.

Resolvi vender a pena
e o meu contrato com a musa,
em negociata espuria,
pra um tabloide classe Z.

Vou ver se compro, com o troco
um armamento pesado,
um pente de chumbo grosso
e um modelito que arrase.

Adentro algum mega-evento
e, ao som de um funk indigente,
disparo verbos em furia
no primeiro que passar!

Saio mandando objeto
direto pra todo lado;
se o sujeito discordar,
vai tomar no predicado...

Briga sempre junta gente:
aproveito os paparazzi,
vou logo tirando a blusa.

Meio minuto de fama
eh mais que suficiente
pra eu deitar, fazer a cama
e editar a obra completa.

Pois finalmente a poesia
vai estar em cada banca
- num ensaio da playboy:

Poetisa aliterada
abusa da lingua e arranca
a roupa que o rato roi

.

.

.
(fonte da imagem: http://www.thepinupfiles.com/frahm.html )

intemperie

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quando chove
de raio
eu chamo
as palavras
de risco
pra vir brincar
em casa

bem longe
de espelho
tesoura
arvore
agua
poste
vassoura
agulha
vidro quebrado
tudo que
fura
ou fere
ou fulgura
um reflexo
qualquer
um cisco
se der
fagulha
atrai
um corisco
que credo
ninguem
aguenta
com o coice
vixe
nem fale
nisso
isola
.
.
.

de capinhas de borracha
vem as chatas
de galochas

e aqui dentro
se abrigam
seguras
ate' o estio
as intempestivas
e um tanto parvas
(com perdao da ma'...)
palavras

.

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Minhas melhores fotos são dos olhos do meu filho.

Meus melhores poemas, confesso, não sou eu que faço.

Laço o que posso, o pouco que não esqueço

do sopro (ab)surdo que ouço em quanto passo.

Christiana Nóvoa

meuemail: christiana ponto novoa arroba gmail ponto com

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