seleta poesia chris: November 2005 Archives
João, conheci menina
Antes mesmo que me lembre
Depois, ninguém me contou
Onde é que foi parar
Lembro dele sempre ali
E então eu nem percebia
Sem que eu desse pela falta
A vida andou, distraída
E João? Ninguém me contou
Onde é que foi parar
Lembro de sermos amigos
Que me emprestava a borracha
E sorria, tolerante
Que a devolvesse mordida
Lembro que nunca falou
Nem eu pude confessar
O que ainda descabia
Em imaturos sentidos
Não nos complicava a culpa
Nem paixão, ciúme, apêgo
Nem desejo não havia
Só tínhamos um ao outro
Cúmplices na mordida
Solidários no apêrto
Apertados pra ir ao banheiro
Sem saber pra quê ao certo
Sem lembrar que o outro existia
Quando a escola estava longe
Sentindo o que a gente sentia
Quando se sentava perto

