Textos antigos (Christiana): January 2005 Archives

"A nau dos Loucos - um exerc?o" ou "Brainstorm"

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Há muitos anos atrás, um livreiro meio doido me deu de presente um livrinho curioso, cheio de teorias conspiratórias esotéricas, chamado “Os livros malditos”, de Jacques Bergier (ed. Hemus). Nem sei se ainda é possível encontrá-lo à venda mas o tenho aqui em mãos.
Traz várias histórias bizarras e supostamente verdadeiras sobre a destruição sistemática desde tempos imemoriais – empreendida por uns tais “homens de negro” (ui, que macaaaabroooooo) - de livros e obras reveladoras de altíssimos e profundos segredos. O incêndio da biblioteca de Alexandria nada mais teria sido que um dos ousados atos terroristas da tal “ordem negra”…
Sei não, acredito em tudo só até a página 5, mas ele cita vários casos e fundamenta, ou finge fundamentar. Tive preguiça de verificar as fontes mas pelo menos uma passagem do livro tornou-se um de meus exercícios de imaginação favoritos. Penso em escrever um conto sobre isso um dia mas sempre adio o projeto. Então, enquanto seu lobo não vem, publico aqui o trecho para que vocês também se divirtam e me dêem sugestões. Prometo dar os créditos quando escrever minha pequena-grande-obra. Aí vai:

“No momento em que escrevemos, um iate luxuoso percorre os oceanos do globo. Traz bandeira que não é de nenhum país conhecido ou desconhecido. Tem a bordo um certo número de guardas armados, pois muitas vezes tentou-se forçar o cofre-forte do capitão; esse cofre contém um livro muito perigoso cuja leitura torna louco o que lê e se chama Excalibur.”
…

Então, o que estaria escrito neste livro de TÃO perigoso?
O nome de Deus? Os resultados da loteria da Califórnia até 2020? A prova do amor de Cristo por Maria Madalena? A fórmula da pedra filosofal? Ou será apenas uma perguntinha auto-reflexiva, tipo “quem és tu”?
Penso que bem pode ser como o livro de areia de que fala Borges, que a cada vez que se abre é um livro diferente portanto nunca se volta à mesma página…. penso num livro que conte a história de quem o lê e descreva em detalhes sua morte… penso numa simples página em branco….

Diga aí: e pra você, o que pode haver num livro que leve à loucura? Que idéia faria em pedaços cada uma de suas certezas?
Hein? Pense… (imagine um pêndulo diante de seus olhos: tic-tac-tic-tac…)

Mas peraí: os tais guardas armados são analfabetos, não têm curiosidade alguma (nesse caso, aposto que não são mulheres) ou será que estão todos loucos? E o capitão, que a essa altura deve estar completamente ensandecido, será que ainda lembra o segredo do cofre?….

Hum...pense mais...eu, de minha parte, estou ficando um pouco zonza…

(momento dossiê: se eu morrer esta semana, os culpados são os Homens de Ne..

ManuscriptLeaf_thumb.jpg Coisas que não me interessam numa pessoa:

O tamanho de seu poder;
A marca de seus sapatos;
Seu nome de família;
Se anda a pé ou de "chauffeur" (grafia corrigida pela Cynthia, minha revisora poliglota de plantão);
Qual seu Big Brother favorito;
O relatório de suas ações;
Os retratos de sua vaidade.


Coisas que me interessam numa pessoa:

Seu bom humor;
A qualidade de seus afetos;
O relato dos seus sonhos;
O poder de atravessar vidraças;
O desenho de suas cicatrizes;
A memória de suas batalhas;
As imagens de sua história.

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..
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taoist-painting.jpg De uma maneira geral, pessoas me interessam mas não todas e penso que nenhuma o tempo todo, o que é um problema. Já dizia Sartre : “O inferno são os outros.”
Brilhante mas discordo. Nem eu mesma sou tão interessante e divertida que valha a pena full-time e, dentre os chatos que me cercam, sou a mais difícil de despachar. Estou treinando técnicas avançadas de meditação pra largar de meu próprio pé e me mandar passear de vez em quando. Pra ver se me curo dessa doença de ser eu mesma.
Esse negócio de fazer listas, por exemplo, só pode ser loucura. Ou preguiça de ser extensa, ainda não decidi, mas boa coisa não é, que preguiça é pecado tão capital quanto a inveja, a avareza e outras coisas feias (ou charmosas, como a luxúria que, no imaginário coletivo, tem a cara – e principalmente o corpo - da Luma de Oliveira).
Tem outros sintomas da minha esquisitice: palavras que eu repito demais como sonho, memória, vidraça - coisas muito pouco confiáveis para alguém se apoiar. Outras que evito sistematicamente como contabilidade, dívidas, cobranças. Onde é mesmo que eu planejo investimentos, recolho dividendos, consolido lucros?

Estava precisando de um eletrochoque pra entrar nos eixos e começar a me preocupar mais seriamente com o que, afinal, parece ser a única preocupação séria: quanto é que eu levo nesse bolo? Ou então um mestre zen à moda antiga pra rachar logo meu coco com uma cajadada. Diz que o método era tiro e queda: quando o discípulo não morria, ficava calminho, um verdadeiro santo.

Sempre-viva, flor teimosa do cerrado

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sempre viva.jpg
Eu sei que estou viva quando:
me apaixono como adolescente; dou risada; sinto o vento arrepiar o rosto; sinto medo; sinto fome; canso o corpo; sinto prazer; sinto saudades; percebo que ainda posso chorar lendo um poema ou simplesmente achando uma coisa linda.
Eu morro um pouco quando:
perco a fé; perco tempo com quem não merece; perco a paciência com quem amo; perco o celular com o telefone de todos os amigos; perco um pôr-do-sol no Arpoador ou no Kilimanjaro; perco uma boa oportunidade de ficar quieta ou de agir, quando chega a hora.
Eu não morro nunca quando:
sobrevivo a tanta morte.

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Ei de herrar aimda

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monkey.03.jpg Não tenho vergonha de dizer: sou do tipo que erra um bocado, especialmente em público. Macaco é meu signo no horóscopo chinês e, de fato, micos e outros símios me são bem familiares. Aliás pareço ter, desde sempre, uma certa compulsão pelo erro ostensivo, de modo que aproveitei ao máximo cada chance que a vida me ofereceu de expor minhas imperfeições à visitação das gentes. Em criança, fui anjinho de presépio vivo, mãe da noiva em casamento caipira, oradora do dia da Independência, cisne-do-lago em balé-de-fim-de-ano … não que tivesse grandes talentos ou que apreciasse tanto assim os nem sempre efusivos aplausos familiares mas gostava da sensação de sobreviver a mim mesma. Mais tarde fui fazer canto coral, Teatro de Rua e, pior, Teatro Infantil de Shopping, onde vivi a experiência única e inenarrável de panfletar pelos corredores, em pleno verão carioca, vestida de coelho de pelúcia. Hoje em dia, disponibilizo graciosa e voluntariamente minhas asneiras a quem interessar possa, via internet. Um exemplo de dedicação à causa primata.
Mas também sou um espírito oportunista e não deixo passar as ocasiões espontâneas para testar meu fair-play. Já caí sentada com as pernas pra cima ao fim de um almoço de negócios, derrubei cerveja num professor estrangeiro seriíssimo, e olha que eu nem bebo! Meu currículo de vexames, tombos e tropeços faria corar o Inspetor Closeau. E as bobagens de amor, quantas já cometi, e tamanhas? Ah, como sou tolinha!…
Mas não é que estou aqui inteira pra contar a história? Vergonha não mata, garanto por ampla experiência própria, o rubor até irriga a pele e rejuvenesce, faz a gente se sentir criança. Com aquele risinho de traquinagem, a sem-vergonhice íntima de quem está sempre tentando alguma coisa nova. O vizinho que me perdoe e cuide de sua vidraça, porque eu tô aqui é pra brincar e bola fora faz parte.
Deixa estar que eu ainda aprendo. No dia em que eu parar de errar será realmente confortável, um alívio, e quase anseio por este momento: hora de pendurar as chuteiras… e bater as botas.

Id? nº 1 do 1 do 5

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idea lighbulb.JPG Quando eu tenho uma idéia ruim, das que me acometem aos montes, não tenho a menor dúvida de que fui eu a autora da infâmia. Já quando é uma idéia realmente boa, devo admitir, por muito que eu quisesse me arrogar valor, que não passei de um meio: a Idéia é que me teve, à revelia. Costuma vir pronta e não me larga até que a ponha no mundo, não sem algum indelével prejuízo à sua pureza original. Esses momentos de inspiração límpida são bem raros e, infelizmente, imprevisíveis. Muitas vezes os perco porque esqueço antes de registrar, ou por não saber o que fazer com a idéia ou, simplesmente, por não reconhecê-la como boa. Também já perdi muito tempo com idéias que pareciam boas mas não eram. Às vezes até eram péssimas.
Mas uma idéia realmente boa costuma ter algumas características, que já estou aprendendo a distinguir:
1. É simples, sem ser simplória;
2. É óbvia, sem ser ululante;
3. É profunda e abrangente;
4. É bela;
5. É útil;
6. Quase sempre é engraçada;
7. Também pode ser triste;
8. Não obedece regras;
9. Pode ser totalmente diversa da presente descrição;
10. Pode ser que eu desconheça totalmente o que vem a ser uma idéia realmente boa.


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Porque é que eu tenho mania de elaborar listas de 10 ítens?
Não faço a menor idéia.

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